[[legacy_image_258658]] Natural de Santos, o ator Nalin Junior, de 37 anos, reforça o elenco de O Guarda-Costas - O Musical, inspirado no filme homônimo estrelado por Whitney Huston e Kevin Costner em 1992, no cinema. O espetáculo, em cartaz no Teatro Claro SP, na Capital, estreou no último dia 16 de março e pode ser visto até o dia 14 de maio. Para o artista, que fará aniversário no dia 13 de maio, atuar nessa montagem é uma realização pessoal. O musical tem direção de Ricardo Marques (Grease – O Musical) e direção associada de Igor Pushinov. Na hora do show, Nalin entra em cena como Tony, que era o chefe da segurança da cantora Rachel Marron (Leilah Moreno) antes da chegada do guarda-costas Frank Farmer (Fabrizio Gorziza). Em entrevista para A Tribuna, ele falou sobre o espetáculo, sua carreira e o mercado de trabalho. Além de ator, Nalin é diretor teatral, preparador de elenco e dublador. Segundo ele, versatilidade e muito estudo são fundamentais para construir e manter uma carreira artística bem-sucedida. Você interpreta o Tony no show? Fale um pouco sobre o seu personagem. O Tony é o típico bonachão, ele faz de tudo pela Rachel (Marron) para que ela se sinta bem e tenha tudo o que precisa. Por trabalhar há muito tempo para ela, se sente parte da família. Eu me sinto honrado e grato por poder fazer parte de um projeto tão incrível e emocionante, com uma equipe sensacional, criativa e talentosa ao extremo. Conviver com esse elenco por dois meses, todos os dias, é incrivelmente divertido. Você soma 20 anos de carreira e, só no teatro, já participou de 50 peças. Quais espetáculos mais o marcaram? Dois projetos marcaram muito a minha trajetória. A peça musical O Rei e a Coroa Enfeitiçada, dirigido por Débora Falabella e Cynthia Falabella, foi um passo muito importante na minha carreira. Outro que me marcou é o musical Madagascar, no qual eu fazia o papel do Maurice. Você iniciou sua carreira artística em Santos? Sim. Iniciei na dança em Santos, onde nasci. Posteriormente, enveredei minha trajetória para o teatro. Em 2007, eu me mudei para São Paulo para cursar Artes Cênicas na Faculdade Paulista de Artes. Eu participei de musicais como Rent, Godspell, Chicago e Cabaret. Na TV, atuei na novela Uma Rosa com Amor, do SBT, e, no cinema, no longa-metragem O Filme dos Espíritos. Além de ator, você também é diretor teatral, correto? Eu também sou preparador de elenco e coaching de interpretação para câmera, teatro e teatro musical. Dirigi mais de 15 espetáculos, entre eles os infantis Lisbela e o Prisioneiro, O Mágico de Oz e A Bruxinha que Era Boa, além dos musicais Mamma Mia!, A Bela e a Fera, Shrek, O Musical, Hamilton entre outros. Quando a dublagem entrou na sua vida? Em 2017. A dublagem se tornou uma das minhas maiores paixões. Dublei para os seriados Sillicon Valley, Death in Paradise e Game Of Thrones. Como é o mercado para os atores no Brasil? No geral, ser ator abre milhões de possibilidades de trabalho dentro da arte. Dependendo do caminho que você escolhe, tem mais ou menos trabalhos. Eu, hoje, trabalho mais com teatro musical, dublagem e teatro de prosa. É possível ter estabilidade na profissão? Infelizmente, nessa profissão, a estabilidade não é nada concreta. Somos contratados por projetos, quando ele acaba, estamos novamente sem trabalho. E o próximo nunca é certo no teatro musical. Para poder trabalhar, temos que fazer audições (testes) de canto, dança e interpretação, além de estar dentro do perfil do personagem buscado. Se você passar, aí sim, tem um contrato de trabalho, de quatro ou cinco meses, em média. Caso não passe, tem que continuar estudando e praticando para fazer a próxima audição. No teatro de prosa, é difícil ter testes, funciona mais com convites mesmo, que também não é nada certo. Por isso, hoje, no Brasil, a maioria dos artistas está começando a produzir os próprios projetos para se manter em movimento, que continua difícil por falta de apoio de empresas ou do governo. Outros fazem milhares de outros trabalhos para complementar a renda ou até têm empregos fixos e fazem arte em paralelo, porque é bem difícil viver só de arte por aqui. E os ganhos? São bons? A arte é bem pouco valorizada no Brasil. Ser artista, aqui, infelizmente, não traz um retorno financeiro muito bom, não. Algumas áreas ainda pagam um pouco melhor, como no teatro musical e na dublagem, mas nada que me faça dizer que se ganha bem. É possível se manter razoavelmente, sem muito luxo, com comida na mesa e moradia. Como está sendo com a pandemia? Para os artistas, a pandemia veio como uma bomba, por dependemos de trabalhos para sobreviver. Tenho muitos amigos que voltaram para as suas cidades de origem, para diminuir gastos, ou dividiram apartamento para se manter. Isso foi um grande baque na nossa profissão, foi bem difícil. Agora, devagar, estamos voltando a nos estabilizar, porque com a pausa de quase dois anos, os projetos que foram paralisados em 2020 acabaram vindo todos juntos em 2022 por causa dos prazos de execução. Então, o mercado até que está bem movimentado agora. Como um profissional deve se preparar para manter uma carreira artística bem-sucedida? Em primeiro lugar, nunca pare de estudar, não se acomode, esteja sempre aberto a aprender e, principalmente, a ouvir. Desafie-se sempre, descubra coisas novas a cada passo, seja generoso, cuidadoso e carinho com todos em volta. Crie boas relações sinceras, se preocupe com o outro e seja sempre verdadeiro com você mesmo. Quais são as suas dicas para quem pretende ingressar na profissão? Acredito que, em primeiro lugar, tem que ter muita força de vontade e coragem para viver sempre em uma montanha russa com altos e baixos, mas se mantenha sempre humilde, viva cada experiência na arte com toda intensidade possível, não desperdice tempo com o que não lhe agrega. Ter o privilégio de subir em um palco e se manter lá é para poucos, então, ame cada oportunidade. E nunca se esqueça dos seus mestres ou das pessoas que lhe estenderam a mão. A maior recompensa para um artista é ser lembrado por fazer a diferença na vida de alguém.