Com Fernanda Torres e Selton Mello, "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, está em cartaz nos cinemas (Reprodução) O filme ‘Ainda Estou Aqui’, de Walter Salles, foi feito sob medida para o Oscar. Candidato brasileiro a uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o drama biográfico tem potencial para mais seis indicações aos prêmios de Filme, Direção, Atriz, Ator Coadjuvante, Roteiro Adaptado e Direção de Arte. O longa-metragem estreou no último dia 7 e desde então já levou aproximadamente 360 mil pessoas às salas de cinema, arrecadando em torno de R\$ 8,6 milhões. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Primeiro filme original Globoplay e adaptado do livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, ‘Ainda Estou Aqui’ retrata a história da família Paiva desde o desaparecimento do ex-deputado e ativista Rubens Paiva, interpretado pelo ator Selton Mello. Rubens, que nasceu em Santos, no litoral de São Paulo, e morava no Rio de Janeiro (RJ), foi sequestrado, torturado e assassinado durante a ditadura militar, em janeiro de 1971. A trama é centralizada em Eunice Paiva, personagem de Fernanda Torres, a esposa e dona de casa que, vendo-se sozinha com os cinco filhos adolescentes, dedica sua vida a buscar informações sobre o paradeiro do marido, declarado morto somente 40 anos após o seu sumiço. A partir daí, Eunice pautou a sua vida como ativista em defesa dos direitos humanos. ‘Ainda Estou Aqui’ foi anunciado pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais (ABCAA) para concorrer a uma vaga entre os finalistas do Oscar em 23 de setembro. No momento, a equipe está em Los Angeles (EUA) em campanha de promoção do filme e, é claro, para sensibilizar os membros da academia norte-americana. O longa é um primor, não somente pela história contada, mas pela forma como ela é retratada. A produção tem atuações irretocáveis e comoventes de Fernanda Torres e Selton Mello, no roteiro adaptado, na cenografia ambientada na década de 1970 com riqueza de detalhes em móveis, figurino, objetos e penteados, na reconstituição de cenas fiéis às fotos de família e, também, na imagem fidedigna à tecnologia audiovisual disponível na época, que nos transporta ao passado. Em suma, é um filme produzido sob medida para conquistar as cobiçadas estatuetas da Academia de Hollywood, ainda que o ceticismo da própria equipe, críticos e público se sobreponha à fé na vitória. Entretanto, é certo que uma indicação ao Oscar já é uma conquista preciosa. Além da categoria de Filme Internacional, ‘Ainda Estou Aqui’ tem potencial para ser indicado nas categorias dos prêmios principais, que são os de Filme, Direção, Atriz e Ator Coadjuvante, além de Roteiro Adaptado e Direção de Arte. O longa-metragem já ganhou o prêmio de Melhor Roteiro, no Festival Internacional de Cinema de Veneza. O que falta para ser finalista no Oscar? ‘Ainda Estou Aqui’ passará pela análise e votação do júri da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que divulgará a lista de pré-selecionados no próximo dia 17 de dezembro. Dessa seleção sairão os finalistas que serão anunciados no dia 17 de janeiro. A 97ª cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 2 de março de 2025. História se repete Se for finalista, “Ainda Estou Aqui” marcará o retorno de Walter Salles à disputa por um Oscar após 26 anos. Dessa vez, com Fernanda Torres e Fernanda Montenegro no elenco. Em 1999, Central do Brasil, de Salles, concorreu ao maior prêmio mundial do cinema em duas categorias: Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Atriz, que foram entregues ao drama italiano A Vida É Bela, estrelado e dirigido por Roberto Benigni, e Gwyneth Kate Paltrow, por sua atuação em Shakespeare Apaixonado, respectivamente. * Bárbara Farias é jornalista, crítica de cinema, especialista em Oscar e foi jurada do Santos Film Fest – Festival de Cinema de Santos em 2018 e 2019.