Eletronuclear e SBMN firmam acordo para iniciar a produção nacional de radiofármacos, visando reduzir custos, democratizar tratamentos oncológicos e diminuir a dependência de importações (Gerado por IA) A Eletronuclear planeja utilizar a Usina Nuclear Angra 2, em Angra dos Reis (RJ), para a produção de radiofármacos com aplicabilidade no tratamento de diversos tipos de cânceres. A empresa que gera energia elétrica a partir de fonte nuclear almeja ter uma produção contínua do chamado Lutécio 177, destinado especialmente para casos de câncer de próstata e atualmente importado para pacientes brasileiros. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse processo já foi testado e está na fase de implantação nas usinas Cernavoda 2, na Romênia, e Bruce 7, no Canadá. A dose importada tem, atualmente, custo médio de R\$ 30 mil. Um Memorando de Entendimento (MoU) foi assinado pela Eletronuclear com a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), na última semana, em Brasília. O presidente da empresa, Raul Lycurgo, demonstrou otimismo. “Nós vamos colocar os cérebros das duas instituições para trabalhar em conjunto e atender a saúde do Brasil e dos brasileiros. Se existe uma possibilidade de adaptar o nosso processo de geração de energia em Angra 2, sem dúvidas vamos fazer”. A presidente da SBMN, Elba Etchebehere, também celebrou a oportunidade de democratizar o acesso da população e afirmou que, com a assinatura do memorando, a medicina nuclear poderá utilizar de maneira mais eficiente os radioisótopos e radiofármacos. “Hoje tudo vem de fora. Se nós pudermos ter aqui no País esse isótopo radioativo, essencial para o tratamento oncológico, toda a população será beneficiada. Hoje, menos de 1% dos brasileiros tem acesso a esse tipo de tratamento”, pontuou. O acordo sobre radiofármacos trata, especificamente, de estudos sobre a produção de isótopos radioativos. Prevê, por exemplo, visitas mútuas de delegações compostas por pesquisadores e especialistas, para posterior condução de análises, testes e ensaios. O período de validade do memorando é de cinco anos a contar da data da assinatura. Os resultados, segundo a Eletronuclear, podem surgir antes. Carência Lycurgo, argumenta que o Brasil tem grande carência de radiofármacos para tratamento de cânceres. Além disso, a logística de transporte internacional é considerada complexa para importação, pois muitas substâncias têm vida útil curta. "Eles poderão ser produzidos aqui e nós não dependeremos de importação”, defendeu, em conversa com jornalistas. Com a produção brasileira, o presidente cita o barateamento do custo dos radiofármacos. Ele também menciona que a possibilidade da produção via Angra 2 abre caminho para a entrada também de Angra 3 (em construção) nesse mercado, já que ambas as usinas são baseadas na mesma tecnologia. O terceiro empreendimento da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA) está aguardando a definição do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre a retomada ou não das obras. Em 2021, o Brasil correu o risco de ter um apagão no tratamento de câncer no País por falta de insumos para produção de fármacos. O início da produção no Brasil ajudaria a reduzir o risco de desabastecimento em um eventual novo corte de orçamento do Instituto de Pesquisa Energética e Nucleares (Ipen), responsável pelas importações.