[[legacy_image_3144]] Xuxa e as paquitas, Clodovil, Pelé. Essas são algumas das celebridades que se tornaram amigas de Rubinho Gonçalves de Souza. Aos 74 anos, o cabeleireiro mais famoso de Santos mudou de endereço e quer, enfim, tirar o pé do acelerador para aproveitar a vida. A casa da Rua José Caballero, no Gonzaga, onde seu salão ficou por quase 40 anos, está para alugar. Rubinho se mudou para a Rua Azevedo Sodré, 63, no mesmo bairro, para trabalhar com um amigo. Quer pegar mais leve no trabalho. “Estou nesse novo endereço fazendo uma parceria por sugestão do meu filho. Ele falou: ‘Pai, você não tem mais idade pra se aborrecer. Fecha esse salão, aluga essa casa e você sobrevive muito bem’”, contou. Famosos Rubinho foi cabeleireiro e amigo de muita gente famosa. Na década de 1980, Xuxa ligava para ele e dizia: “Sua passagem já está no aeroporto. Vem pra cá hoje”. A Rainha dos Baixinhos era dona de um programa campeão de audiência nas manhãs da Rede Globo. E lá ia Rubinho pentear Xuxa e a primeira geração das paquitas, que tinha, por exemplo, Letícia Spiller. “Eu fui várias vezes. Só que teve uma hora que eu falei ‘não dá’. Claro que era o maior sucesso atender a Xuxa”, lembra. Rubinho também foi muito amigo do estilista, apresentador de TV e político Clodovil Hernandes. “Fiquei amicíssimo para o resto da vida. E lamentei ter que segurar o caixão dele. Era uma pessoa que me ligava toda semana às 7 horas da manhã para me irritar”, conta, sorrindo. Por intermédio de Clodovil, Rubinho diz que pôde conhecer pessoas e ter oportunidades. “Se eu queria ver um teatro ou um cantor internacional e não tinha mais ingresso, eu ligava para ele, porque era muito poderoso. Ele falava ‘um minuto’ e resolvia”, afirma. História Nascido em Ribeirão Pires, Rubinho chegou a Santos na década de 1960, quando tinha de 16 para 17 anos. A carreira, no entanto, começou em sua cidade natal. “Eu achava que as cabeleireiras das minhas primas não faziam bem. Então, comecei a penteá-las. E fiz muito bem. E começou todo mundo a falar que queria pentear comigo”, relata. Um dia, um amigo da família fez um convite. “O cabeleireiro da noiva tinha ido embora e estavam precisando. Só que a noiva dele era uma prostituta chamada Loira. Você imagina que nem loira ela era”, ri. Ele começou a trabalhar em um salão na Rua Braz Cubas, no Centro. Como já sabia pentear, logo fez sucesso, e sua fama correu. “À tarde, eram as mulheres. Depois, eram as meninas da noite. Então, era uma farra. Eu adorava e ganhava mais do que advogado”, diz, gargalhando. Rubinho lembra que, já naquela época, Santos era frequentada pela alta sociedade. “As mulheres se penteavam muito bem para festas. Os clubes faziam uma festa por mês. Existia um glamour. A mulherada se arrumava para os jantares. Não tinha essa coisa de ‘lavei’, ‘fiz uma escovinha’”. Depois de 50 anos, Rubinho quer descansar. “Ah, quero sossego (risos). Já trabalhei muito e vou continuar, porque eu amo. Mas espero não ter mais preocupações. Quero cuidar do meu jardim. Trabalho porque eu amo. Enquanto eu tiver força, vou continuar”.