Zé Geraldo completa 80 anos em dezembro, e também celebra neste ano os 45 de carreira (Sílvio Luiz/AT) Em dezembro, Zé Geraldo completa 80 anos e também celebra, neste ano, os 45 de carreira. Para marcar, o cantor e compositor mineiro lança novo trabalho 'O Lugar Onde Eu Nasci', 22º álbum de sua discografia. Em entrevista para A Tribuna, ele revelou sua ligação com Santos e como foi trazer o cantor Tim Maia para conhecer a Cidade. (veja mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Algumas canções desse seu novo trabalho nasceram na pandemia de covid-19. "Há letras que falam da vontade de ir pra estrada, tocar, encontrar pessoas, e outras que trazem de volta a minha música raiz, e por ai vai. De dez, oito músicas são composições minhas", conta. Passarinho Sedutor O neto de Zé Geraldo, Gael Loureiro, de 15 anos, participa do álbum. "Desde os 3 ou 4 anos ele toca comigo, porque o chamo para se apresentar no palco. Ele já tocava piano, violão e bateria de ouvido, e quis aprender contrabaixo. Então entrou no Projeto Guri, (programa do Estado de São Paulo) e está estudando há uns três anos. O 'batismo' dele em uma gravação foi essa participação comigo na música Passarinho Sedutor", revela o cantor. Estátua Zé Geraldo nasceu em Rodeiro, em Minas Gerais, e sua imagem está na entrada da cidade, além de outra que dá razão ao nome do município: "Lá tem oito mil habitantes. Tem uma estátua de um carro de boi e a minha do lado. Tinha um senhor que fabricava as rodas para os carros de boi, quando lá ainda era uma vila. E as pessoas iam procurar 'onde está o rodeiro (que fabrica as rodas)? Onde fica o rodeiro?' E por isso, ela acabou sendo chamada de Rodeiro", explica. Musica por acidente A música acabou entrando na vida de Zé Geraldo literalmente por acidente. "Meu sonho mesmo era jogar futebol. Fui fazer um teste em um time, e depois passei uma semana em Minas, com minha família. Quando estava voltando, o ônibus bateu em um caminhão na Rodovia Rio-Bahia. Morreram algumas pessoas e eu fiquei com o lado direito todo quebrado", conta. O compositor disse que, por conta do acidente, ficava muito tempo em casa em recuperação, e foi quando um amigo levou para ele um violão e ensinou uns acordes. Santos A história com Santos foi por causa de um primo. "Ele morava em Santos, José Ferreira é o nome dele. Ele me encontrou andando de muleta lá em Minas, e como eu iria iniciar a fisioterapia, me convidou pra ficar em Santos e fazer aqui, até porque poderia andar na praia". E foi aí que círculo de amizades de Zé Geraldo foi aumentando. "Conheci, nessa época, o grupo Black Cats, que hoje é o Blow Up. Nos bailes conheci também Nilson Zago, que tinha a orquestra, e em minhas primeiras gravações acabei tendo participação dos Black Cats e do Zago nos teclados. Fiquei em Santos uns dois anos, e fui para São Paulo". "Eu chegava em casa e muitas vezes estava lá o Tim, o Jorge Ben Jor, Erasmo Carlos, e outros", diz Zé Geraldo (Sílvio Luiz/AT) Tim Maia Em São Paulo foi onde se encontrou com Tim Maia. Zé Geraldo morava com um grupo que era do Rio de Janeiro, os Snakes. "Edson Trindade, Altair e Fernando. Eles disseram que tinha um amigo do Rio, da Tijuca, que estava vindo para São Paulo. Era o Tim. Ele havia acabado de voltar dos Estados Unidos, e não tinha gravado nada ainda no Brasil, mas era muito respeitado", diz. Ainda em São Paulo, ele conta que conheceu outros grandes nomes: "Eu chegava em casa e muitas vezes estavam lá o Tim, o Jorge Ben Jor, Erasmo Carlos, e outros. E o Tim disse que queria conhecer Santos. E eu o trouxe. Eu e os meninos do Blow Up o levamos para passear. Fomos em uma domingueira, e o Tim até cantou umas músicas em inglês, do Four Tops, depois fomos em um aniversário". E esse aniversário rendeu uma história curiosa: "Em um momento, o Tim perguntou ao dono da festa se podia fumar, e foi até a janela. Só que acendeu um baseado (cigarro de maconha) e o cheiro veio pra dentro do apartamento, e o pai do menino botou a gente pra correr de lá. Foi tudo no mesmo dia", conta, aos risos. Tim conselheiro Reconhecendo o talendo de Zé Geraldo, Tim resolveu dar uns 'toques': "Ele me dizia sempre 'ZéGê, vai cantar nos bailes pra você aprender', porque eu ainda era muito primário. Cantei por nove anos em bailes. E foi o que me formatou no que sou. O rock, blues, folk music, essa fusão que se toca na noite misturada com a música simples minha lá da roça". Aniversário Zé Geraldo completa os 80 anos de idade em dezembro, com um show em SP, dias 8 e 9, e no fim de semana seguinte comemora na cidade natal, com um show aberto beneficente e missa. Show em Santos Sobre apresentações na cidade que lhe rendeu tantas histórias e lembranças, Zé Geraldo é categórico: "Quero muito ver se faço um show em Santos, e quem sabe até reencontro alguns dos meus amigos e tocamos juntos. Queria muito reencontrá-los", finaliza.