Com os filhos Sandro e Luizinho, e a cantora Didi Gomes (Alexsander Ferraz/AT) O cantor e compositor Luiz Américo sonhou ser jogador de futebol. Mas a música é o gramado onde brilha há mais de cinco décadas. O talento é reconhecido por nomes como Luiz Ayrão, Zeca Baleiro e Neguinho da Beija-Flor, mas soa mais baixo, de forma tímida, quando é para falar de si. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Pois a biografia Luiz Américo – O Camisa 10 do Samba (Editora Garcia, 194 páginas), escrita pelo jornalista Sérgio Vieira, cumpre o papel de contar a história do Malandro desde a infância, no Morro do Marapé, ao estrelato, que passou por programas de tevê como os de Silvio Santos e Chacrinha e rodou o país com seu violão. O lançamento foi nesta quinta-feira (5), na Livraria Realejo (Av. Marechal Deodoro, 2, Gonzaga, Santos). “Sempre fui fã do Luiz Américo. Gosto de contar histórias e já vinha pensando, pesquisando um pouco mais da carreira dele e tinha confirmado que o disco Camisa 10 estava para completar 50 anos. Ele foi lançado em 1973, mas bombou mesmo em 1974. Foi o ponto de partida para o projeto”, conta o jornalista. A partir dali, as pesquisas foram intensificadas, acompanhadas de várias visitas ao biografado, que renderam mais de cinco horas de entrevistas, além de documentos, fotos e muitas lembranças. O álbum de casamento do músico, por exemplo, está em seu poder. Para o Malandro, que completou 78 anos recentemente, o livro é a celebração a um personagem que não imaginava a trajetória que trilhou. “Essa de fazer esse livro para mim é um negócio de Deus. Nunca imaginei na minha vida algo assim. Pô, fui moleque de rua, caixeiro de venda, guia de cego, assobiava na banca de bozó (jogo de azar), pois, se a polícia pintasse, eu avisava. Fiz tudo para não ficar duro. Um livro, para mim, não existe”, resume Américo, sem conter as lágrimas. “Desculpe, seo Zagallo” Embora tenha despontado em 1966, quando venceu um festival de calouros promovido por Silvio Santos, sua consagração nacional aconteceu mesmo com a canção Camisa 10 – que só entrou no disco por conta do espaço vago pela censura a outra canção. Com Silvio Santos, em cujo programa despontou para a fama (Divulgação) Eram tempos de incerteza para a Seleção Brasileira. Sem Pelé, o maior jogador de todos os tempos, e com a Copa do Mundo na Alemanha batendo à porta. Surgiu o questionamento sobre “quem é que vai pro lugar dele”? O recado era para Zagallo, que comandava aquela equipe. Com o camisa 10 Pelé e Manoel Maria (Divulgação) “A gravadora lançou um compacto com outras músicas, chamado Brasil Bom de Bola, que tinha Camisa 10. Também ajudou a impulsionar a música. Todos eles reagiram muito bem”, conta Sérgio Vieira. Luiz Américo só ficou frente a frente com o Velho Lobo em 2013, numa iniciativa do programa Esporte Espetacular, da TV Globo. “Foi no apartamento dele. Estava sentado numa cadeira lá, eu entrei com um medo do cacete. Ele levantou e falou ‘Pô, foi um prazer, meus filhos, a minha família, todo mundo gostou da música’. Foi importante ter o aval dele”, conta o músico. Quem, mesmo depois de tanto tempo, segue avesso à música é o ex-goleiro e treinador Emerson Leão, que comeria “um frango assado na jaula se não fosse a força desse tal (Luís) Pereira”, nos versos da canção. “Disse a ele, anos depois, em Recife ‘É um samba, isso é uma homenagem para você’. Ele estava errado. Foi uma brincadeira saudável”. A playlist de sucessos de Luiz Américo é extensa. Tem, além de Camisa 10, êxitos como Desabafo, O Gás Acabou e Carta de Alforria, além de Filho da Velha, regravada por Zeca Baleiro. O livro fala de uma coleção de hits, além de muitas histórias do Malandro do Morro do Marapé, que deu um chapéu na pobreza e levantou a taça de nome relevante da música brasileira. Quem é que vai pro lugar dele? Ele é único. Uma longa relação com o rádio marcou o sucesso Luiz Américo chega ao estúdio da Tri FM pouco antes do horário de Seleção Brasil, que o cantor apresenta todo domingo. O entrosamento com os locutores, a disposição em revelar talentos e enaltecer músicos consagrados faz o programa dar liga e ser líder de audiência desde 2005. “A rádio sempre foi algo muito presente na vida dele. No comecinho da década de 1960, ele participava muito das rádios daqui de Santos. Atlântica e Cultura. Com 13, 14 anos, chegou a ter um trio chamado Clube da Criança. Ali, ainda era o Américo Francisco”, conta o jornalista Sérgio Vieira. Quando houve o boom do samba e do pagode nos anos 1990, Luiz Américo passou a se fazer presente nas rádios que tocavam o gênero. Passou pela Rádio Guarujá, mas se consolidou a partir da entrada na Tri FM. “O rádio sempre foi a razão de todo artista fazer sucesso. É quem comanda. Se o tocar seu som, é sucesso. Pra mim, sempre foi importante. E quando vim pra Tri FM, foi muito bom pra minha vida”, afirma Luiz Américo. O ‘canário’, brincadeira que faz sobre adivinhar o cantor que foi tocado no programa, é palco para reavivar grandes sucessos. “Eu toco o que eu quero aqui, o que eu gosto. Mas sempre ouvindo os conselhos dos locutores”, diz o músico. Pablo Garcia, um dos parceiros de Seleção Brasil, é só elogios para o Malandro. “Além de ser profissional, é uma relação de amizade. Me sinto muito bem do lado dele”.