[[legacy_image_2959]] Há algo de sinistro nos filmes de terror de James Wan, que remetem sempre às áreas mais sombrias da mente humana. O mal não se deve a nenhuma maldição ancestral, mas a uma deturpação do humano. De cara, em 'A Maldição da Chorona', somos projetados para um universo paradisíaco. Um marido presenteia a mulher com um colar, numa bucólica cena desenrolada no México, séculos atrás. Eles brincam com os filhos e, de repente, o caçula está sozinho. Com medo, o menino chama: "Mamá! Mamá!" e encontra a mãe com o rosto transtornado, afogando o irmão. Ela corre atrás dele para matar. Você já ouviu falar de Medeia, que matou os próprios filhos para se vingar do marido. Aos poucos, a história da Chorona vai sendo desenrolada. Corte para a atualidade Uma assistente social, Anna, investiga por que duas crianças sob sua supervisão deixaram de ir à escola. Encontra a mãe enlouquecida, as crianças em cativeiro. São levadas para uma instituição, sob protestos da mãe, que adverte: "A Chorona virá buscá-las!" Não ocorre outra coisa e, de repente, é a própria assistente que está enfrentando a desconfiança de todos. Viúva de um policial, seus filhos passam a apresentar marcas de violência, como se ela estivesse abusando deles. O padre é o único que lhe dá atenção. Ele conta a história da Chorona, que matou os filhos para se vingar do marido adúltero. Depois, consumida pelo remorso, ela passou a buscar outras crianças para também afogar. A Chorona tentará matar o casal de filhos de Anna. Precavida, ela se colocou sob a proteção de Rafael, outro padre que renegou a Igreja, mas não Deus. A maquiagem que transforma Marisol Ramirez na Chorona não é só bem-feita, é assustadora. A bela mulher vira um monstro. Tenta afogar a menina na banheira de casa, tem aquelas unhas medonhas de bruxa. Mas, na verdade, não é a maquiagem que assusta em A Maldição da Chorona. É essa ideia de que todo mal vem do humano. A Chorona soluça, verte suas lágrimas, mas isso não a impede de ser quem é. Cuidado com as crianças, porque é da natureza dela, da natureza do mal, provocar destruição.