[[legacy_image_357886]] No outono, com a elevação da temperatura, aumentam as ocorrências de gripes e resfriados, principalmente em crianças. Nesse período, ocorre a diminuição da umidade relativa do ar e as partículas que carregam vírus ficam suspensas por muito mais tempo, aumentando as chances de os pequenos se contaminarem. Além disso, eles permanecem mais tempo em ambientes fechados, como as salas de aula, onde há compartilhamento de brinquedos e objetos, facilitando ainda mais a contaminação por micro-organismos. Assim como a vacina contra a gripe é importante na prevenção, a prática da lavagem nasal com soro fisiológico também surge como uma aliada importante para evitar gripes e resfriados, ajudando também no tratamento dessas condições. Muitas pessoas, inclusive, já deixaram de fazer uso constante de remédios como antialérgicos e descongestionantes, que possuem efeitos colaterais, depois que passaram a lavar diariamente o nariz com soluções salinas. Sofia Borges, médica otorrinolaringologista, explica que, devido ao sistema imunológico ainda imaturo, as crianças precisam de cuidados extras. “O acúmulo de muco no nariz favorece a entrada de vírus e bactérias no organismo. E a lavagem nasal é reconhecida por sua eficácia em eliminar vírus das vias aéreas. Então, deve passar a fazer parte da rotina de toda a família. A lavagem nasal deve ser feita todos os dias, mesmo em crianças saudáveis, como forma de prevenir as contaminações, na tentativa de eliminar micro-organismos presentes apenas nas narinas e seios nasais e que não tenham ainda penetrado no organismo. Além disso, a lavagem mantém a mucosa úmida, hidratada e é muito importante mesmo em climas mais secos”. No entanto, mesmo com os cuidados preventivos, se a criança adquirir uma doença respiratória, a lavagem deve continuar sendo feita para retirar as secreções em excesso e ajudar a criança a respirar. “Na fase da doença, a limpeza ajudará a reduzir a inflamação que está provocando as secreções e aliviará sintomas respiratórios. Ao eliminar o muco das paredes do nariz e da face, essa técnica remove vírus alojados na região e reduz os desconfortos causados pela inflamação”, esclareceu a médica. A higienização do nariz não apenas limpa as vias aéreas, mas pode até mesmo impedir a evolução de um resfriado. “Assim, tentamos evitar, por exemplo, que surjam infecções secundárias, oportunistas, de bactérias que se acumulam por baixo das secreções que ficam no rosto, e que geram infecções como a sinusite”, reforçou a especialista. A higiene nasal pode ajudar até mesmo a prevenir otites, pois há uma ligação estreita entre as vias respiratórias superiores e os ouvidos. A especialista ainda ressalta que ao notar que roncos, chiados e a dificuldade de respirar continuam, mesmo com o nariz desentupido, os pais devem procurar o médico para avaliar algum outro problema respiratório, como a bronquiolite, por exemplo. Segundo e médica, mesmo os bebês de até 6 meses podem usar sprays de nariz à base de água e sal, específicos para essa faixa etária, na quantidade de 1 ml. Já na fase dos 6 meses a 6 anos de idade, a quantidade varia de 3 ml a 20 ml. Lavar o nariz de crianças nem sempre foi uma tarefa fácil. A médica Sofia Borges conta que muitos pais reclamam ou desistem de fazer a higiene das narinas porque as crianças choram e têm medo do procedimento ou acabam fazendo o procedimento com seringas inapropriadas. Hoje, já existem no mercado lavadores nasais lúdicos, com designs divertidos, que tornam a tarefa mais atrativa para as crianças. “Embalagens com opções de animais, heróis, da Patrulha Canina e com a Galinha Pintadinha, podem facilitar e até transformar esse ritual em algo mais divertido. Utilizar uma seringa tradicional de injeção para realizar a higienização do nariz das crianças faz com que o processo seja traumático e menos seguro. O ideal é optar por dispositivos de material atóxico e com orientação da quantidade ideal de soro”.