(Reprodução/Instagram) Em tempos de verão e férias escolares, curtir programas em família é uma opção interessante. Cinema, viagens e passeios especiais vem à lembrança. A visita a um planetário pode ser tranquilamente incluída nessa lista. "Entrar em um planetário já causa um impacto. Diferentemente da sala de cinema, a de um planetário é circular. A tela também não fica à nossa frente, mas acima – e ocupando 360 graus. A imagem é projetada numa cúpula, ou domo, como uma grande semiesfera emborcada sobre a sua cabeça”, descreve o presidente da Associação Brasileira de Planetários (ABP), José Roberto de Vasconcelos Costa. Foi no dia 21 de outubro de 1923 que um projetor de planetário foi ligado pela primeira vez numa demonstração restrita, dentro do Deutsches Museum, em Munique, Alemanha. Ele só seria aberto ao público em 7 de maio de 1925. Como as duas datas são muito significativas, o centenário dos planetários está sendo celebrado de 21 de outubro de 2023 até 7 de maio de 2025. Acordo do Café Fora da Europa, o primeiro planetário foi o de Chicago, nos Estados Unidos, em 1930. Só no primeiro ano, mais de 730 mil pessoas o visitaram. Na América do Sul, o primeiro planetário foi o de Montevidéu, no Uruguai, inaugurado em 1955. O primeiro no Brasil foi o do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, em 1957. “O que pouca gente sabe é que os planetários começaram a se espalhar pelo Brasil por causa de uma conjuntura econômica muito peculiar. No final da década de 1960, a Alemanha Oriental contraiu dívidas de importação de produtos brasileiros, principalmente café. Um acordo de colaboração fez com que vários equipamentos científicos fossem enviados ao Brasil, como forma de abater essa dívida”, relembra Vasconcelos. Foi desta forma que Goiânia e Rio de Janeiro receberam seus primeiros planetários, em 1970, seguidos por Florianópolis e Santa Maria (RS) em 1971, Porto Alegre em 1972, Brasília em 1974 e Curitiba em 1978. A cidade de João Pessoa foi a primeira da Região Nordeste a ter um planetário, em 1984, e a última a receber um projetor em razão do curioso Acordo do Café. Especialista vê distribuição desigual de equipamentos no cenário nacional Atualmente, há mais de uma centena de planetários no País, embora a distribuição continue desigual, com muito mais unidades nas regiões Sudeste e Sul do que no Norte e Nordeste, analisa o presidente da Associação Brasileira de Planetários (ABP), José Roberto de Vasconcelos Costa. “No Brasil, a abertura de novos planetários fixos costuma passar por etapas críticas. A primeira é a compra do equipamento em si (muitos não saem do projeto). A segunda é a construção da estrutura física, o prédio e seus anexos (alguns são adquiridos, mas os equipamentos passam anos encaixotados, aguardando a edificação – e se deteriorando)”, afirma. Após a compra, construção e instalação dos equipamentos, Vasconcelos lembra que a última etapa acaba sendo a mais importante: o momento de abrir ao público. “Se não houver uma escolha criteriosa da equipe de operação, ou se o Poder Público (grande parte dos planetários são iniciativas públicas) optar por fazer do lugar um mero casuísmo para remanejamento de cargos, o planetário não funcionará por muito tempo, ou estará sempre aquém do potencial que poderia atingir”, adverte. Digital Já faz mais de duas décadas que um novo tipo de planetário está em operação: o digital. “Seu potencial na Educação é enorme, expandindo significativamente o que o planetário tradicional pode fazer. Por serem muito mais imagéticos, os planetários digitais também se adequam melhor as expectativas do público, sobretudo os mais jovens”, define o presidente da ABP. Um grande potencial a ser explorado O presidente da Associação Brasileira de Planetários (ABP), José Roberto de Vasconcelos Costa, acredita que, em razão das grandes dimensões do Brasil, deveria haver, pelo menos, um planetário em cada grande cidade - e com unidades itinerantes rodando pelas demais. O motivo, justifica Vasconcelos, é que os planetários atraem milhares de visitantes, constituindo-se em uma das melhores opções culturais de qualquer cidade onde estejam, raciocínio que vale para o restante do mundo. E vai além, dentro de uma visão de futuro. “Há um potencial que os gestores públicos ainda desconhecem, os educadores gostariam de explorar e pessoas de todas as idades sonham em visitar. Planetários – digitais ou tradicionais – são lugares únicos, capazes de definir os rumos da vida de um jovem em uma única visita, se constituir num dos principais atrativos culturais de uma cidade, e de se transformar numa agenda positiva para qualquer governo que dele cuide bem”, comenta. O Brasil, na visão do presidente da ABP, ainda está aprendendo a reconhecer o valor dos planetários. “E se depender de nós, os planetaristas (como são chamados os que trabalham com educação no ambiente dos planetários), não vai faltar vontade de continuar espalhando essa semente, há muito germinada nos países onde a educação transformou sociedades para melhor”, finaliza. PROGRAME-SE Para os moradores de Santos interessados em explorar o universo, os planetários do Ibirapuera e do Carmo, em São Paulo, oferecem experiências educativas e imersivas. A seguir, detalhes sobre cada um: 1. Planetário do Ibirapuera (Planetário Professor Aristóteles Orsini) Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n – Portão 10, Parque Ibirapuera, São Paulo, SP. Telefone: (11) 5575-5206 Site: https://planetario.urbiapass.com.br/ Atrações: Sessões de projeção que simulam o céu noturno, apresentando estrelas, planetas e outros corpos celestes. Programações especiais para crianças, como "O Show da Luna". Exposições interativas relacionadas à astronomia. Horários de Funcionamento: Sessões aos domingos. Recomenda-se verificar a programação atualizada no site ou Instagram oficial, pois os horários podem variar. Ingressos: Inteira: R\$30,00 Meia-entrada: R\$15,00 (para estudantes, professores, idosos e pessoas com deficiência) Ingressos disponíveis no site oficial ou na bilheteria local. Agendamento: Para grupos escolares ou visitas em horários especiais, é necessário agendamento prévio. E-mails: planetario@urbiaparques.com.br ou faleconosco@urbiaparques.com.br Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone ou site oficial. Há também perfil no Instagram: @ibirapueraplanetario 2. Planetário do Carmo (Planetário Municipal do Carmo – Professor Acácio Riberi) Endereço: Rua John Speers, 137, Itaquera, São Paulo, SP. Telefone: (11) 2522-4669 Site: https://capital.sp.gov.br/ Atrações: Sessões de projeção que reproduzem o céu noturno com alta precisão, utilizando um projetor Universarium VIII da Carl Zeiss. Exposição permanente no hall de entrada, com fósseis, rochas, minerais, telescópios e imagens astronômicas. Esplanada cósmica com observatórios para atividades práticas de astronomia. Horários de Funcionamento: Sessões para o público geral aos sábados, domingos e feriados, às 13h, 15h e 17h. Visitas escolares podem ser agendadas durante a semana. Ingressos: Entrada gratuita aos finais de semana e feriados. Para visitas escolares ou em grupo durante a semana, é necessário agendamento prévio. Agendamento: Visitas escolares ou de grupos devem ser agendadas previamente pelo e-mail: agendamentoescolarplanetariocarmo@prefeitura.sp.gov.br Informações adicionais podem ser obtidas pelo telefone ou site oficial. DICAS IMPORTANTES Chegada Antecipada: Recomenda-se chegar com pelo menos 30 minutos de antecedência para retirada de ingressos e acomodação. Verificação Prévia: Antes da visita, consulte os canais oficiais para confirmar horários e disponibilidade, pois podem ocorrer alterações na programação. Acessibilidade: Ambos os planetários possuem estruturas para receber pessoas com deficiência, mas é aconselhável confirmar detalhes específicos previamente. A visita a esses planetários proporciona uma imersão no universo da astronomia, sendo uma excelente opção de lazer educativo para todas as idades.