Mariana Giannotti é, junto com outros atores, ensemble da produção (Divulgação) A atriz santista Mariana Giannotti integra o elenco da adaptação oficial brasileira de “Wicked,” um dos musicais de maior repercussão internacional. Em sua primeira experiência em um espetáculo desse porte, ela celebra a oportunidade. “Eu tenho muito orgulho de fazer parte. Estou muito feliz mesmo com o resultado que a gente conseguiu trazer.” Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mariana é, junto com outros atores, ensemble da produção - conjunto de coros da produção, não possuindo personagem específica. Natural de Santos, ela relembra o momento da aprovação. “Quando eu recebi a ligação que tinha passado, eu estava no hospital completamente sem voz! Depois da semana de audições, fui para o Nordeste para fazer 6 shows com a empresa que eu trabalhava antes, então na volta fui correndo para o hospital. Nessa correria o dono da produtora me liga para dizer que eu passei. Foi uma loucura!”. A relação com o teatro musical começa ainda na infância, como espectadora. Depois de se formar em Administração em Barcelona, Mariana retorna ao Brasil e decide seguir na área artística. “Eu comecei fazendo cursos pequenos, sem muita pretensão de chegar em um grande musical. Foram realmente pequenos passos”, diz. Sua formação como profissional se consolida na escola de teatro musical Voz em Cena. “É muita instabilidade, é muita incerteza, é muito preconceito de pessoas de fora que não entendem realmente o trabalho que tem por trás, a seriedade que a gente leva ao nosso trabalho. É muito difícil, além de tudo, se inserir nesse meio de forma independente”, reflete ao falar sobre sua inserção no mercado musical após adquirir o DRT (sigla para o registro profissional concedido pela Delegacia Regional do Trabalho). A experiência de estar no palco reforça, para ela, a diferença entre o teatro e outras mídias. “A experiência de viver essa história e outras histórias no teatro é muito diferente. O que se faz, o que se sente no teatro, você nunca vai conseguir captar no filme, porque o teatro é muito vivo”, afirma. A experiência de estar no palco reforça, para ela, a diferença entre o teatro e outras mídias (Divulgação) Sobre o impacto de “Wicked”, Mariana destaca o alcance da obra. “É um musical muito potente, que tem uma força e uma importância cultural no mundo que nenhum outro musical moderno tem.” Inspirado no romance de Gregory Maguire, “Wicked” revisita a história das bruxas de Oz antes da chegada de Dorothy. A trama acompanha Elphaba e Glinda, revelando os acontecimentos que antecedem a clássica narrativa de O Mágico de Oz. Recentemente, o musical ganhou ainda mais projeção com o lançamento do filme indicado ao Oscar e protagonizado por Ariana Grande e Cynthia Erivo. No Brasil, o espetáculo já passou por outras temporadas. Em 2016, no Teatro Renault, foi assistido por mais de 340 mil pessoas. Em 2023, a montagem no Teatro Santander registrou a maior bilheteria da história do teatro, com mais de 156 mil espectadores em cinco meses de sessões esgotadas, segundo dados do Ticket For Fun. Segundo ela, parte do sucesso da obra está no trabalho do compositor Stephen Schwartz, em que aponta ter conseguido equilibrar elementos do pop com a estrutura do teatro musical. “É um musical que conversa muito não só com o público de teatro musical, mas com o público de fora que não consome muito.” Relação de Mariana com o teatro musical começou ainda na infância, como espectadora (Arquivo pessoal) “Wicked” é um espetáculo de “uma magnitude muito grande”, afirma a santista, o que para ela justifica o nível de precisão em cada detalhe empregado pelo diretor Ronny Dutra em toda a produção criativa. “Ele tem uma visão muito rica e muito respeitosa da obra original, trazendo muitas referências, não só do musical oficial da Broadway, como do livro do Gregory Maguire.” O compositor Stephen Schwartz já assistiu à montagem e, segundo a atriz, “amou a nossa nova versão”. A ligação com Santos segue presente, ainda que morando em São Paulo em razão da carreira. Com seus familiares morando na cidade e constantes visitas, Santos significa, para ela, uma de suas principais influências na carreira. A atriz cita Plínio Marcos, dramaturgo, escritor, ator e jornalista santista, como um dos principais nomes da cultura nacional ao alegar que não poderia deixar de tê-lo como importante norte. “Acho importante exaltarmos Plínio Marcos. Ele é um dos maiores dramaturgos que temos de teatro no Brasil”, afirma. “Plínio escreveu sobre pessoas que não se escrevia. Sobre pessoas marginalizadas, numa época que isso não era comum, fazendo isso com pureza e, ao mesmo tempo, mostrando a verdade crua do mundo. Ele precisa ser referência de todo mundo que quer começar nisso”. A ligação de Mariana com Santos segue presente, ainda que morando em São Paulo em razão da carreira (Arquivo pessoal) Mariana, porém, reconhece que há problemas na estrutura proporcionada aos artistas locais. “Em Santos realmente é muito difícil se ver peças sendo divulgadas. Eu sei que o cenário de Santos existe, mas ele é muito pouco divulgado, pouco incentivado”, lamenta. “Acredito isso também é um retrato do nosso país como um todo. De como o teatro – e a arte em geral – é desvalorizado. Vemos o Teatro Guarani, por exemplo, lutando para sobreviver e eu sinto que isso vem das pessoas não enxergarem o teatro como uma possibilidade”. Mariana Giannotti adota uma postura cautelosa sobre seu lugar no cenário, ainda que reconheça ter alcançado um lugar almejado dentro de sua profissão. “Eu ainda me sinto uma gotinha nesse oceano, apesar de muito honrada por ter conseguido chegar em um dos meus objetivos”. Para a santista, o importante, agora, é valorizar quem veio antes. “Eu me sinto feliz, mas sinto que antes de mais nada é muito importante celebrar os outros artistas que vieram antes de mim. Eu acho que eu acabei de chegar.” A temporada de “Wicked” está em cartaz até o dia 08 de junho de 2025 no Teatro Renault, em São Paulo. ““Está tudo muito magnífico, muito grande, e eu acho o público vai assistir a um espetáculo muito bonito e muito mágico”, encerra a atriz. *Reportagem feita como parte do Projeto Laboratório de Notícias A Tribuna – Unisantos, sob supervisão da professora Lidiane Diniz e do diretor de conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes