[[legacy_image_294935]] A arte tem caminhos que a própria vida desconhece. Em uma dessas andanças, a próxima parada da santista Erica Gropp será Paris. Mas não qualquer Paris: ela é um dos 14 artistas, de quatro países, convidados para o Salão dos Independentes, da Sociedade de Artistas Independentes, formada na capital francesa, em 1884. A mostra será em fevereiro do ano que vem, no Grand Palais, templo histórico da arte na França (veja ao lado). “Nem sei o que representa o Grand Palais na minha carreira, na minha vida... é uma realização, um momento mágico”, define a artista. O caminho foi pavimentado pela curadora Leda Maria Prado, ligada à galeria Ward Nasse, em Nova Iorque, com quem Erica trabalha desde 2014. Leda foi convidada pela sociedade parisiense e arregimentou os artistas de sua confiança – Erica entre eles. A santista começou a trabalhar com Leda via grupo Show de Bola, também idealizado pela curadora. O primeiro trabalho de Erica no Show de Bola foi no projeto Hexágonos, em que os artistas teciam obras no formato da figura geométrica sugerida pelo nome, em medida predeterminada. As obras individuais eram então acopladas em um hexágono maior – formando uma grande colmeia. “O Hexágono foi um projeto como o Muretas na Cidade, do Mauriomar (artista idealizador)”, compara Erica. A obra da santista que será exposta em Paris deve permanecer em segredo. Mas a julgar por seu estilo e influência, a sua Cidade de nascimento marcará presença na capital francesa. [[legacy_image_294936]] “Quando em minhas obras têm um guarda-sol, estou pensando na nossa praia; quando são os peixes, é a riqueza do nosso mar; e quando há flores e folhagens, me refiro ao jardim da orla. Minha inspiração é Santos”. ConexõesUm artista nunca é uma ilha, crê Erica. As conexões são fundamentais para seguir adiante, desbravar novos outras artes, alcançar novos públicos. Assim foi a chegada ao Grand Palais. “O artista precisa criar. É necessário o apoio. Se voê não tem uma galeria representando, é quase impossível sozinho”. Assim também é a escola do Nano Art Market, uma rede capitaneada por Thomaz Pacheco, da galeria OMA, em São Paulo. O grupo troca ideias e experiências sobre arte e tendências, além de informações sobre mostras e eventos. “Ele (o Thomaz) está participando de uma feira de arte em Pernambuco. Mesmo não estando lá, é possível participar a distância, pelo olhar do grupo”. Arte e vidaPor muitos anos, Erica e os pincéis seguiram caminhos paralelos, chegando a tocar-se em alguns momentos. No final dos anos 1970, por exemplo, o mundo perdeu uma arquiteta e parecia estar ganhando uma artista. Alarme falso. De qualquer forma, o gosto e a facilidade com o desenho levaram Erica ao curso de Arquitetura da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas. “Mas eu ia muito mal em cálculo”. A mãe sugeriu a mudança para o curso de Artes Plásticas. Erica adorou o curso e saiu com o diploma. Mas o casamento e uma mudança de mares, de Santos para o Rio de Janeiro, a afastaram da arte. Anos depois, viúva, com um filho, de volta à cidade natal, começou a dar aulas e a trabalhar com turismo. Retorno da arteO caminho da arte cruzaria de vez com o de Erica em uma esquina tortuosa. Após o diagnóstico de câncer no intestino da mãe, enquanto a acompanhava no tratamento, no Hospital AC Camargo, na Capital, em 2013, com caderno e canetinha, Erica começou a desenhar para lidar com as emoções da incerteza. “Minha mãe é uma pesssoa superpositiva, gosta de se arrumar, sorri. A gente brincava no hospital, era Carnaval, levei confete, serpentina, a gente assistia ao desfile das escolas de samba”, recorda, com carinho. Esses desenhos, mais um curso de coach artístico, a devolveram à sua vocação. Logo, uma mostra no Parque Balneário Shopping com esses desenhos, recheados de uma parte delicada de sua história, lhe abriria portas. O resto é arte. Em tempo: a mãe de Erica superou o câncer e está hoje com esplendorosos 88 anos. O trabalho de Erica pode ser visto no Instagram @ericagropp ou no site www.ericagropp.com.br.