[[legacy_image_270327]] Estela, Ângela, Carmem, Madalena, Nancy, Ester, Maria Rosa Caxias, Geni. As encarnações de Ana Rosa na telinha são tantas que a atriz figura no Guinness Book como a que mais participou de telenovelas no mundo. São 63. À sua profissão, entrega-se de corpo e alma – seja para ganhar o pão, como uma forma de terapia ou por uma missão. É justamente este último quesito que prevalece ao falar sobre o espetáculo Violetas na Janela, em cartaz neste sábado (27), em Praia Grande, e domingo, em Santos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Sinto que estou fazendo um trabalho que não é só pra mim, mas para as pessoas que estão ali assistindo também”, comenta. Os caminhos que levaram Ana a Violetas tiveram amor e um tanto de dor. Adaptação do romance psicografado por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, a peça foi encenada pela primeira vez em 1997, numa montagem inteiramente realizada por Ana e o marido, o também ator Guilherme Corrêa, com um propósito: levar conforto ao público. “Você não imagina os depoimentos das pessoas que iam assistir... Hoje, com a internet, é só clicar em @violetasnajanela e ler os relatos. Uma pessoa, por exemplo, tinha assistido oito vezes”. Caminhos da FéA morte não existe como fim: abre a possibilidade de novos começos. Essa é a crença que impulsiona Ana também na arte. As perdas foram a mola motriz que a encaminharam à fé. A primeira delas, do filho Maurício, da relação com Dedé Santana, quando Ana tinha apenas 19 anos. O menino morreu de leucemia. A vida seguiu. Em meados da década, já na tevê, em um trabalho com o diretor Augusto César Vannucci, a primeira incursão religiosa. Espírita convicto, certo dia, Vannucci achou Ana “muito revoltada” e lhe ofereceu um exemplar de O Evangelho Segundo o Espiritismo. “No capítulo específico das mortes prematuras, entendi, em tese, o porquê da morte do meu filhinho. Mas entender é uma coisa, aceitar é outra”. Não seria até o final da década de 1970 que ela abraçaria de vez a religião. Enquanto gravava a novela O Profeta, ao lado de Carlos Augusto Strazzer, já casada com Guilherme Corrêa e com seis filhos (quatro por adoção), certa feita o colega de elenco convidou: por que você não vai ao centro espírita? Ana foi e não saiu mais. Em 1994, a filha Ana Luísa morreu atropelada, aos 18 anos. O Espiritismo foi um dos alicerces que a confortou e fez a vida seguir em frente, mais uma vez. “Muita gente perguntava ‘de onde você tirou força’? Briguei com a vida, não com Deus, porque já era espírita”, recorda. “Quando a gente perde uma pessoa querida, a tristeza é tão grande, Principalmente a perda de um filho: a gente fica no fundo do poço, pela dor”. Nessa época, foi convidada para integrar o elenco da novela O Rei do Gado. Relutou: ela não queria fazer nada. Após a insistência, aceitou. “Foi a melhor coisa que pôde me acontecer. Trabalhar me obrigava a sair de casa, a mergulhar na psiquê da personagem. Nos momentos mais dolorosos da minha vida, me ajudaram o trabalho, o apoio da minha família e a religião, para entender as razões da morte da minha filha”. Família de artistasAna nasceu em Promissão, Interior de São Paulo, dentro do circo de seu avô materno. A arte já estava no sangue. Mas os pés nunca deixaram de estar no chão. Em momentos mais críticos, pela sobrevivência, sua e dos filhos, até pensou em largar a arte. Nos anos 1970, chegou a abrir uma loja de armarinhos em São Paulo. “Parece que a vida me trazia de volta para o teatro e a tevê. Chegou uma hora em que eu relaxei: não tem mais o que fazer, é isso o que será da minha vida”. Sobre tevê ou teatro, qual a preferência? A resposta não está no meio, mas na forma: “Amo fazer um bom personagem”. Seja no palco ou na tela – com as suas diferenças. “No teatro, você tem o retorno imediato do público e, a cada noite, sendo a mesma peça, parece um espetáculo diferente”. Na tevê, o resultado é paulatino, o sucesso de um programa será medido pela audiência e pelo reconhecimento posterior nas ruas. Ana resume: “No teatro, me sinto na sala de casa, recebendo as pessoas. Na tevê, me sinto no meu quarto, por ser mais íntimo”. Aos 80 anos, Ana deseja apenas saúde “enquanto estiver viva”. Para trabalhar e curtir a família, que já inclui sete netos. “Não tenho medo da morte. Esses anos todos estudando o Espiritismo, fazendo filmes e peças... Se não houvesse nada depois da vida, se fosse só esta vida, não faria sentido: Deus não seria justo, não existiria Deus”.