[[legacy_image_242483]] Cientistas brasileiros acreditam ter encontrado no veneno das tarântulas uma nova arma que poderá auxiliar a humanidade em uma guerra que estamos perdendo: a luta contra as pragas que atacam as lavouras. O grupo, que inclui pesquisadores norte-americanos, conseguiu isolar moléculas no veneno que podem se transformar em uma estratégia conhecida como controle biológico. Esse método consiste em identificar os inimigos naturais dessas pragas e utilizá-los para combater a sua disseminação na lavoura. Substâncias naturais, como o veneno de aracnídeos, também podem ser empregados. O Brasil é um dos países com o maior histórico em estudos sobre controle biológico na agricultura, boa parte feito pelos cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Infelizmente, parte desse conhecimento não é transferido para o campo. Hoje, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo, uma indústria que movimenta bilhões de dólares no Planeta. O problema com essa abordagem é que as pragas podem desenvolver novas maneiras de contornar os pesticidas de forma mais rápida do que os pesquisadores podem desenvolver produtos mais eficazes. Vivemos, dessa forma, uma espécie de corrida armamentista em que os inimigos estão sempre em vantagem. E, para piorar, há ainda outro desdobramento nocivo: a contaminação do solo, água e trabalhadores. Por isso, estudos como o que envolve o veneno da tarântula, feito por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e do Instituto Butantan, são uma alternativa e uma esperança por alimentos saudáveis. Além de não haver um nível seguro para aplicação dos agrotóxicos, também não há como retirá-los das frutas, verduras, tubérculos e legumes. Lavá-los de nada adianta e uma das opções, os alimentos orgânicos, produzidos sem agrotóxicos, ainda não alcançam produção suficiente para atender a toda a demanda, o que faz o seu preço ser superior aos convencionais. Por isso, muitos países vêm, nos últimos anos, reduzindo e até mesmo proibindo algumas classes de pesticidas. No Brasil, porém, ocorre o inverso, com a manutenção de muitos desses produtos no uso diário dos agricultores. É certo que o controle biológico, sozinho, não resolverá o problema, assim como os próprios agrotóxicos. Todavia, eles têm o potencial de reduzir a contaminação, ao mesmo tempo que abrem novos mercados (e empregos) para os nossos produtos no exterior. Equilíbrio A natureza é uma intrincada cadeia de presas e predadores. Quando em equilíbrio, a vida prospera. Há muito tempo, o ser humano percebeu que é possível aproveitar essas relações em benefício próprio. Um dos exemplos mais simples e cotidianos são os insetos conhecidos popularmente como joaninhas. Eles se alimentam de cochonilhas e pulgões (foto), que atacam as plantas. E as joaninhas, por sua vez, são alimentos, entre outros, de aves. Hoje, com o avanço da ciência, é possível ir além, como no caso do veneno das tarântulas, em que os cientistas já são capazes, a partir de uma ínfima quantidade, criar substâncias naturais que podem ser utilizadas na proteção das culturas alimentares, com baixo ou nenhum dano colateral.