[[legacy_image_248169]] A energia, seja de uma ancestral fogueira ou a partir de um gerador de hidrogênio, proporcionou o que somos hoje e nos ditará o futuro, quando a cada dia buscaremos incessantemente qualquer nova fonte de força, nem que para isso tenhamos que colhê-la. O termo ‘colher energia’ pode soar estranho, mas a tecnologia envolvida pode tanto ser simples e até mesmo prosaica como altamente sofisticada, indicando um amanhã que beira os melhores filmes de ficção científica. Primeiro é preciso se atentar para o fato de que há muita energia ao nosso redor. Basta esfregar um pente no cabelo para atrair pedacinhos de papel. Eletricidade estática. Captar esse recurso com eficiência é o desafio, que já nos rendeu utensílios clássicos, como o acendedor de fogão Magiclick, criado na década de 1960. A mágica, no caso, é a piezoeletricidade, encontrada em certos metais que geram descargas ao serem comprimidos. Com eles, sensores de última geração, capazes de coletar energia até mesmo da vibração causada pelo ruído das cidades, darão suporte a inúmeros serviços. Você pode imaginar uma rede urbana captando qualquer sinal de um ataque cardíaco até um telhado onde os impactos das gotas de chuva produzem eletricidade. O atrito também é outra fonte para se colher energia. Podemos obtê-la da passagem de um líquido por um tubo, mantendo detectores de vazamentos sempre alertas. Em tese, até o sangue que corre em nossas veias poderia gerar carga elétrica suficiente para alimentar nanoimplantes para biomonitoramento on-line, 24 horas por dia. É um universo de oportunidades, coletando energia até mesmo do movimento de nossos sapatos e roupas, por meio de minúsculas fibras, centenas de vezes menores do que um fio de cabelo. Essa tecnologia segue a passos rápidos, com avanços aos pulos. Recentemente, uma equipe canadense aumentou em 400% a potência coletada. Já outra, sul-coreana, aumentou a sensibilidade a vibrações em 1.400%. Em todos esses casos, vale ressaltar, a quantidade de eletricidade gerada é muito pequena. Mas possibillita o funcionamento contínuo dos equipamentos, sem recarga ou até mesmo baterias. Gratuita e independente, pode alcançar todo o planeta. E mesmo que nunca venha a ser a fonte preponderante, promete desdobramentos cujo limite pode ser a imaginação. ApostaUm trilhão de sensores precisam estar em funcionamento até 2025 para que a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) se expanda. E, para isso, colher energia é uma das maiores apostas. Mas interligar tudo ao nosso redor, seja dentro de casa, nos aviões, carros, comércios, viagens e hospitais, depende de sofisticados sensores para o funcionamento contínuo desses pequenos aparelhos – autônomos, interconectados e frequentemente sem fio. Hoje, eles dependem de centenas de milhares de baterias, que a colheita de energia pode até eliminar de lixões e aterros.