[[legacy_image_230729]] Chegamos ao final do ano e são comuns os balanços, retrospectivas, dados e índices. Dentre eles, como se comportou a economia. Cresceu, ótimo. Caiu, ruim, certo? Talvez, não. Há alguns anos, cientistas de diversas áreas apregoam que devemos decrescer. Inicialmente, a maioria veria tal conceito como absurdo. Sempre aprendemos que o crescimento econômico é uma métrica que representa melhor qualidade de vida. Daí vem a descrença em uma tese, mesmo que defendida até por laureados com o Prêmio Nobel, propondo crescer menos ou até mesmo não gerar crescimento na economia. Para esses pesquisadores, porém, justamente o não questionamento do que classificam como um dogma – crescimento após crescimento – é que não faria sentido, pois o modelo econômico atual nos reduz de seres humanos para consumidores, desde que, obviamente, consumindo. Eles salientam que essa pressão, além de financeira, é psicológica, gera uma falsa sensação de necessidade saciada por novidades, um círculo vicioso que atinge todas as famílias. Economicamente, o decrescimento propõe interromper esse ciclo. Levar a criatividade do mercado para produzir soluções mais duradouras e felicidades menos fugazes. Para esse grupo, formado por cientistas de diversas áreas, isso não só é possível como necessário. Não há saída, pelo simples fato de que a ‘fábrica’, o Planeta, não tem de onde tirar mais e mais insumos. E não pense que esse tipo de pensamento é uma defesa do desenvolvimento sustentável. Eles também são críticos dessa alternativa. Consideram um eufemismo que não altera o modelo. Isso se deve a um tal de Paradoxo de Jevon, uma espécie de ‘efeito rebote’. Acontece quando você faz algo para obter determinado resultado e o que colhe é exatamente o contrário. Um exemplo prático é a energia. Carros movidos a hidrogênio são muito mais eficientes do que a combustível fóssil – poluente da extração até o escapamento. Porém, essa melhoria gera, paradoxalmente, um aumento no consumo, seja pela redução no custo do uso ou pela sensação de que o problema está resolvido. Curiosamente, nos debates, palestras e artigos publicados, esses especialistas salientam que o decrescimento não é uma teoria, mas sim um desafio ao senso comum. Neste momento, a intenção é provocar, colocar o bode na sala e fazer com que as pessoas se deem o direito de questionar. Preciso disso? Posso ter mais dias de folga? Aproveitar além de possuir? Posso? AntieconomiaEm recente artigo, cientistas da Alemanha, Canadá, EUA, Inglaterra e Austrália defendem uma visão de mundo em que o menos é mais, o pequeno é bonito e o ideal econômico é o de uma economia de estado estacionário. Há menos produtos, menos processamento de materiais, a taxa de extração de recursos renováveis é menor do que sua regeneração, os fluxos de poluição estão dentro dos limites planetários, as atividades econômicas são de menor escala e os limites para o crescimento populacional estão alinhados com os limites de uma população finita. Assim, embora uma economia de estado estacionário reconheça que há limites para o crescimento, isso não implica, necessariamente, em contração econômica. E citam o economista ecológico Herman Daly, para quem o crescimento econômico que diminui a saúde e o bem-estar é, na verdade, um “crescimento antieconômico”.