[[legacy_image_228659]] A Família Addams estreou há quase 90 anos como charges da badalada revista New Yorker e, desde então, teve diversas versões em filme, série de tevê, desenho animado e até musical de teatro. Todas elas se mantiveram fiéis ao conceito de seu criador, Charles Addams, um amigo de Alfred Hitchcock e Ray Bradbury sempre pronto a dar vida a criações próximas do bizarro e do estranho. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Wandinha, a série inspirada neste universo que estreou recentemente na Netflix, subverte todo o conceito inserindo outras famílias tão “esquisitas” quanto os Addams, suprimindo boa parte do humor (e do amor) que caracterizava a família e também conflitos entre mãe e filha que não existiam em nenhuma versão anterior. Com os quatro primeiros episódios dirigidos por ninguém menos que Tim Burton, o show mantém, ao menos, o clima lúgubre tão característico. Na história, Wandinha Addams é expulsa de sua escola tradicional porque se vingou dos meninos mais velhos que haviam batido em seu irmão jogando piranhas na piscina durante o treino de polo aquático (com resultados trágicos). Vai parar então em Nunca Mais, o colégio interno onde seus pais estudaram e se conheceram. O lugar é especializado em crianças peculiares. A colega de quarto de Wandinha, Emma, é uma lobisomem. A grande rival, Joy, é de uma família de sereias. E mesmo neste microcosmo tão fora da caixinha, Wandinha consegue se destacar por ser diferente, sarcástica e antissocial. Está sempre ao lado dos desajustados e das minorias, investigando (em paralelo à polícia) assassinatos provocados por um ser monstruoso e também descobrindo detalhes importantes do passado de seus pais, em meio à relação mais do que difícil com seus colegas no dia a dia da escola. Vale destacar aqui o talento de Jenna Ortega, que vive a protagonista e é, em grande parte, a graça do show. Apesar da personagem pouco mudar de expressão, ela consegue transmitir, pelo olhar, tudo o que Wandinha sente ou pensa. Jenna tem estrelado muitos filmes de terror recentemente e é um nome para anotar e acompanhar! Também no elenco estão Catherine Zeta-Jones (como Mortícia), o veterano Luis Guzmán (Gomez) e o jovem Isaac Ordonez (Pungsley). Numa participação mais do que especial, a atriz Christina Ricci, que viveu a mesma Wandinha nos filmes dos anos 90 (aqueles com Anjelica Houston e Raul Julia), faz a professora Marilyn, personagem que se revelará mais importante na trama do que aparenta à primeira vista. Também é divertido tentar “pescar” todas as referências a produções de terror jogadas pelos episódios. Só para citar uma das mais óbvias, em uma cena de baile na escola, quando o sistema anti-incêndio começa a jogar tinta vermelha nos estudantes, Wandinha olha em volta, experimenta o líquido e lamenta: “nem sangue de porco é”, uma lembrança ao clássico de horror Carrie, a Estranha. Neste mesmo baile acontece a cena que viralizou nas redes sociais e se tornou a marca registrada da série: a dança, cheia de passinhos diferentes, de Wandinha. É bem divertida. Wandinha é uma série da qual não esperava grande coisa e que me surpreendeu muito positivamente. Não leia muito sobre ela por aí para não ter algumas surpresas estragadas e depois, se quiser, comente sobre o que achou em meu Instagram @natelaematribuna.