[[legacy_image_322923]] Não costumo escrever pela noite. Prefiro mil vezes acordar às 4h30 e deixar correr no teclado do notebook a madrugada com as palavras que abrem caminho para a manhã. Mas, esta noite, escrevo. São quase 21h. Voltei para São Paulo de manhã, vindo de Praia Grande, onde moram meus pais. Passei o Natal com minha família na casa do meu irmão, em Santos. Encontrei minhas amigas duas vezes. Contextos e pessoas que me reiniciam. Não quis esperar para escrever amanhã. Hoje foi um dia de arrumar coisas, separando aquilo que não quero mais. Que muito precisei. Que agora entrego para ser bom e útil em outras histórias. Neste instante, diante da mesa do meu escritório, vejo pela janela o piscar das luzes da decoração de Natal de um shopping. E é assim que eu desejo meu novo ano que logo chega: brilhando feito luz de festa e sem carregar aquilo que não quero mais. Uma certeza tão grande que cá estou, contrária ao meu horário de escrita, concretizando em texto para que você também sinta merecer brilho e muito mais do que vem recebendo. No momento em que você me lê, faltam poucas horas para 2024. Horas em que alguns dão graças, outros lamentam saudades. Há quem celebre conquistas e quem chore pelas perdas. Em alguma medida, todas e todos têm rituais. Flores que logo estarão no mar. Roupas e lingeries com as cores do que se almeja. Ceias com ingredientes de prosperidade. Orações. Gosto muito dos rituais. Aprendi com minha mãe e minha avó. Não porque o tempo para de correr como todos os dias no 31 de dezembro. Porque é o dia que a vida nos reserva, dentro de um ciclo, para se emocionar por mais esse trecho caminhado. Manter e/ou renovar a esperança. É de saúde e esperança que a gente resiste. Esses rituais costumam ser sobre o que desejamos. Mas te convido, dessa vez, a desejar o que você não quer mais. Pode escrever no papel, no computador, no bloco de notas do celular. Pode ser em pensamento. Ou falar em voz alta. Toma coragem. Respira fundo e diz “não quero mais esse trabalho”, “não quero mais esse relacionamento”, “não quero mais esse hábito”, “não quero mais inventar desculpas”, “não quero mais viver pela metade”, “não quero mais esse lugar”, “não quero mais ser tratada(o) desse jeito”. Não quero mais. Uma avalanche de sentimentos virá. Acolha. Deixa vir. Chora mesmo. Não tem medo. Deixa queimar. Lembra do brilhar? Antes precisa queimar para brilhar. Como os fogos de artifício que à meia-noite vão iluminar céu e mar. A despedida do que você não quer mais é o acender da luz que te falta. Muito obrigada por mais um ano dessa intensa troca de ideias. Por estar aqui, lendo a maneira como entendo o mundo. Que seu novo ano seja, principalmente, de saúde física, emocional e espiritual. Que exista significado e compaixão. Que para cada dor você experimente três alegrias. Que todas as pessoas possam viver com dignidade. P.S.: a música Firework, de Katy Perry, é minha sugestão para arrematar esse nosso último texto de 2023. A letra nos lembra: mostre seu valor, deixe suas cores explodirem, isso sempre esteve dentro de você. Feliz 2024!