O ator enfatiza que seus mestres e professores foram os grandes artistas desse País (Globo/Divulgação) Dos muitos personagens que Danton Mello interpretou em novelas desde a estreia como Cuca em A Gata Comeu, aos 10 anos, sem dúvida o Neco, de Cabocla, está entre os mais marcantes e desafiadores. O folhetim de Benedito Ruy Barbosa, que está sendo reapresentado na faixa Edição Especial, após o Jornal Hoje, na TV Globo, foi um grande sucesso. Na trama rodada em 2004 e ainda muito atual, o rapaz é filho do coronel Justino (Mauro Mendonça) e discorda do pai na postura e visão de mundo. Ao longo da história, se envolve cada vez mais na política para tentar mudar a situação na fictícia Vila da Mata. Para o ator, gravar as cenas em que Neco fazia discursos foram os momentos mais difíceis do trabalho em Cabocla. “As cenas de palanque tinham muito texto, discursos políticos de três a quatro páginas, porque era só o Neco que falava no comício. Ele era um cara preocupado com a saúde, a educação, com o bem-estar do povo da sua região. Foi um personagem cheio de valores”. Outro ponto forte da trama de Neco que faz o personagem ser lembrado até hoje é o romance proibido com Belinha (Regiane Alves). A moça é filha do coronel Boanerges (Tony Ramos), inimigo de seu pai. O ator destaca a importância da parceria que teve com Regiane para o sucesso do casal. Qual a sensação ao saber que Cabocla está de volta no horário das tardes da TV Globo? Estou muito feliz com o retorno de uma novela linda e que marcou tanto, fez um grande sucesso. É um trabalho muito lembrado até hoje por muitos fãs do meu personagem, o Neco, e da novela em si. É muito prazeroso e divertido rever esse trabalho e acredito que o público vai ficar muito feliz de acompanhar novamente as aventuras dessa novela linda. A novela tem uma trama política forte e seu personagem estava totalmente inserido nesse universo. Como foi a preparação neste sentido? Acredita que os temas abordados seguem atuais? Sim, seguem atuais sem dúvida. Principalmente assuntos voltados à política do coronelismo, da disputa política entre famílias do interior. O Neco, meu personagem, era um cara de vanguarda, progressista, queria mudar o mundo, a situação da sua cidade. Me lembro muito das cenas de comícios, no palanque, e dos discursos políticos. Era um cara preocupado com a saúde, a educação, com o bem-estar do povo da sua região. Foi um personagem cheio de valores. Recorda a cena/sequência mais difícil e a mais divertida que fez na novela? Foram muitas cenas e boas recordações. Entre as mais difíceis, eu citaria as cenas de palanque, eram discursos políticos de três a quatro páginas de texto porque só o Neco falava no comício. E já as cenas divertidas? Ah! Muitas (risos). Trabalhar com Tony Ramos. Oscar Magrini, Mauro Mendonça, John Herbert, com esse elenco incrível, colegas leves que transformavam qualquer set em um ambiente agradável. A gente tinha o intuito de contar essa história sempre com leveza nos bastidores, com carinho e respeito. Quais as principais lembranças que guarda desse trabalho e da rotina de gravação? Tínhamos um ambiente leve, prazeroso, era muito bom estar no set, ir para o trabalho e encontrar todos esses colegas maravilhosos. Era muito divertido, apesar de a rotina ser bem intensa. As fazendas ficavam no Interior de São Paulo, era muito puxado sair antes do dia amanhecer para gravar todas as cenas da fazenda, almoçar, e voltar para os estúdios para gravar mais cenas. Era puxado, mas muito prazeroso. Como foi a repercussão do personagem na época? Até hoje o público fala com você sobre o Neco? Essa novela fez muito sucesso. Era incrível ser reconhecido, abordado, receber esse carinho do público, e até hoje as pessoas falam muito e relembram esse personagem que marcou, e me marcou como profissional. Foi um trabalho muito intenso, um personagem lindo, do bem, ainda recebo esse carinho e atenção das pessoas por causa do Neco. E por isso, acho que essa reprise vai ser sem dúvida um sucesso. Você se destacou recentemente na série Justiça 2 e estará na próxima novela das seis, Garota do Momento. Como enxerga essa boa fase profissional e o que ainda deseja realizar na carreira? Estou muito feliz! Não só no meu momento atual, mas por tudo o que vivi nos meus 43 anos contando histórias. Olho para trás e só vejo grandes trabalhos, encontros, aprendizados, eu sempre digo e repito que nunca estudei na teoria, aprendi na prática. Meus mestres e professores foram os grandes artistas desse País. Feliz demais com tudo que vivi, desde A Gata Comeu, Vale Tudo, Tieta, Cabocla, Sinhá Moça, Hilda Furacão, foram tantos trabalhos marcantes e incríveis que só tenho orgulho. O meu desejo é continuar contando histórias, que até o último suspiro da minha vida eu tenha força para estar contando histórias no teatro, na televisão e no cinema. É isso que eu desejo!