[[legacy_image_76522]] Nunca se falou tão abertamente sobre ansiedade, depressão e saúde mental como nos últimos anos. Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) constatava que o Brasil sofria uma epidemia de ansiedade, considerando que 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população na época) conviviam com o transtorno. Para esclarecer sobre um tema tão presente em nossas vidas, o ator e produtor cultural santista Luiz Fernando Almeida compartilha sua experiência pessoal com a ansiedade e formas de enfrentamento à ela na obra Não Deixe a Ansiedade Destruir Sua Vida. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Ele descobriu o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) em 2017. “Na época, eu estava numa fase profissional e pessoal excelentes e não tinha nenhuma informação sobre o assunto. As pessoas diziam que eu era muito agitado e eu achava que eu era assim naturalmente. Após uma crise de depressão, procurei um psiquiatra”. Após um ano, adotou medicação e resolveu entrar na terapia, que o ajudou a entender como lidar com a mente ansiosa. “Eu sempre vivi rodeado de pessoas e de repente, eu não saía mais de casa. Passei a sentir ansiedade social e a ter dificuldade de me relacionar com as pessoas. Isso começou a me atrapalhar emocionalmente e a respingar na vida profissional. Entender as razões que me levavam a sentir estas emoções foi um mergulho profundo dentro de mim”, revela o autor. Esse processo de autoconhecimento mudou sua visão de mundo. “Precisei me olhar com muito amor e paciência pra admitir que não preciso ser forte o tempo todo, e sobretudo, que fugir do problema não resolveria”, desabafa. As 7 manifestações da ansiedade No livro, Luiz esclarece o público sobre sete manifestações possíveis da ansiedade: pensamentos excessivos e obsessivos; falta de autoconfiança e medo de julgamento; fobias e traumas; ansiedade no local de trabalho; ansiedade social; transtorno alimentar; insônia. Além de viver alguns desses sintomas, Luiz também presenciou crises de pânico. “Estou bem hoje em dia. Após esses anos, consigo me perceber melhor e identificar quando estou ficando ansioso. A ansiedade social é a que tenho que lidar com mais atenção entre essas sete”. A dificuldade em se relacionar com as pessoas pode ser um sinal de alerta. Outros potenciais gatilhos, segundo o autor, são o sentimento de culpa, a necessidade de estar sempre certo, o excesso de apego e procrastinação. “São hábitos que parecem naturais, mas podem estar relacionados a ansiedade. Eu não sou médico, não posso diagnosticar ninguém, falo sempre a partir da minha vivência diária. Procurar ajuda com um profissional (psicólogo/psiquiatra) é essencial". Para quem é próximo de alguém ansioso, o ideal é esclarecer com a pessoa as melhores formas para se acalmar em crises. Estabilizar a respiração, conversar e acolher são pontos fundamentais, mas como o autor sempre ressalta, “procurar um profissional é a única forma de ajudar de fato”. Ansiedade na pandemia O cenário pandêmico agravou muitos casos de ansiedade e depressão. Segundo pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) nos meses de maio, junho e julho deste ano, 80% da população brasileira tornou-se mais ansiosa durante a pandemia do novo coronavírus. A pesquisa, que ouviu 1.996 pessoas maiores de 18 anos, traz um panorama alarmante sobre o agravamento de sintomas de estresse, ansiedade e depressão. Curiosamente, para Luiz Fernando, aconteceu o inverso: ele percebeu melhoras em seu quadro de depressão durante o período. “Graças ao acompanhamento médico (psicólogo), eu lidei muito bem com este período de isolamento. Eu fiquei muito produtivo, tive coragem para retomar projetos engavetados, escrevi livros, produzi eventos online, fiz cursos em áreas que nunca tinha atuado e até tive experiência profissional em outra área”. Carreira artística Com 25 anos de carreira no teatro e 10 anos em cartaz com o monólogo Dama da Noite, Luiz Fernando reflete sobre os impactos da carreira em sua ansiedade. “Reza a lenda que os grandes atores têm transtornos de personalidade. Acho que os artistas talvez fiquem mais vulneráveis porque são pessoas que pensam fora da caixa e lidam com uma dinâmica profissional que vai destruindo sua autoestima. Se você não tiver uma saúde mental em dia, pode deprimir e desenvolver alguns transtornos”. Claramente essas doenças e demais problemas de saúde mental não são mérito único da classe artística. Pelo contrário, são comuns a toda a sociedade. “De fato, o nosso ofício nos deixa vulneráveis o tempo todo. Uma carreira inteira sendo rejeitada em testes vai minando sua autoestima gradativamente. É preciso muita saúde mental para se manter firme. As pessoas gostam de glamourizar nosso ofício, mas não entendem que a caminhada não é nada fácil”, reflete Luiz. Um ponto positivo, segundo Luiz, é que no meio artístico esses assuntos não são tabu. “De certa maneira, acaba sendo um ambiente onde as pessoas estão mais atentas a estes sinais”. O ebook Não Deixe a Ansiedade Destruir Sua Vida já está disponível na Amazon por RS 10,00.