[[legacy_image_321194]] A ideia não poderia ser pior: uma continuação musical de um clássico infantil que já ganhou outra (péssima) continuação no passado e que tem um filme original, infantil, quase perfeito, com um Gene Wilder impecável no papel principal. E estrelada pelo geralmente pouco expressivo Thimothée Chalamet. Minhas expectativas não poderiam ser piores, mas fui assistir a Wonka, uma reimaginação da história de Willy Wonka e sua fábrica de chocolates, mesmo assim. Eu não poderia estar mais errado, pois Wonka é tudo o que deveria ser: colorido, alegre, cheio de minúcias e detalhes, com ótimos atores nos papéis principais, repleto de referências ao filme original mas com a liberdade de contar piadas novas e imprimir um ritmo mais moderno à história, mesmo sendo imaginado e desenvolvido como um filme da década de 1960. Há ironia e piadas espalhadas por todos os lados. Cada caquinho de conversa pode levar o público às gargalhadas ou às lágrimas, o que na sessão em que eu estava efetivamente aconteceu. Wonka é um filme dentro da melhor tradição dos clássicos infantis, no mesmo patamar de qualidade de um Mary Poppins (sem Julie Andrews, infelizmente) ou do próprio filme original, de 1971. A história contada não aparece em nenhum dos livros de Roald Dahl, no qual se baseiam os filmes feitos até hoje. O foco é na juventude de Willy Wonka, um órfão que chega a Paris para tentar realizar seu sonho e se tornar um dos maiores fabricantes de chocolates do mundo. Entretanto, no exato momento em que chega ao lugar, Willy, muito inocente, cai em um golpe e se torna prisioneiro de uma dupla de golpistas (que tem a excepcional Olivia Colman na liderança). Ele acaba conhecendo outros prisioneiros, todos vítimas do mesmo esquema, e se junta a eles para enganar seus captores, passar os desonestos fabricantes de chocolate da cidade para trás e conseguir libertar a si e aos amigos e realizar o sonho de sua falecida mãe (a ótima Sally Hawkins), que foi quem lhe iniciou no mundo dos doces. O filme também mostra a gênese da ligação de Willy com os pequeninos oompa loompa, a partir da relação de vingança/amizade entre o chocolateiro e um oompa em especial, interpretado de forma hilária pelo ex-galã Hugh Grant, com todo o seu sotaque britânico e autoironia. E deixa caminho aberto para uma possível continuação, com várias pontas soltas entre o fim de Wonka e o início de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Muito entre nós, continuo preferindo Gene Wilder no personagem principal da história, mas Wonka ganhou meu coração e me divertiu genuinamente como há muito não acontecia em uma sala de cinema!