[[legacy_image_119290]] O santista Igor Valeiro Grellet sempre esteve cercado pela influência artística e criativa da própria família. Com parentes nas áreas da Arquitetura e da Publicidade, os estímulos para que ele se desenvolvesse como artista vieram muito cedo. Hoje, aos 28 anos e assinando como Igana, ele já conquistou espaços em Paris, Londres e Amsterdã, além de já ter assinado campanhas de marcas globais como Nike, Swarovski, Heineken, Red Bull e Ambev. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "A minha proximidade com a publicidade me deu suporte para dialogar com o mercado. Fazer contatos me levou a conhecer marcas e o pessoal do marketing, que são setores que querem usar a arte como comunicação. E o grafite nacional está começando a ser muito valorizado", disse em entrevista para A Tribuna. Apesar do sucesso fora do País, Igana tem carinho grande por obras que estão na cidade onde nasceu – que reúne cerca de 50 dos seus trabalhos. À Reportagem, ele afirma que uma das obras de que mais gostou de realizar é a arte localizada em uma das muretas símbolo de Santos, na altura do Canal 6, na orla: a escultura de 1,5m de altura e 1,1m de largura foi coberta com traços abstratos. "A arte sempre foi um hobbie. Eu me comunicava com desenhos, na escola fazia resumos por desenhos", lembra. Procurando um espaço onde pudesse desenvolver mais habilidades, Igana foi fazer faculdade em Campinas. Depois, transferiu o curso para São Paulo. Como a Capital "é uma cidade que respira arte urbana, tive uma ‘chuva’ de referências". A tese de bacharel de Igana foi sobre o mercado de grafite, já antecipando um pouco do rumo que sua carreira tomaria. "Nesse meio tempo, fui trabalhando com design e publicidade. Encontrei, no design, uma técnica que formou quem eu sou hoje. Tanto que meu processo de trabalho é muito digital". Hoje, além do computador, utiliza ferramentas como pincéis, canetas, sprays e tinta. Internacionalmente, artistas como JR, Banksy, Miss Me Art e Claire foxton são as principais influências de Igana. Artistas de Santos, como Edgar Vieira, o Pesado, também estimulam sua criatividade. Fora das artes, a namorada de Igana é considerada pelo artista uma inspiração "que tenho diariamente". Ainda na faculdade, em 2018, Igana se inscreveu, sem pretensão, em uma seletiva para participar do SP-Arte, uma feira internacional de arte moderna e contemporânea. Ao receber a aprovação, percebeu que a carreira como artista poderia acontecer. "Achava que, como não nasci um Picasso, não nasci um Da Vinci, não pensava em trabalhar com arte". [[legacy_image_119291]] Telas 'gigantes'O primeiro mural do artista, feito para uma mostra de arte em Santos, o ajudou a encarar esses trabalhos como uma profissão. Primeira obra marcante em sua carreira, foi "o trabalho que deu um reconhecimento bacana. É uma mídia muito diferente. Me encontrei no muralismo porque é algo que dialoga muito com as pessoas, tem um impacto maior", explica. Outra obra que causa orgulho no jovem é o mural em uma loja na Avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo. "São mais de 200 m2 no entorno mais caro de São Paulo. O peso simbólico disso é grande". Para Igana, finalizar os murais é dar sempre um passo um pouco maior para sair de sua zona de conforto. "A Juscelino Kubitschek é uma avenida que não para nunca. A energia é muito alta. Você fica eufórico, tem que ter atenção no entorno e foco no trabalho ao mesmo tempo", diz. "Mas a parte gostosa é lidar com pessoas. Tem gente que, no começo, confunde com vandalismo. E, conforme vai desenvolvendo o desenho, as pessoas ficam curiosas. Quando dá forma, já começam a parar para elogiar, pedir o seu contato e até dar prospecção de trabalhos novos. O mural é considerado uma aceitação da cidade com a arte". Mesmo apaixonado pelas artes 'gigantes', hoje Igana considera estar numa fase de transição. "É um momento de introspecção do meu trabalho. Apesar de gostar muito do mural, acho é uma fase que não vai durar muito, porque é algo muito físico. A rua tem sempre muitos desafios. Lidamos com andaime, mau tempo, barulho. Já estou treinando em telas menores para, quando ficar velhinho, não precisar do esforço", brinca. Enquanto tem energia de sobra, no entanto, ele revela a vontade de pintar, em Santos, uma empena – laterais de edifícios que viram painéis para os artistas –, e trazer à Cidade grandes festivais que movimentem a cena artística santista. "Quero contribuir com o nascimento de novos artistas. Não necessariamente pintores, grafiteiros. Fotógrafos, poetas,... Todos podem estar na rua. Não importa a técnica. A rua é uma mídia democrática. Minha intenção é presentear Santos, que abriu as portas para mim, mostrar que Santos pode ter projetos autorais. Sou muito grato à Cidade". [[legacy_image_119292]]