[[legacy_image_64317]] A pandemia transformou a forma como as relações se dão. E isso passa também pelo olhar e como moradores conversam com suas cidades. Muito antes disto, em 2018, o santista Caio Esteves começou a escrever Cidade Antifrágil, que ele lança agora pela Realejo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O livro é baseado em extensa pesquisa dele sobre o assunto, e é inspirado num conceito desenvolvido por Nassim Taleb, um autor, ensaísta, estatístico e analista de riscos líbano-americano. Taleb escreveu o best-seller Antifragilidade, que seria algo além da resiliência. É o crescimento e fortalecimento através dos erros. É o conceito de se beneficiar do inesperado e, segundo explica, se diferencia da resiliência porque você não empreende a mesma força para passar pelas situações. Você se desenvolve através delas. Especialista em planejamento de espaços públicos, Esteves explica que o conceito da cidade antifrágil está apoiada em três pilares: fragilidade, resiliência e, finalmente, a antifragilidade. “A fragilidade é o que nos torna vulnerável. A resiliência é aquela volta ao normal, a recuperação. O antifrágil consegue se beneficiar e aprender com grandes eventos”. Segundo o autor, a fragilidade pode ser comparada ao mito da espada de Dâmocles. Na história, ele troca de lugar com Dionísio, que controla uma cidade muito rica, para aproveitar tudo que podia. Sua alegria termina quando ele vê uma espada apontada em sua direção. A ideia é a percepção de que tudo parece sólido, mas pode acabar. “A resiliência é traçada por um paralelo com a Fênix, que, ao morrer, renasce das cinzas exatamente como era. A antifragilidade é comparada ao mito grego da Hidra de Lerna. Quando uma cabeça é cortada, duas novas nasciam no lugar”, explica. O convite de Esteves é para se refletir sobre essa preparação. E calhou de vir justamente na pandemia, onde toda a população teve que se adaptar. Muitas cidades frágeis podem ter morrido e outras tentarão renascer como Fênix, mas quantas, efetivamente, poderiam aprender com este grande evento e voltarem mais fortes? “É sobre o que eu deveria fazer para que as cidades não só sobrevivam às grandes crises, mas consigam se reorganizar, aprender e evoluir depois”. Onze dimensões A partir disto, no livro, ele divide o assunto em 11 dimensões, que considera compor uma cidade antifrágil. Para cada uma delas, há uma recomendação específica. “Eu ressalto a importância da microescala, da vitalidade comunitária e o reaparecimento de um novo globalismo, as novas pequenas esferas de poder e esticar a corda para o comércio local. Mas falo sobre toda uma relação de sociedade”, emenda. No artigo publicou no jornal O Estado de S. Paulo, no último dia 13, ele reforça que “o mais importante é entendermos que, embora a tecnologia esteja presente de forma indiscutível e essencial, a cidade antifrágil ainda gira em torno das pessoas, da comunidade, de forma transparente e coletiva, afinal, repetindo o mantra que levo tatuado no braço esquerdo: 'O que é a cidade senão as pessoas?'". Santista de nascimento, mas morando em São Paulo, Caio Esteves criou, em 2015, a Place For Us, a primeira consultoria especializada em Place Branding do Brasil que, em 2020, se juntou à Bloom Consulting. É também autor do livro Place Branding e co-autor da versão brasileira do livro Imaginative Communities.