[[legacy_image_178028]] O diretor, roteirista e comediante norte-americano Akiva Schaffer se tornou conhecido pelo trabalho no The Lonely Island, grupo de comédia que criou junto com o ator e produtor Andy Samberg e o roteirista, ator e diretor Jorma Taccone. Mas, em seus projetos individuais, Akiva costuma ficar nos bastidores, longe dos refletores. Entre esses trabalhos estão textos para o programa Saturday Night Live. A mais nova empreitada do norte-americano é Tico e Teco: Defensores da Lei, filme que dirigiu para o Disney+ e um dos lançamentos do streaming neste fim de semana. No longa, que mistura live action com animação, Tico e Teco estão separados, com a amizade estremecida, devido a problemas no passado. E cada um leva a própria vida numa Los Angeles (EUA) em que seres humanos e desenhos animados convivem lado a lado. Só que, com o sumiço de um antigo colega, os dois retomam a famosa parceria para resolver esse mistério. Na entrevista a seguir, Akiva conta como foi rodar o filme em fase mais severa da pandemia. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Além do Tico e Teco, o filme reúne vários outros personagens clássicos dos desenhos animados. Como foi trabalhar com tantos ícones da infância de muita gente?Isso foi parte do sonho de fazer esse projeto. Eu nunca tinha trabalhado com a Disney antes e, quando li o roteiro pela primeira vez em 2019, ficou claro que havia muitas possibilidades nesse filme, justamente por ele colocar no mundo real, entre nós, personagens de desenhos animados que crescemos vendo. E alguns deles não pertencem à família da Disney; são dos anos 40, de videogames... Foi animador fazer algo assim. Lembro de um momento surreal no estúdio em que, de repente, o homem que estava na minha frente começou a falar como o Roger Rabbit. Fiquei encantado com aquilo. Memórias da minha infância vieram à tona. Eu era pequeno quando o Roger Rabbit estreou no cinema. Existem regras para se utilizar personagens tão tradicionais ou vocês tiveram liberdade para criar o que bem entenderam?Quando o roteiro estava sendo escrito e na hora em que fomos rodar as cenas, nós procuramos fazer o que queríamos. Depois, mostrávamos o material para a Disney dar o seu parecer. Muitas vezes, eles falaram: “OK. Tudo bem”. Mas houve alguns casos em que sinalizaram que tínhamos ido longe demais e que não estavam confortáveis com aquilo. A única orientação prévia que recebemos foi não mexer e nem brincar com o que chamam de quarteto fabuloso, ou seja, o Mickey, a Minnie, o Pato Donald e o Pateta. No geral, a Disney foi incrível, nos deu aval para diversas coisas. Uma marca sua é ajudar a escrever os roteiros dos seus trabalhos. Isso aconteceu nesse projeto?Estou acostumado a escrever os textos do que faço com o Andy Samberg e o Jorma Taccone no grupo The Lonely Island. Um exemplo foi o roteiro do filme Popstar: Sem Parar, Sem Limites. Mas há situações em que eu simplesmente recebo o script, leio e aceito dirigir aquele projeto, por estar empolgado com o que tenho em mãos. Tico e Teco: Defensores da Lei entra aí. Não posso negar que tem muito de mim no longa, só que imprimi essa minha marca enquanto estávamos filmando as cenas e no processo de pós-produção do material. [[legacy_image_178029]] O filme foi rodado durante a pandemia de covid-19?Sim. Começamos a montar o storyboard e a colocar as coisas juntas em janeiro de 2020, dois meses antes do início da pandemia. Naquela época, a equipe inteira estava trabalhando em um grande escritório. Aí, quando a pandemia foi decretada, paramos tudo por um período. Com o tempo, percebemos que daria para retomar o projeto de uma maneira remota. A primeira prévia conceitual do filme, de nove minutos, foi preparada assim: eu trabalhei isolado na minha casa, e o editor de imagens fez as coisas da casa dele. Eu mesmo gravei as vozes dos personagens, com o meu iPhone. Somente fomos rodar o filme para valer em fevereiro do ano passado. Havia muitas restrições no set?Tivemos de seguir um monte de protocolos. Não foi fácil. Mas houve o facilitador de, pelo menos, estar filmando em Los Angeles (EUA). Como é onde eu vivo, não precisei me deslocar para fora da cidade. Também ajudou o fato de que várias cenas não tinham atores interagindo e, sim, desenhos. Por acaso, a forma de fazer um filme para o streaming é muito diferente de rodar algo para o cinema?A primeira versão do roteiro de Tico e Teco: Defensores da Lei foi escrita em 2015, 2016. Ou seja: inicialmente o filme ia ser exibido no cinema, pois ainda não existia o Disney+. Mais tarde, quando o streaming foi anunciado, achou-se que o longa cairia bem na plataforma, por se tratar de algo mais experimental e um pouco diferente do que a Disney está acostumada a fazer com os seus personagens clássicos. Quanto à forma como trabalhamos, há situações em que realmente existem diferenças entre fazer algo para o cinema e para o streaming. Especificamente nesse projeto, filmamos como se fosse para ser exibido no cinema. Até na pós-produção levei isso em conta, no jeito como corrigi as cores e mixei os sons.