[[legacy_image_138729]] O céu, seja como guia espiritual ou das rotas pelo mundo, é esquadrinhado pelo ser humano há milênios. Mas, agora, estamos prestes a olhar onde ninguém jamais olhou. Essa nova possibilidade é fruto de um projeto cercado de vários incidentes. De modo que parece que só mesmo a teimosia humana, resultado do nosso encanto pelo céu, é que permitiu a existência do recém-lançado telescópio espacial James Webb. Trata-se do maior e mais distante telescópio já colocado no espaço – e o mais caro, pois seu orçamento, de iniciais US\$ 500 milhões, em 1996, chegou a US\$ 10 bilhões. A expectativa é enorme e deve-se à revolução proporcionada pelo telescópio Hubble (1990), que começou “caolho”, graças a um defeito em seu espelho, e terminou gerando imagens surpreendentes do universo. O que veremos agora? Se tudo correr como esperado, viajaremos no tempo, para ver a formação das primeiras galáxias. E mais, muito mais. Talvez sejamos capazes de encontrar vida por meio da presença dos elementos básicos para a sua existência. Isso porque o Webb verá a luz infravermelha. Em outras palavras: ele enxerga o calor. E graças a isso, alguns dos 250 estudos já previstos para o Webb irão focar no próprio Sistema Solar, à procura desses gases e moléculas. Está começando uma nova aventura, uma nova forma de ver o céu. Como os assírios, babilônicos, egípcios, celtas, maias e tantos outros povos, nós agora ampliaremos a nossa visão do firmamento. E você... já olhou para o céu hoje? [[legacy_image_138730]] Legado do HubblePouco mais de 30 anos após ser colocado em órbita, o Hubble redefiniu muito do que imaginávamos sobre o universo. A começar pela sua idade: 13,7 bilhões de anos. Isso só foi possível graças à capacidade com que o telescópio espacial conseguiu medir o brilho de certas estrelas. Outro feito do Hubble, que lhe rendeu a alcunha de “caçador de buracos negros”, foi detectar as evidências que permitiram afirmar que a maioria das galáxias possui um desses corpos celestes. E se o universo já era o maior sinônimo de algo incomensuravelmente grande, com o Hubble essa escala foi definitivamente rompida. Tudo graças a uma decisão inusitada: apontar o telescópio, durante dez dias, para uma região, até então, totalmente vazia do espaço. Naquele pequeno trecho, para a surpresa de todos, detectou-se nada menos do que 3 mil galáxias. E partindo da premissa de que cada galáxia possui centenas de bilhões de estrelas, imagine a quantidade de planetas existentes... Para muitos, essa foi a foto mais importante da humanidade. Por falar em planetas, o Hubble também surpreendeu nesse quesito. Foi o primeiro a detectar atmosfera em um planeta fora do Sistema Solar. Poderíamos, aqui, citar diversas outras descobertas, assim como, obviamente, várias dúvidas e novas perguntas geradas ao longo de toda a vida desse telescópio. Perguntas que levarão gerações para serem respondidas. Mas, com certeza, o fascínio gerado pelo Hubble talvez seja o maior dos seus legados. A realidade, com ele, se mostrou definitivamente mais deslumbrante do que qualquer ficção poderia supor. BenefíciosMuitos imaginam que investir dinheiro na exploração espacial é um desperdício, um luxo diante de tantas outras prioridades. Porém, os ganhos são imensos em diversos campos, como a Medicina. O estudo da luz, por exemplo, fundamental no desenvolvimento de um telescópio, está gerando novos e promissores tratamentos para o câncer. A nova técnica é tão inovadora que o tratamento, além de se mostrar capaz de eliminar por completo tumores, não causa danos colaterais e dispensa até mesmo cirurgias e anestesias. PolêmicasA história do novo telescópio da Nasa é repleta de problemas e polêmicas. Começa com seu custo, que subiu tão rápido como um foguete, passando por inúmeros percalços (defeitos e acidentes) que marcaram sua construção e, mais recentemente, seu nome. James Webb foi diretor da Nasa de 1961 a 1968. Decidiu-se homenageá-lo, mas documentos apontam que ele participou da elaboração de políticas discriminatórias contra homossexuais. Já há comissão definida para estudar um novo nome. GuiaTodos os meses, mesmo para quem vive em centros urbanos, cercado e ofuscado por luzes artificiais, ainda é possível se encantar com o céu noturno. Uma dica é utilizar a lua como guia. Ao longo do ano, estrelas, planetas e constelações se posicionam temporariamente “ao lado” de nosso satélite, ajudando na localização e identificação de corpos celestes. Por meio de simples pesquisa na internet é possível usar esse recurso e descobrir, a cada mês, um pouquinho do universo que nos cerca.