[[legacy_image_106095]] Um jovem que se apaixonou pela literatura, mas, após a morte trágica de familiares que o apresentaram ao lado artístico da vida, voltou-se contra esse universo. Em seu íntimo, ele nunca deixou de ler e escrever, mas guardou tudo para si por cerca de 20 anos. Agora, porém, ele enfrentou seu passado e em menos de dois anos lançou quatro livros, se destacando internacionalmente como autor. Este é Alexandre Gossn, agora com 42 anos, nascido na Capital, mas guarujaense de coração. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Mestre em Direito Ambiental, pesquisador, urbanista e advogado, Gossn lançou Liberdade, metamoralidade & progressofobia, fruto de seu mestrado, Cidadelas & Muros, Fascismo Pandêmico e Chapados de Cloroquina. Os três últimos foram escritos durante a pandemia, carregados de críticas e reflexões de como a sociedade tem lidado com o meio social e ambiental. “Acredito ser muito difícil produzir algo que não tenha alguma visão política, porque todos nós temos. Somos 7 bilhões de observadores, cada um com suas visões e inclinações”. Os livros Cidadelas & Muros e Fascismo Pandê-mico estão disputando o prêmio Jabuti, a premiação mais tradicional de literatura do País. Na Bienal do Livro do Rio, Chapados de Cloroquina foi eleito destaque do mês de agosto por leitores. Na de SP, Fascismo Pandêmico também foi destaque. Além disso, esses três livros ficaram dentre os mais vendidos em plataformas digitais. “Tudo aconteceu muito rápido. Eu não esperava”, diz, esboçando uma risada envergonhada. Repercussão O Fascismo Pandêmico - Como uma Ideologia de ódio Viraliza?: um Breve Ensaio Sobre a Alma Fascistoide foi o livro com maior repercussão internacional. Além da versão física no País, foram disponibilizadas versões no formato e-book em inglês e em espanhol. “Em três semanas, esteve entre os 15 mais vendidos na Espanha, Canadá e Estados Unidos, em Política e Atualidades”, diz. O autor explica que já tinha vontade de escrever sobre a história de ideologias políticas, mas que, com a pandemia e a conjuntura sociopolítica atual, sentiu a urgência de falar sobre a história do fascismo. “Foi um livro que me tirou dentro da bolha brasileira e me fez perceber de perto que esse fenômeno de radicalismo, totalitarismo e intolerância é mundial”. Ataques Gossn alega ter sofrido muitos ataques por conta do Fascismo Pandêmico, mas que o teor das agressões virtuais variou muito pelos países. “No Brasil eu fui chamado de petralha, comunista, gay... Mas lá fora foi muito pior. No Canadá pegaram meu sobrenome e me chamavam de ‘judeu que deveria voltar para a câmera de gás’. Em Portugal me desafiaram para debates para provar que o fascismo era ruim”, afirma ele, que vê tudo isso muito brutal. No Chapados de Cloroquina - a Morte da Empatia, seu último lançamento, ele explora essa questão com outro viés, dando enfoque em como as pessoas são capazes de fingirem que algo não aconteceu para não lidarem com a culpa. “Eu precisava documentar tudo isso”.