[[legacy_image_250043]] As canções têm começo, meio e fim, mas estão para sempre inacabadas. Ao ator e compositor Giacomo Pinotti, sua música está em permanente construção. E o mais inusitado: livremente, por quem desejar construí-la com ele. “Se alguém pegar uma canção minha, mudar a letra, a melodia ou o ritmo, e gravar, vira meu parceiro nos direitos”, garante Giacomo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O ponto de partida é um songbook com 51 canções compostas por Giacomo. No songbook, há a letra, a partitura e um QR Code para ouvir e aprender cada uma das músicas. “Eu quero um livro dinâmico, vivo”, reforça. As canções têm uma particularidade, diria-se, funcional: cada uma foi feita em um ritmo e arranjo pensado para um determinado artista. Giacomo tentou harmonizar o tipo da música ao estilo do cantor. Assim, por exemplo, o blues Amor de Palavras, que tem os versos “Eu não acredito no amor de palavras/Eu não acredito no valor do dinheiro/Eu não acredito nos ‘ais’ dos normais/Que saem nos jornais, sensacionais/Do mundo inteiro/Eu sou brasileiro”, é endereçado por Giacomo a Djavan, Jorge Vercillo, Jão, Pitty e Jota Quest. Ou, ainda, o samba Pessoa, que ele endereça a Diogo Nogueira, Zeca Pagodinho e sambistas em geral: “Você é Pessoa/Eu Sou seu Amigo/Você Ri à Toa/ Quando Eu Te Ligo/Toca o Telefone/Liga o Coração/Vou Chamar seu Nome/Falo Emoção”. Vida artísticaNa tevê e no cinema, novelas como Belíssima, A Próxima Vítima e Malhação, o seriado Coisa Mais Linda e Nada a Perder. No teatro, Vovó-Delícia, Antígona, Macbeth, Amigas para Sempre. Comerciais? Uns 380 – e contando. A carreira de Giacomo é extensa e começou cedo, ainda em Matão, sua cidade natal, no Interior Paulista. “Uma vez, na escola, em vez de recitar um poema, eu cantei. Tinha 8 anos”. Agradou tanto que passou a cantar por toda a escola, em outras ocasiões. Virou estrela mirim e não parou mais. Aos 18 anos, ainda na década de 1980, foi para São Paulo tentar a carreira artística – não só na música, mas sobretudo no teatro, que também já havia entrado na sua vida em sua cidade natal. Nesse meio tempo, o sonho teve que ser adiado. Filho de lavradores, a necessidade de trabalhar para ajudar os pais se impôs. Porém, nunca deixou de sonhar. Também por isso, acabou no Rio de Janeiro, na agência de navegação Aliança – pensando em estar próximo da Rede Globo. O trabalho marítimo seguiu. E foi por meio dele que Santos entraria na sua história. “Me ofereceram dobrar o salário para abrir uma filial da companhia aqui em Santos”. Ele topou, veio, e fincou raízes. Bichinho do teatroUma das primeiras coisas que fez em Santos, em paralelo ao trabalho na companhia, foi procurar se inteirar do movimento teatral e das artes. Conheceu Toninho Dantas, Tanah Correa e Roberto Peres. Fez faculdade de Artes Cênicas. Foi sendo novamente envolvido pelo sonho, até que, em 1990, decidiu dar o passo no escuro: largou a companhia para se dedicar à arte. Deu certo. “Saí em agosto. Em novembro, estava com Antunes Filho, em São Paulo. Me assumi artista, com trinta e poucos anos”. Hoje, está com 65 anos. Em 1993, estreou na montagem de Macbeth, de Shakespeare, de Antunes Filho. No ano seguinte, estava em Ciúmes, dirigido por Marília Pêra. Por essa época, os comerciais surgiram em sua trajetória. E também a Globo. O ator Giacomo Pinotti estava, então, solidificado. Mas o menino que cantava na escola, quando retornou à ribalta? “Comecei a compor nessa época, em hotéis, aeroportos. Eu me desafiei a fazer canções em todos os ritmos”. Nesse aspecto, Poesias Musicadas é um recomeço para Giacomo. “Estou com 65 anos, com essa coragem de fazer, de empreender, dar a cara a tapa. Faço por mim, para inspirar meus filhos, mas se inspirar alguém a não ter medo, acho que estarei realizado. As duas palavras que eu levo em mente são dependência, que eu odeio, e coragem, que eu amo”.