[[legacy_image_316305]] Já falei algumas vezes aqui neste espaço dos filmes de Natal, que são quase sempre produções leves, divertidas, com um toque de magia e mensagens otimistas. Mas para fechar o assunto neste ano dou a dica de um filme que vai na contramão de todo esse conceito: Uma Invenção de Natal, drama musical da Netflix cheio de números de canto e dança, produção bem-cuidada e ótimos atores nos papéis principais, como o protagonista, feito pelo ganhador do Oscar Forest Whitaker. A história gira em torno de um fabricante de brinquedos genial, mas muito inocente, que, à la Gepeto, cria um boneco com personalidade própria e sonha em colocá-lo nos braços de cada criança do mundo. O problema: a personalidade do boneco é própria, mas não é muito honesta nem ética e ele manipula o ajudante do inventor para roubar suas ideias, o que de fato acontece, e mantê-lo como único boneco falante do mundo. Uma verdadeira tragédia se abate sobre a vida deste homem, que perde a família, entra em depressão e vê, ao longo dos anos, o antigo ajudante construir um verdadeiro império a partir dos projetos de brinquedos roubados, enquanto ele amarga a pobreza e a solidão, inclusive da filha, que era a pessoa que ele mais amava. Tudo começa a mudar no dia em que sua neta chega de surpresa para visitá-lo e, não tendo como mandá-la de volta, a abriga em sua casa. Com um temperamento bem parecido com o que o avô costumava ter, a menina é a chave para um resgate da alegria de viver do velho fabricante de brinquedos. Tudo é muito colorido e exagerado, propositalmente, assim como é o Natal. Apesar de ter uma carga dramática muito forte, há momentos de pura comédia. O próprio boneco Don Juan sem caráter, que tem a voz do cantor Ricky Martin, é puro deboche e exagero. No papel de narradora da história (cuja ligação com o protagonista só vamos descobrir ao final do filme) está Phylicia Rashad, conhecida como a esposa de Apollo Creed nos filmes da série Rocky. Também chama a atenção o ótimo Keegan-Michael Kay, ator visto recentemente na série Schmigadoon, da Apple TV, bom de canto e de dança e muito expressivo. Ele vive a versão contemporânea do antagonista da história, que faz de tudo, o tempo todo, para deixar o antigo patrão ainda mais triste. O filme é cheio de surpresas e de energia. Quem produziu o filme foi o músico John Legend, o que por sí já é uma garantia de qualidade e potência musical. Repare ainda em toda a concepção dos cenários e objetos, que seguem uma linha meio steampunk, à la Hugo Cabret. Um filme de Natal daqueles clássicos, que cativam e te fazem acreditar na bondade humana (afinal, este é o principal objetivo dos filmes de Natal). Se curte musicais, não deixe de ver!