[[legacy_image_135195]] Com lágrimas nos olhos e potência na voz, a cantora guarujaense Ana Cigarra entrega um de seus trabalhos mais marcantes: Estatística. A música autoral, que ganhou um videoclipe, fala sobre as feridas que são abertas por conta da violência contra a mulher. “Do gatilho se fez arte”, acredita a artista. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Estatística começou a ser escrita há mais de um ano. após Ana ter vivido de perto uma cena de agressão. “Ouvi gritos, pontapés e pedidos de socorro, mas eu travei. Meu corpo enrijeceu e eu não consegui fazer nada”, conta a artista. A partir disso, surgiu o refrão da canção e, aos poucos, novos versos foram compondo a melodia. “Ou a música me vem inteira ou aos pedaços”. Até que surgiu o caso do DJ Ivis, de repercussão nacional. Foram divulgadas imagens dele agredindo sua ex-esposa, Pamella Holanda, grávida durante a ocasião. “Fiquei muito mal, precisava terminar essa música. Precisava falar sobre isso a mais pessoas”. Mas, por estar muito emocionada e abalada no momento, Ana não conseguia terminar a letra sozinha. Então, um sambista que acompanha seu trabalho, Adriano Godoi, ajudou-a na finalização na mesma noite, pela internet. Para Ana, essa música é um grito de alerta, de socorro (confira a letra no quadro à direita). “Muitas mulheres passam por situações do tipo e não conseguem sair. Elas precisam saber que há alguém olhando por elas, que elas merecem socorro, ajuda, e que podem denunciar”. A cantora conta que não sabe se a música chegou à mulher cuja agressão ela presenciou e que inspirou a canção. Mas ela explica que, após o lançamento do clipe de Estatística, muitas mulheres a chamaram nas redes sociais para contar sobre suas histórias, por se identificarem com a produção. Mulheres que já superaram o ocorrido e outras que, em busca de uma rede de apoio, compartilharam suas dores com Ana. “Temos que parar de repetir discursos como ‘ruim com ele, pior sem ele’. Não! É ruim com ele e, com certeza, muito melhor sem ele”, ressalta Ana. Sendo porta-voz de tantas mulheres que passam por situações de violência física e psicológica, Ana Cigarra teve cuidado ao informar que o conteúdo da música e do clipe pode despertar gatilhos. “É uma letra forte, que vai na ferida. Fala de morte, caixão. Eu senti muito o peso dessa música e sei que é difícil para as pessoas ouvirem”. Superação A música Estatística, que de forma explícita mostra a dor da mulher transpassada pela violência, faz parte de uma série de três canções com histórias de superação. Ana Cigarra explica que a música subsequente é Te Orienta. Com um estilo samba groove, como Ana caracteriza, na realidade a música foi lançada há quatro anos. Mas, apenas agora, por questões de custos, ganhou um videoclipe e houve a decisão de lançá-lo após o de Estatística, para dar sequência à narrativa. Te Orienta, de forma mais alegre, fala sobre o início da superação da mulher. Dando sequência, a cantora está compondo agora Nada de Falso Amor, uma música que falará sobre o autoconhecimento e amor próprio da mulher. “Para que essa mulher entre em um novo relacionamento, ela não precisa de alguém que a complete. Mas, sim, alguém que venha para somar, transbordar”, diz Ana. A artista Ana Cigarra, guarujaense de 35 anos, começou a cantar profissionalmente aos 18 anos. Em meio ao seu processo de profissionalização, em 2015, brilhou nos palcos do The Voice Brasil, onde seguiu até a fase das batalhas. Ela conta que foi uma experiência intensa, que a fez perceber a dificuldade de estar diante dos holofotes: “era a oportunidade de mostrar meu trabalho para todo o Brasil”. Depois do The Voice, ela participou de outros programas musicais da rede aberta e novas portas se abriram. Agora, em meio a shows e apresentações, se dedica à música autoral. Seu trabalho pode ser acompanhado no Instagram @anacigarra e as os videoclipes estão disponíveis no YouTube (clique aqui para acessar). Denuncie Violência contra a mulher é crime. Para denunciar ou obter mais informações, ligue 180 – Cental de Atendimento à Mulher. Na Baixada Santista é possível entrar em contato com as delegacias da mulher ou núcleos de apoio à mulher. Confira: Santos (13) 3223-9670 Rua Dr. Assis Corrêa, 50 - Gonzaga Guarujá (13) 3355-4468 Rua Washington, 227 - Vila Maia São Vicente (13) 3467-3941 Rua Djalma Dutra, 132 - Centro Praia Grande (13) 3471-8000 Rua Dr. Roberto de Almeida Vinhas, 11084 - Vila Tupi Cubatão (13) 3364-3885 Rua Brasil, 384 - Casqueiro Peruíbe (13) 3455-9241 Rua Min. Genésio de Almeida Moura, 76 - Centro Mongaguá (13) 3507-1708 Rua Horácio Martins Domingues, 186-188 - CDHU Itanhaém (13) 3422-6062 Rua Leopoldino Araújo, 167 - Centro Bertioga (13) 3317-4312 Rua Manoel Gajo, 340 - Vila Clais