[[legacy_image_304481]] Muita gente ainda acredita que o uso indiscriminado dos dispositivos eletrônicos é inofensivo. No entanto, o neurologista Antônio Araújo, membro do Corpo Clínico do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, alerta sobre a chamada demência digital, que afeta o rendimento cognitivo dos usuários. Estudo realizado com crianças pelo Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil de Alberta, no Canadá, apontou que o uso de telas aumentou mais de 50% desde 2020. Isso acaba dificultando a atenção em sala de aula, a leitura regular (estatísticas mostram que apenas 30% dos alunos do Ensino Fundamental leem diariamente) e a memória. Além disso, a dependência digital prejudica a memória e a concentração, já que as informações consumidas superficialmente são rapidamente esquecidas. “A exposição precoce ao mundo digital oferece estímulos intensos em termos de cores e sons, tornando desafiador competir pela atenção dessas crianças em ambientes educacionais tradicionais. Isso leva a uma geração de crianças distraídas e com dificuldades de aprendizado”, alerta o médico. O neurologista ainda ressalta que informações consumidas de maneira superficial e sem conexões emocionais tendem a ser esquecidas rapidamente. “A memória eficaz depende da associação de informações e do vínculo emocional com o conteúdo”, explica. Conforme o especialista, a exposição excessiva às telas pode levar à atrofia cerebral, afetando áreas responsáveis pela memória e concentração. “Esse processo pode ser acelerado, especialmente em crianças e adolescentes, que passam em média 45% do tempo de vigília em frente ao celular. A longo prazo, isso pode resultar em perda neuronal significativa”. Outro fenômeno observado é o “déficit de tela” na educação, “onde a aprendizagem por meio de telas retém apenas cerca de 5% do conteúdo em comparação com a aprendizagem presencial, criando um desafio significativo para a educação”, explica Araújo. Embora a chamada geração Z, nascida entre 1990 e 2010, tenha crescido em um ambiente digital, qualquer geração que desenvolva uma dependência digital está em risco. O que importa é o nível de envolvimento e atenção dedicado às telas, aplicativos e redes sociais. “Não é porque a geração Z cresce juntamente com a tecnologia que ela possui facilidade maior para o vício. Independentemente da idade, se você dedica muito tempo às telas, está suscetível a todos esses malefícios”. Para reduzir esses efeitos negativos, é importante estabelecer limites para o uso de dispositivos eletrônicos. Além disso, é fundamental evitar o uso de telas antes da aula e antes de dormir, retirando a tela pelo menos duas horas antes de ir para a cama. É importante ainda que se evite televisão no quarto e que os pais monitorem cuidadosamente o conteúdo acessado por crianças e adolescentes. “Essas medidas são cruciais, já que o uso responsável de dispositivos eletrônicos é essencial para proteger a saúde cognitiva das gerações atuais e futuras, bem como para garantir um desenvolvimento educacional saudável e produtivo”, ressalta o neurologista. Limites As recomendações da Sociedade Americana de Pediatria incluem: Abaixo de 6 anos: Proibido o uso de telas Entre 6 e 12 anos: Limite diário de 30 minutos a 1 horaAcima de 13 anos: Limite diário de 2 horas Redes sociais: Apenas acima de 16 anos de idade