(Priscila Prade/Divulgação) Atriz, diretora e roteirista, Susana Ribeiro é um rosto conhecido. Começou sua carreira em 1987 no teatro e depois esteve em várias novelas, minisséries, seriados e filmes. Agora, ela acaba de estrear no papel de mãe de Ayrton Senna, Zaza, na série Senna, da Netflix. Antes já tinha dado vida à mãe de Cazuza em musica. Além disso, está nos palcos com uma comédia de sua autoria, Sonhei com Você. Como foi a preparação para fazer a mãe do Ayrton Senna, um ídolo tão importante para o brasileiro, na série que acabou de estrear? Foi uma honra muito grande. Ela era uma mulher muito forte dentro da família e muito presente na vida do Ayrton. Eles eram muito amigos, isso eu descobri pesquisando, conversando com a filha dela, Viviane, e com a Bianca, filha de Viviane, sobrinha de Ayrton e neta da Zaza. Elas me falando da mãe e da avó, respectivamente, deu para perceber que ela era e é essa figura firme, doce e generosa, mas muito forte, próxima e cúmplice do filho, tanto que ele recorria muito a ela para ter os conselhos, ele sempre ouvia muito o que ela tinha para dizer. Acho bonito construir uma personagem que seja forte, doce e amorosa ao mesmo tempo. Penso que esse foi meu grande desafio e meu maior prazer em fazer a mãe desse grande ídolo. Você costumava assistir às corridas? Era também uma fã de Senna? Eu não costumava assistir às corridas, mas quando o Senna corria, a gente sempre assistia um pedaço, porque passava depois no jornal ou porque meu pai e meu irmão eram muito fãs, então eu acabava vendo, ou porque durante as entrevistas vinham uns trechos das corridas. O Ayrton sempre protagonizava cenas muito emocionantes desse esporte, então acho que mesmo quem não era ligado à Fórmula 1 acabava conhecendo um pouco desse universo, por conta do Senna, então eu era muito fã, sim. Ele era um orgulho nacional e eu achava o máximo. Acho que os fãs vão amar a série. É uma forma de trazer de volta todas essas emoções que ele nos proporcionou, que viveu no esporte, na vida dele e na história. O que é bonito também dessa série é que ela apresenta a história do Ayrton Senna para todas as gerações que não o conheceram, que não tiveram a chance de assistir às corridas na época, que estão agora chegando e que vão saber quem é essa personalidade tão importante da nossa história, do Brasil. Qual o momento mais emocionante e difícil na gravação? Foi muito emocionante gravar as cenas. Elas eram emocionantes por diversos motivos, seja porque a mãe estava tão feliz com as vitórias do filho, assistia às corridas e suas vitórias, estava nos autódromos e compartilhava daquela emoção, das vitórias, de toda aquela luta para vencer. E ela ali perto, aquilo sempre muito emocionante. Também cito as cenas duras e difíceis do final da série, que falam sobre o acidente fatal dele, a morte e a dor para a família, para essa mãe, que era tão apaixonada por esse filho. Com certeza, esse foi o momento mais difícil de gravar, no sentido dessa emoção doída, mas acho que mesmo na cena da constatação do falecimento dele, a gente tentou imprimir, eu pelo menos tentei imprimir, um sentimento de honrá-lo, de enaltecer a trajetória e a vida dele. Acho que a Zaza, a mãe dele, é uma mulher forte a ponto de entender que a paixão do filho era correr. Ganhar se tornava uma consequência, e perdê-lo dessa maneira é uma tragédia, mas é ainda a história da vida dele e ela honra isso de uma maneira muito linda, muito inteira, isso eu acho emocionante de saber e de fazer acontecer ali na cena. Você também já atuou como mãe do Cazuza. Como é fazer personagens que existem? Sempre traz uma responsabilidade a mais, mas também é ótimo quando você pode entrar em contato com essas pessoas ou com a família dessas pessoas. No caso do Cazuza, eu falei com a própria Lucinha Araújo, que eu acabei interpretando no musical, e ela foi muito generosa comigo desde o início, me encantei com ela. É uma mulher espetacular, e para ela eu pude perguntar o que ela não gostaria que fizesse, o que não queria ser em cena, e ela disse: “Olha, você faça o que você quiser, te dou carta branca, só não me põe o tipo de uma pessoa muito séria” (risos), e eu achei aquilo sensacional, porque ela me deu a chave do humor, na verdade, o que ela estava querendo dizer é: “Faça tudo com humor também, traga alegria, traga vida a essa personagem”, e eu fiquei muito feliz. No caso da Zaza, da dona Neyde, mãe do Ayrton Senna, eu não tive contato direto com ela, mas com a Viviane e a Bianca, filha e neta. O mais importante é você capturar, tentar chegar perto do espírito da coisa, você sabe que não vai fazer a pessoa, eu não procurei imitar ninguém e nem procuro parecer fisicamente com ninguém. Acho que me aproximo o máximo que posso me conectando com o espírito daquela pessoa, como aquela se comporta, age e fala, e vou entendendo ali pela dinâmica, pelo ritmo, pela temperatura, um pouco daquelas almas e tento me conectar com ela para poder criar minha própria ficção em cima disso, porque é claro que isso é um ponto de vista meu de atuação. Além de Senna, você está retornando com um espetáculo de sua autoria no teatro. Conte um pouco da história de Sonhei com Você. Estou muito feliz com a peça Sonhei com Você porque ela é um sonho que estou realizando. Sonhei com essa peça nos últimos três anos. É uma comédia que eu chamo de comédia noturna, porque ela é humorada, ela traz um diálogo divertido e espirituoso entre essa personagem que eu faço, a Simone e o personagem Daniel, interpretado pelo ator Nicolas Vargas. Somos só nos dois em cena, é um encontro inesperado entre duas pessoas que normalmente não se encontrariam, de mundos, gerações e classes sociais diferentes, mas esse diálogo acaba trazendo muita cumplicidade e uma intimidade gostosa entre eles e com isso, eles vão falando sobre os mais diversos assuntos. Acho que a gente fala muito dessa sociedade narcísica, que vive muito voltada para a imagem, para esse lugar de todo mundo ensimesmado com a própria imagem e com pouca escuta real para o outro, então acho que a peça é um exercício de escuta de diálogo e fala sobre isso de uma forma sutil e eu espero que empática também, porque a ideia é estar bem pertinho do público, a gente está fazendo num espaço pequeno, com o público pertinho da gente para justamente criar esse ambiente gostoso e essa sensação de estarmos todos dentro do apartamento da personagem, falando sobre esses temas. Todos os temas são da nossa atualidade, do nosso cotidiano, os nossos preconceitos, as nossas crenças, os nossos medos, as nossas inseguranças, porque isso, afinal de contas, é comum a todos nos, não faz diferença, tem tudo quanto é jeito, tem tudo quanto é gente. Quais são seus outros planos para 2025? Continuar com a peça Sonhei com Você, que estreou agora em São Paulo, e viajar com ela pelo Brasil. Também estou desenvolvendo séries de ficção, mas não posso falar exatamente ainda sobre porque estou iniciando agora como roteirista em duas salas de roteiro, são projetos que eu estou começando a desenvolve. Quero muito voltar para a teledramaturgia. A coisa da escrita para mim nos últimos quatro anos foi muito forte, acho que aproveitei a pandemia e o pós-pandemia para tirar da gaveta todos os meus projetos que nunca tive coragem de terminar e terminei, então estou com eles para captar, produzir, fazer acontecer.