[[legacy_image_223936]] Ancestralidade e poesia em forma de música. É assim que o cantor e compositor indígena de 25 anos Weslley Amaral, mais conhecido como Wescritor, apresenta o álbum LADO 13 – número que remete ao DDD da Baixada Santista –, seu mais novo trabalho. Nascido e criado em São Vicente, Wescritor começa LADO 13 com a ideia de mostrar o seu lado caiçara através da representação da força indígena, da força do ritmo, da poesia crua e do amor. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O álbum todo é voltado para a Baixada e suas origens. Lançado em agosto, reúne mais de 20 artistas da região e já conta com mais de 30 mil reproduções só no Spotify. “Para mim, isso foi uma surpresa”, admite Wescritor. Ele diz que alcançar esse número em menos de três meses é muito gratificante. “Felicidade imensa estar ali no meio de vários artistas que acompanho e escuto”, conta ao explicar que uma de suas músicas entrou na playlist oficial do Spotify Rima Avançada. Wescritor é indígena e traz no álbum a presença e a cultura dos povos originários que vivem na região. “O trabalho reforça a possibilidade de produzir arte independente da sua cor, raça, etnia, gênero e condição financeira. É força para nossa existência e também resistência de nossa arte com traços únicos”, esclarece. “Meu avô é ancião da Aldeia Itapuã, do povo tupinambá de Olivença, na Bahia. E há uns cinco anos olhei para a minha ancestralidade, pro meu processo de retomada indígena, ao qual pertenço e, desde então, isso reverbera nas minhas músicas”, explica o artista, que atualmente mora em Santos. “Nas músicas, falo sobre mim, sobre o que vejo, sobre o que sinto. Minha origem tupinambá vai estar até o fim em toda expressão artística que pôr para fora”. TupinambáRecentemente, Weslley lançou o clipe da música Tupinambá na Baixada Santista, dirigido por ele e produzido pela HK.REC, presente no álbum LADO 13. Ele diz que a faixa começou como um pedido de socorro, até ele botar para fora essa agonia, essa angústia. “Ela é muito sobre mim mesmo”, explica. “Fala sobre essa resistência de estar aqui sozinho na Cidade, de não estar junto com seu povo e de também ver o pessoal da região não olhando para essa questão”. Para ele, o papel dessa música, além de colocar suas opiniões pessoais, é causar um certo incômodo, uma tensão, para que as pessoas comecem a olhar cada vez mais para os povos indígenas. Por isso, o coral do povo Guarani Mbya da aldeia Paranapuã e o artista Kuaray da aldeia Tabaçu Reko Ypy fazem parte do clipe. “Eu queria a presença deles, dos originários daqui, os que resistem e habitam aqui na Baixada Santista”. InfluênciasAssim como para a maioria dos músicos da região, uma das grandes influências de Wescritor é o Charlie Brown Jr. “É a minha maior, escuto desde criança”. Racionais, Felipe Boladão e Emicida também entram na lista de artistas que impactam diretamente na sua escrita. LADO 13 começou a ser idealizado há quatro anos, com o início das composições em 2019. Desde então, muitas ideias floresceram e, de acordo com Weslley, a parte mais desafiadora foi consolidar todas elas. “Tanto de letra quanto de beat e reunir a galera para fazer acontecer. Alguns fluíram, mas algumas foram um processo mais difícil. Esse foi o maior processo que eu passei até agora, por isso foi bastante desafiador concretizar aquilo que já tinha ideia”. Representatividade“É muito importante termos cada vez mais indígenas no meio musical”, acredita Wescritor. Ele diz que é por isso que trabalha com música, por ela ser uma ferramenta para que instrua e passe adiante o que se acredita sobre vida. “Eu acredito na visão dos povos originários. Eu sinto, eu vivo e eu luto por essa visão”.