[[legacy_image_107918]] Quem entra no ateliê de Eber de Gois, na Avenida Ana Costa, encontra pelos cantos, nas paredes ou prateleiras, uma profusão de cores, imagens, signos e emoções estampados em pinturas, desenhos e gravuras. Como eu sei disso? “Você foi ao ateliê” seria a resposta óbvia. Mas eis a surpresa: nunca fui ao ateliê, apenas li o seu primeiro livro de poesia. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Arquiteto e artista plástico premiado, Eber se inaugura na nova forma de expressão artística, a Literatura, a partir das suas origens no desenho. “Escrevia para a família e quando dava um título a uma obra, ao tentar retirar uma informação da obra abstrata”, explica. “Tinha essa necessidade de escrever, para que a palavra dialogasse com a imagem”. Assim foram nascendo os poemas, a princípio haicais, reunidos em Poesia Não É Unanimidade (Realejo Livros, R\$ 35,00). As palavras escondiam-se nas pinturas ou gravuras; coube ao artista trazê-las à luz. Já o título inusitado do livro revela uma preocupação de Eber. “Vi na internet ‘matamos poetas’. Isso me chamou a atenção. Nem todo mundo gosta de poesia, ou de arte abstrata, mas eu não deixo de fazer por causa disso”. Para ele, a frase, e o que ela simboliza, é o indício da carência de educação para a arte, que é um dos alicerces da sociedade. “O belo, que toca a alma das pessoas”, resume. Seria preciso, na sua visão, ampliar os estímulos e o contato com as obras desde cedo, a partir das escolas, para que a alma da criança de hoje reconheça e usufrua do belo, quando for adulta amanhã. “Mas ainda falta muito (para isso). Inclusive, neste momento (no Brasil), estamos na contramão”. RebatismoJosé Eber de Gois, hoje com 73 anos, nasceu com um crayon (lápis) nas mãos. Ou quase isso. “Desde sempre desenhei. Até nas paredes”. Mas o pai tinha outros planos, afinal, desenhar mundos não garante sustento – como ainda é comum de se pensar. “Ele queria que eu fosse militar”. Encontrou na Arquitetura o primeiro caminho, especialmente no design de interiores. Aos poucos, foi sendo esculpido o artista plástico Eber de Gois. Um tímido assumido, que fala pela arte. Mas ao ampliar o discurso e nele incluir a Literatura, rebatizou-se: o livro, assina como Poesia Degois. “O Eber está presente ali, sou eu, mas como após ter passado por uma iniciação”. Para conhecer mais sobre a vida e a obra de Eber.