[[legacy_image_298096]] A união faz a força, diz o ditado. No caso, a união faz a palavra. Com uma história que remonta a 1958, a União Brasileira de Escritores (UBE) existe para estimular e apoiar o ofício da escrita no País. Hoje, um dos principais desafios nessa missão é a questão dos direitos autorais. Tanto que, dia 13 de outubro, Dia Mundial do Escritor, a entidade realiza um encontro on-line sobre o tema. “Nosso desejo é sair desse encontro com um modelo padrão. Seria interessante que não só os escritores, mas os editores, agentes literários, enfim, toda a cadeia do livro participasse e partilhasse sua visão”, afirma Ricardo Ramos Filho, presidente da UBE. Existe um acordo tácito entre editores e escritores, que se perpetua ao longo do tempo, de que o escritor receberia 10% do valor de capa por cada livro vendido. Para Ricardo, o ideal é que esse molde básico seja preservado e fortalecido. “Mesmo que a editora faça alguma promoção, a intenção é de que se mantenham essas bases”, salienta. Segundo Ricardo, ocorre por vezes que a editora vende milhares de exemplares, por exemplo, ao governo, mas por preços menores, sem nem sequer consultar o escritor. “Pretendemos garantir que esteja em contrato o percentual e o preço fixado de capa. Mesmo que haja uma promoção, e o livro seja vendido mais barato, o ganho do escritor fica preservado (condicionado ao número de exemplares vendidos”. Poder aquisitivoApesar de seu caráter combativo, e como enfatiza Ricardo, de “defesa das leis, da Constituição e da democracia”, a União Brasileira de Escritores não tem caráter sindical ou político. Criada a partir da fusão da Associação Brasileira de Escritores e da Sociedade Paulista de Escritores, a UBE auxilia o escritor associado em questões práticas, como análise de contrato e dúvidas sobre o mercado. A entidade já teve milhares de associados. Hoje, tem entre 500 e 600, que pagam anuidade de R\$ 300,00 – a principal fonte de renda da UBE. “Houve uma queda no poder aquisitivo do escritor. A anuidade pesa no bolso”, avalia Ricardo, para justificar o encolhimento. Ele descarta uma eventual crise da leitura no País. “Duvido daquela máxima ‘no meu tempo se lia mais’. Acho que o Brasil sempre foi um país em que se leu pouco. São problemas da educação. Na Europa, você anda de metrô, tem um monte de gente com livro”. Se o número de leitores atual é pouco, a qualidade da produção das novas gerações é exemplar avalia Ricardo. Ele cita Rafael Gallo, Julian Fuks, Marcelino Freire, Jefferson Tenório, Itamar Vieira Júnior, entre outros, como nomes que dão bom lastro à produção literária brasileira atual. Viver da letraCom 30 livros publicados desde 1992, a maioria na seara infantojuvenil, e prestes a lançar o primeiro romance, Ricardo Ramos Filho vem de uma estirpe de escritores. Seu pai foi Ricardo Ramos, vencedor do prêmio Jabuti por três vezes; e seu avô, ninguém menos do que Graciliano Ramos. Mesmo assim, viver exclusivamente dos livros ainda é um desafio. “Primeiro, você tem que fazer sucesso. Hoje, Itamar (Vieira Júnior, autor de Torto Arado, que vendeu cerca de 1 milhão de exemplares) já consegue. Ou vende muito ou faz outras coisas ligadas à Literatura para ajudar. Eu, por exemplo, faço assessoria literária, palestras, participo de júri de concursos”. Mais informações sobre a UBE, acessar o site. A quem deseja ser membro, é preciso comprovar a ligação com a escrita.