[[legacy_image_127415]] Anna Paula Alonso é a melhor definição do que é ser artista. Com muito amor pelo que faz, a atriz, cantora, produtora cultural e musicista aproveitou experiências diversas e segue se aventurando em novos formatos. Formou-se em cinema, fez teatro, musicais, podcasts, cantou em cruzeiros, produziu comerciais e vídeos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Agora, embarcou no romance Who We Are, web-série produzida pela CineTribe que estreou sua primeira temporada no YouTube. A produção digital, totalmente independente, encantou o público com seu olhar sensível sobre romances LGBTQIA+. O sucesso foi tanto, que a produção recebeu nove indicações no Rio Web Festival 2021, evento internacional que premia as melhores produções da internet no domingo. Entre as indicações, Anna se destaca na categoria Melhor Atriz Dramática, onde concorre com artistas como Vera Fischer. Em entrevista exclusiva, a atriz santista de 32 anos comenta sua trajetória, desafios da pandemia e a energia que investiu para criar a Mia, sua personagem em Who We Are. Como sua história na arte começou? Eu tinha nove anos. Ficava muito tempo em casa e minha mãe falou pra eu escolher alguns cursos no Teatro Municipal de Santos, que eram gratuitos, para ocupar as minhas tardes. Escolhi teatro, balé e violão. Abandonei os dois últimos e fiquei só no teatro (risos). Fiz sete anos no teatro amador de Santos, devo minha paixão pelo teatro à turma que tive. Entrei na minha primeira peça profissional em 2006, no terceiro ano do colegial. Quando chegou a hora de fazer faculdade, não queria fazer teatro porque eu já tinha DRT. Tentei fazer Pedagogia, mas absolutamente não deu certo (risos). Quando terminei a faculdade, fui convidada pra fazer o espetáculo Simplesmente Cinderela, com direção do Eduardo Martini, e foi quando tive a retomada. Depois, entrei na Cia Black and Red e emendei três espetáculos como protagonista: Alice no País das Maravilhas, A Bela e a Fera e O Natal Mágico. E onde entrou a música? Sempre agreguei a música ao teatro. Eu fui chamada pra fazer uma audição e nem sabia para o que era, pensei que era um evento. Só depois descobri que era pra cruzeiro! (risos) Me perguntaram ‘você pode embarcar?’, e eu fiquei ‘embarcar onde? Não tem como’ (risos). Na época, estava em dois espetáculos, Chico Xavier e A Bela e a Fera, rodando o Brasil no fim de semana, em cartaz em São Paulo durante a semana e trabalhando como produtora comercial de um canal do YouTube, o De Relacionamentos. Era a primeira vez em 20 anos de carreira que eu tinha uma coisa chamada estabilidade financeira (risos). Aí eu larguei tudo, pedi demissão dos três e embarquei no cruzeiro. Fiquei sete meses. Fiz temporada na Grécia, Dubai, e foi a maior experiência musical da minha vida. Foi bem na época da pandemia, eu cheguei no Porto no dia do lockdown, 16 de março. Agora entrei numa banda de baile, os eventos começaram a voltar, está tudo caminhando. Como você enfrentou o período de pandemia? Eu trabalho com várias coisas, mas todas dentro da arte. Tudo que eu trabalhava parou, então fiquei um ano e meio nesse limbo. Me coloquei em projetos independentes pra trabalhar a mente, não ficar parada; então fiz vídeos na internet, muitos políticos. Me interessa muito, acho que arte e política são intrínsecas. Criei um podcast, As Monas Lisas, com dois amigos, e a gente começou a trabalhar com vários temas sociais tratados de forma leve. Acho que o humor alcança mais gente do que o dedo na cara. Nesse momento, chegou a Who We Are. Você já tinha feito uma web série? Como foi esse processo? Acredito muito em energias e a gente se deu muito bem. Virtualmente, a relação com a equipe foi sendo criada ao longo do tempo. Eu não conhecia o diretor, foi um tiro no escuro. Fizemos uma reunião on-line, eu estava em Santos, e foi um processo muito fluído. Eles investiram tudo do bolso, o projeto é completamente independente, e deu super certo. O primeiro vídeo bateu 500 mil visualizações. Você tem uma cena bem importante que fala sobre assédio. Foi difícil gravá-la? O que você sentiu? Quando a gente começou a fazer a série, eu não sabia o que ia acontecer com a personagem no final. É muito abrangente o leque de coisas que temos que falar. Quando recebi a cena, o personagem que me assedia era de um ator com quem eu já tinha trabalhado em outro espetáculo. Foi uma cena muito forte, pesada, porque a gente se puxou demais. Foi gravada diferente, com câmera solta, pra mostrar a instabilidade do que vai acontecer. A gente fez essa cena quatro vezes. Na terceira, o diretor achou que estava bom, mas nos olhamos e falamos ‘não é isso ainda’. Fomos muito fundo mesmo. Acho que a cena só aconteceu porque eu tinha muita confiança nele. Infelizmente, é uma realidade que muitas mulheres enfrentam, especialmente no ambiente profissional. Sim. Tem pessoas que já passaram por situações muito profundas dentro de casa, outras que enfrentam o assédio na rua, mas, infelizmente, no ambiente de trabalho é muito normal. Isso acontece o tempo inteiro, na piadinha, no ‘hahaha’, na olhadinha... O que a indicação de melhor atriz de drama representa pra você? Eu fiquei muito surpresa, muito feliz! Tô concorrendo com uma galera muito boa, tem até a Vera Fischer lá! Já é uma grande vitória. A gente conseguiu se superar. Tanta coisa ruim, e a gente conseguiu falar sobre uma coisa na qual a gente acredita muito. O que eu mais espero é que as marcas vejam o nosso trabalho, que a gente consiga ter incentivo financeiro pra conseguir desenvolver uma segunda temporada. Além da série, o que mais está por vir? Tenho vontade de fazer coisas que ainda não fiz. Nunca fiz novelas, séries, filmes para plataformas de streaming. Estou muito encaminhada pro audiovisual e quero testar coisas novas. O sonho da minha vida é fazer uma protagonista feminina original de uma mulher real, forte; um dia ela virá, seja por outra pessoa ou por mim, que eu escreva.