(Lucas Vianna/ Divulgação) Com uma trajetória marcada por versatilidade e personagens aclamados pela crítica especializada, o ator pernambucano Allan Souza Lima se prepara para dar novos passos promissores, focando também em produções internacionais. Para isso, pretende morar fora do País no próximo ano. Enquanto isso, podemos vê-lo em vários trabalhos no streaming e, recentemente, em sua impactante participação na novela Mania de Você, da TV Globo. Protagonista da série Cangaço Novo (Prime Video), que em seu lançamento alcançou o Top 10 em 49 países e explora a diversidade do Nordeste de forma visceral e genuína, o artista trabalhou em um pano de fundo que aborda temas duros, como os desafios de sobrevivência e os desmandos políticos do coronelismo. Paralelamente à gravação da nova temporada da produção, ele teve participação especial nos primeiros capítulos da novela global, formando par com a atriz Mariana Ximenes e dando gancho para desdobramentos importantes da trama. Multifacetado, deu seus primeiros passos no mundo artístico ainda criança, por meio da música, influenciado por seu antigo vizinho, Chico Science, e hoje é também diretor, roteirista e produtor. Nas artes cênicas, Allan já atuou em três idiomas. Além de participar de diversas produções em sua língua nativa, ele explorou o espanhol em A Cabeça de Gumercindo Saraiva e, recentemente, o francês, no filme La Salamandre. Com 35 prêmios que reconhecem suas performances à frente e por trás das câmeras, incluindo o Kikito de Ouro de Melhor Ator no Festival de Gramado 2016, Allan também foi finalista do programa Dancing Brasil, revelou uma faceta ainda não explorada. Além disso, demonstrou seu talento na fotografia com a exposição Sertão Íntimo, onde reuniu 11 obras produzidas durante os oito meses de filmagens no sertão cearense. Sua participação em Mania de Você teve muitas reviravoltas, com seu caso com a Ísis (Mariana Ximenes). Como foi fazer essa novela com um autor (João Emanuel Carneiro) conhecido por suas tramas intensas? Eu acho que João consegue trazer de forma muito simples e direta a relação sombria entre os personagens. Isso é muito difícil, principalmente dentro de uma novela. Mas ele consegue conduzir essa situação de uma forma genial. Fiquei muito feliz com esse convite, de estar participando desse trabalho junto com a Mariana Ximenes, que é uma atriz que eu admiro. Acredito que conseguimos conduzir de uma forma muito bonita a trajetória desse trabalho. Apesar de ter sido uma participação, foi uma passagem meteórica, né? Acho que serviu para dar ganchos à condução narrativa na história. Há atores que ficam mais conhecidos pelo cinema, alguns no streaming, outros nas novelas ou teatro. Você circula por todos os meios, arrematando prêmios por onde passa. E ainda dirige e roteiriza. Tem alguma preferência? Na verdade, eu sou um apaixonado pela sétima arte. Sempre fui e sempre gostei muito de fazer cinema. Mas eu acho que o ator tem que transitar, o teatro é muito importante, a televisão... Cada um tem a sua linguagem. Acima de tudo, o teatro é muito importante para o ator. Há algum tempo que eu não faço teatro e estou sentindo falta. Sinto falta também de voltar a dirigir, faz muito tempo que eu não dirijo e estou sentindo um pouco dessa necessidade. Sempre gostei de transitar dentro do meu trabalho. Eu digo que a atuação alimenta o meu alter ego. Ela queima meus demônios. A direção traz um pouco da minha megalomania, do poder da maestria que o diretor, o encenador tem. Já a fotografia me acalenta, me acalma. Essa é minha tríade nesse momento da minha vida. Recentemente, você também fez a exposição fotográfica Sertão Íntimo, com imagens do sertão paraibano. Como surgiu essa vontade? Você fez cursos? Eu sempre fotografei. Não lembro desde quando, mas sempre tive uma paixão pela fotografia e sempre fotografei muito os bastidores dos meus trabalhos como ator. Sempre estava registrando com um olhar meu específico, o meu olhar sobre o trabalho. Falando agora, me lembro que em Novo Mundo, quando fiz a novela, registrei muitas fotos dos bastidores e, naquela época, eu vi que eu tinha um material muito bacana. Muita gente falou que adorou minhas fotos e foi quando gerou meu primeiro quadro. Foi a partir dali que eu acho que comecei a brincar realmente de fotografia. Depois disso, realmente resolvi levar a sério quando eu comecei a primeira temporada de Cangaço Novo. Eu tinha o objetivo de fotografar e sempre trato isso como uma meta na minha vida. Quando comecei a desenvolver esse trabalho de fotografia, eu já estava no foco de fazer uma exposição, não sabia de que forma nem quando, mas era meu foco. E isso tudo gerou o Sertão Íntimo, que é uma parceria com o J. Andrade. Além de atuar e fotografar, você mostrou seu talento na dança chegando à final do Dancing Brasil. Foi um desafio? Eu digo que o Dancing Brasil, por incrível que pareça, foi um dos processos mais incríveis que eu vivi de trabalho, de criação. Eu digo que foi uma faculdade de dança que tive durante o período, nos meses em que estava lá, fazendo parte do programa junto com a Carol Dias, que é uma bailarina incrível. Nós criamos uma amizade e uma parceria muito grande, tanto que a última peça que dirigi, um pouquinho antes da pandemia, ela fez a direção de movimento, e como estou com vontade de voltar a dirigir, a gente vem conversando sobre possibilidades de criação. Gosto muito da música e da dança dentro do meus trabalhos, isso é uma coisa que percebi como diretor. Eu sempre gosto de pontuar isso, gosto do movimento. Então, acho que no Dancing Brasil, além de ter proporcionado um aprendizado muito grande, uma consciência corporal incrível, ganhei uma parceira, uma amiga que é a Carol Dias, que é uma pessoa supertalentosa na dança. Na sua trajetória mais recente, a série Cangaço Novo se mostrou um sucesso de público e crítica. Vocês esperavam essa receptividade? A que você atribui o bom desempenho? Vamos ter mais temporadas? A gente sempre cria uma certa expectativa em relação à receptividade do público em todo trabalho, isso é inerente. Mas cabe ao público decidir isso, nós nunca sabemos. Só vamos entender mesmo quando estreia o nosso trabalho. O público decide se algo continua ou se para, definindo o rumo da nossa narrativa, da história. O desempenho desse trabalho, onde a gente chegou, veio muito da nossa união como equipe, do nosso trabalho, da família que criamos. Óbvio que a gente decidiu isso em conjunto desde o início do processo, que a forma como a gente traria o processo de trabalho do Cangaço Novo seria uma coisa muito visceral. Isso tem uma natureza muito forte para trazer a potência do que é a história, mas para isso acontecer – porque existe uma densidade física e emocional, com desgaste muito grande – a gente precisou estar unido. Criamos uma relação muito bonita dentro do nosso trabalho em todos os departamentos. Literalmente, a gente virou uma família de mãos dadas ali. Espero que ocorram mais temporadas, mas é apenas uma torcida. Por enquanto, o que temos certa é a segunda temporada. Você postou um depoimento em defesa da sua namorada, Rafa Kalimann, que atuou em sua primeira novela e vem sofrendo uma série de críticas na internet. Há atores, como Vladimir Brichta, que preferem não ter redes sociais. Você entra muito nas suas contas? Como é sua relação com as redes? Eu tenho uma relação com rede social muito pontual, passo pouco tempo do meu dia nelas. Acho uma plataforma importante para um artista, para mim como ator, ter esse jornal on-line autoral, até porque a gente tem que entender que o mundo mudou e a rede social hoje é uma porta de visibilidade do nosso trabalho, sem sombra de dúvida. Me lembro que depois da primeira temporada de Cangaço Novo eu preferi me ausentar das redes sociais, só postava minhas notas acompanhando o meu processo, mas me ausentei. Não via stories de ninguém, porque queria emergir dentro desse trabalho. Me lembro que depois disso, quando eu voltei, não senti necessidade e foi a partir dali que eu silenciei tudo do meu Instagram. Acho importante o respeito a quem faz o uso dela da forma como acha melhor, cada um tem direito de fazer o que quiser, mas eu prefiro sempre trabalhar no meu silêncio. Gosto de ter minha vida reservada. Gosto de que continue assim. Quais são seus projetos futuros, além da novela? Vou terminar de filmar Cangaço Novo e tenho já dois projetos em vista no próximo ano como ator. Nesse momento, estou com foco também em produzir meu primeiro longa-metragem como diretor. Além disso, passarei uma temporada fora do Brasil no próximo ano para me dedicar a expandir também as possibilidades no mercado profissional.