[[legacy_image_137853]] O Brasil se tornou o palco principal do ator Brian Townes, nascido em Nova Orleans, no Missouri, Estados Unidos. No País desde 2010, entre campanhas publicitárias e participações na TV, Brian integrou produções de vulto, como Bacurau (2019) e Mariguella (2019). Agora, ele marca presença em Passaporte para Liberdade (2021), série da Rede Globo em parceria com a Sony Pictures, que conta a história de Aracy de Carvalho, brasileira que salvou a vida de centenas de judeus na Alemanha durante a 2ª Guerra Mundial. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista a A Tribuna, Brian conta sobre o que o trouxe ao Brasil e como é dar vida a roteiros reconhecidos por seu forte cunho social e político. Brian, o que o trouxe ao Brasil? De onde surgiu a paixão pelo País? Vim por conta de um relacionamento romântico. Sempre foi um lugar que eu queria conhecer, mas quando surgiu a oportunidade de vir, foi um salto de fé. No fim das contas, o relacionamento que me trouxe pra cá acabou, mas a carreira, a cultura, a beleza do País, além de um novo relacionamento, forte e verdadeiro, me fizeram permanecer. Como foi sua adaptação com a língua? Você estudava português antes de vir para cá ou aprendeu em meio às produções? Pode contar um pouco sobre essa relação? Não falava nenhuma palavra em português quando cheguei, realmente não tive esperança de trabalhar como ator mais. Português é uma língua linda, mas complicada. Os meus pais foram professores, então pensei em começar uma nova carreira como professor, mas, desde o começo, as oportunidades na área artística começaram aparecer. Tive vários projetos, incluindo filmes e séries, propagandas e roteiros em inglês para o mercado internacional. Assim, foi possível aprender português enquanto eu seguia na carreira. Comparando sua carreira no cinema dos Estados Unidos com as experiências que tem tido no Brasil, quais são as principais diferenças na forma de produzir e atuar que você nota? Em termos de produção, eu acho que os filmes aqui são menos estruturados do que nos Estados Unidos. Lá, tudo está padronizado, regulado, com cada um na sua função, protocolo para tudo. Aqui tem mais um senso de equipe, como um coletivo, com todo mundo disposto a fazer qualquer coisa necessária. Nos termos da atuação, os atores brasileiros têm tendência de abordar o seu trabalho com mais espontaneidade, enquanto atores americanos, em geral, aplicam muito mais técnica, na prática. E o que considera ser similar? Paixão. Quem faz essa vida louca (e muitas vezes, ela é), faz por amor. É simplesmente a única vida para a gente. Brian, Marighella e Bacurau são filmes que carregam forte teor político e social. Antes, nos Estados Unidos, seus trabalhos eram sobre temas similares? Como foi, para você, participar de produções com esse apelo no Brasil? Fiz peças de teatro nos Estados Unidos com tons políticos, mas nada com o impacto que esses dois filmes fizeram aqui. Foi uma honra trabalhar com artistas brasileiros focados em fazer algo com tanta relevância e importância social e cultural, que realmente pensam em arte como serviço ao povo e à cultura. Você poderia falar um pouco dos seus personagens em Marighella e Bacurau? Você aprendeu com eles de alguma forma? Em Marighella, eu interpreto o personagem Wilson Chandler, um representante do governo dos Estados Unidos que está presente no Brasil para apoiar a ditadura e ensinar táticas de ‘interrogação avançada’, ou seja, tortura. O filme foi uma oportunidade de aprender muito mais sobre essa época da História do Brasil, as forças em conflito e as pessoas envolvidas que, até hoje, têm um efeito muito polarizante no País. Com Bacurau, também pude conhecer uma turma de artistas de primeira. No caso do meu personagem, Joshua, é perturbante a falta de empatia total dele para seres humanos de qualquer outra cultura. Já em Passaporte para Liberdade você interpreta o comandante Heinz, um nazista. Como é dar vida a um personagem como esse? De novo, é um desafio do ator para identificar os motivos das personagens. Pessoalmente, não posso entender como qualquer pessoa poderia aliar-se com um movimento assim. Mas, como ator, é necessário fazer isso sem julgamento, para encontrar o ser humano atrás das circunstâncias. Em Passaporte para Liberdade a produção foi feita totalmente em inglês. Como foi a experiência de estar em um produto da Globo, mas em sua língua nativa? Foi ótimo. A Globo é uma emissora top, me senti em casa tanto em frente das câmeras quanto nos bastidores. A maioria da equipe foi bilíngue também. Todo mundo trabalhou de forma bem dinâmica e foi capaz de viabilizar coisas para os estrangeiros que nem falam português. O que o Brasil e suas experiências no País acrescentaram a você nesses mais de 10 anos? Como você encara o audiovisual brasileiro? O Brasil me deu uma vida além dos meus sonhos. Tenho uma vida familiar feliz e saudável e uma carreira que já me proporcionou oportunidades de conhecer muitos artistas e regiões variadas. Recentemente, estou vendo um movimento bem forte para diversificação no audiovisual, e gostaria de fazer parte. Espero que eu possa chegar a ser considerado para personagens em programas populares aqui. Sim, sou gringo, e sempre vou parecer gringo, mas com esse novo apreço pela diversidade brasileira, que inclui muitos imigrantes, por que a gente não pode ter personagens nas telas com sotaques e visuais diferentes? Agora você está gravando Rio Connection, certo? Você pode contar um pouco sobre a história e o seu personagem? O que o público pode esperar? Estou gravando esse projeto, outra parceria da TV Globo com a Sony Pictures. Em breve, poderei contar mais sobre esse novo trabalho, mas posso dizer que o público pode esperar mais uma série incrível. Está realmente linda. Você pensa em voltar para os Estados Unidos? Não posso imaginar deixar a vida aqui no Brasil permanentemente, mas claro que sinto falta do meu país, e sempre estou em busca de construir uma ponte profissional entre os dois mundos. Seria o ideal.