[[legacy_image_287478]] Por sua trajetória de 50 anos atuando no teatro, TV e cinema, a premiada atriz Imara Reis recebeu o título de doutora honoris causa da Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente, Imara, vive em São Vicente. Na sua carreira, a primeira vez que protagonizou um longa-metragem foi em Santos, na obra Flor do Desejo (1983), do diretor Guilherme de Almeida Prado, dando vida à personagem Sabrina. Natural do Rio de Janeiro e formada em Letras pela UFF, onde também criou o Grupo Laboratório, Imara Reis é vencedora de inúmeros prêmios do cinema e da dramaturgia. Entre eles, tem três Kikito, prestigiada premiação do Festival de Cinema de Gramado, e três troféus Candango do Festival de Cinema de Brasília. Ela estreou na televisão na novela Dinheiro Vivo (1978), da TV Tupi. No filme Minha Vida em Suas Mãos (2001), do cineasta José Antônio Garcia, interpretou a personagem Flor. “Era a única personagem que não tinha nenhum conflito. Em geral, a gente prefere personagens que tenham conflito, mas esse não tinha e foi uma delícia de fazer”. Hoje, aos 75 anos, ela analisa que, nas últimas décadas, há mais atores do que quando iniciou a carreira. “Atualmente, o Brasil tem uma quantidade enorme de atores. Sobretudo, por exemplo, no teatro musical. Um pessoal extremamente qualificado, extremamente treinado, pessoas que se dedicam muito ao trabalho”. No entanto, para ela, embora o número de profissionais tenha aumentado, não significa que a profissão seja vista com seriedade. “Não existe o ator visto como trabalhador. Na maioria das vezes, a gente é visto como empresa. Empreendedor de si mesmo. O que é muito complicado, a gente não é só, exatamente, empreendedor de si mesmo, como às vezes depende de uma série de fatores para exercer a profissão. Depende de um coletivo. Depende às vezes de um investidor, de uma pessoa que acredite no seu projeto, de um edital, de patrocinador e de apoiadores”. Dificuldades Aos interessados em atuar, a atriz ressalta que o importante é ser apaixonado pelo ofício e entender que assim como em outras profissões, há dificuldades. “Se for daquelas paixões incontroláveis, que realmente você se dispõe a entrar com todo o teu amor, com todo o teu desejo de estar ali e de fazer um trabalho profundo... É uma profissão não tão generosa assim em alguns aspectos, mas generosa em outros e que conta com inúmeras dificuldades”. Ela complementa que não se deve contar com a fama e celebração, pois nisso não há sustentação, e que o trabalho do ator é se dedicar e observar a vida. “Nunca contar com a celebração e com a fama. Com querer ser celebridade na verdade, isso não sustenta, né? Trabalhar muito, estudar muito, ler livros e observar o mundo, observar a vida, observar as pessoas porque tudo que diz respeito ao ser humano e a vida diz respeito ao trabalho do ator”.