[[legacy_image_135381]] Os conflitos da ex-modelo Rebeca são interessantes não só aos olhos de Andrea Beltrão, mas também para o público de Um Lugar ao Sol. Na novela das 21 horas da Globo, a primogênita de Santiago (José de Abreu) é uma mulher na faixa dos 50 anos que enfrenta um casamento em decadência com o inescrupuloso Túlio (Daniel Dantas) e se apaixona pelo jovem Felipe (Gabriel Leone). Só que esse amor sofre com o preconceito da família e do círculo social da personagem, pela diferença de idade entre eles. Na entrevista a seguir, a atriz de 58 anos fala sobre os dilemas de Rebeca com a passagem do tempo em Um Lugar ao Sol; revela se já se sentiu pressionada a se manter jovem e o que acha da forma como o folhetim de Lícia Manzo trata o tema. Andrea também comenta a relação da personagem com Felipe e como foi voltar às novelas, depois de passar anos se dedicando às séries A Grande Família (2001 a 2014) e Tapas e Beijos (2011 a 2015), ao cinema e ao teatro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em 'Um Lugar ao Sol', Rebeca reflete sobre a pressão de se manter jovem. Como você avalia as angústias da personagem? A Rebeca tem essa questão com a passagem do tempo, fala sobre isso com a melhor amiga, Ilana (Mariana Lima), discute o assunto com o Túlio, além de ser algo forte e muitas vezes impeditivo no relacionamento dela com o Felipe, mas não vejo como uma angústia. A personagem pensa bastante nisso. O trabalho dela se alimenta da beleza, pois é uma ex-modelo e as oportunidades começam a rarear. O mais interessante no texto da Lícia é que não é uma derrota exatamente, mas perguntas e dilemas. O que fazer? Como devo me comportar? A Rebeca reage. Por mais que fique insegura, ela está sempre ativa na situação. Você já se sentiu pressionada a continuar jovem e bonita para trabalhar com a sua imagem na televisão? Na minha vida, tenho a mesma idade que a Rebeca e não vivi nenhuma opressão em relação à televisão. Até me acho mais bonita hoje do que antes. Estou mais leve atualmente e está tudo bem. O que você acha sobre a novela tratar desse tema? A questão da idade que a novela traz, da passagem do tempo, não é pesada. Lícia escreve com graça. Se não vivi essas questões, as compreendo completamente e vejo com carinho. Não vai para um lugar de angústia, de massacre, mas me pergunto qual é o problema de envelhecer? Até porque a outra opção é bem pior. Quero ficar bastante tempo por aqui. Rebeca se envolve com um homem mais jovem do que ela, que era namorado da melhor amiga da filha. Como foi a construção desse casal com o Gabriel Leone? A gente conseguiu criar uma forte amizade. Eu sou muito fã do Gabriel. A questão de ter um romance de uma mulher mais velha com um homem mais novo é vista como problema, mas o contrário nunca foi questionado. É até engraçado que, na trama, o Santiago tem um envolvimento com uma mulher mais nova e há um conflito entre pai e filha por não aceitar o relacionamento da primogênita, quando ele vive a mesma situação. Você ficou 20 anos longe das novelas. Como se sentiu nessa volta? Fiquei esses anos todos em A Grande Família e Tapas e Beijos, mas adoro novela, sou noveleira. Como gravamos durante a pandemia, com todos os protocolos, foi desafiador. Primeiro, a gente começou a filmar com uma placa de acrílico nos separando, muita máscara, e usando o álcool em gel o tempo todo. Havia esse cuidado – e que tinha de ser tomado mesmo. (Estadão Conteúdo)