[[legacy_image_328616]] Na elaboração de um projeto residencial, é comum que ele siga uma linguagem arquitetônica desde a parte de obra até a decoração final, envolvendo a definição da paleta de cores, acabamentos, escolha de mobiliário e objetos decorativos. Mas, frequentemente, os gostos dos moradores da casa não são iguais. Saber harmonizá-los é um desafio possível, segundo a dupla de arquitetos Priscila e Bernardo Tressino. Num mundo que celebra a diversidade, a mescla de alusões arquitetônicas emerge como uma tendência em alta, desafiando convenções e criando espaços únicos e inovadores. “Essa abordagem audaciosa resulta em ambientes que ultrapassam os limites tradicionais. No entanto, por trás da beleza dessa fusão, surgem desafios, erros comuns e soluções criativas que nós abraçamos dentro dessa abordagem inovadora”, contam os arquitetos. Por onde começarComo ponto de partida, os profissionais destacam a importância de compilar todas as preferências e interesses dos moradores. Assim, constroem um perfil de cada um e somas as semelhanças e diferenças por meio de correlações com algum estilo escolhido. Questões como cores favoritas, texturas desejadas, escolhas de papéis de parede, estampas e design de mobiliário são alguns dos tópicos que auxiliam os arquitetos a explorarem as melhores parcerias. “Nada é óbvio e não há uma fórmula pronta a seguir. Por isso, essa alquimia se converte em um visual surpreendente e único. Por nossa experiência, aprendemos que o modo de ser de cada cliente não determina as regras para o desenvolvimento do projeto. Escutamos cada um deles e concebemos tudo de acordo com as expectativas apresentadas”, comenta Bernardo. A sintonia de estilos na decoração emerge a partir de decisões e, de acordo com os profissionais, o processo se torna simples quando as estéticas compartilham características similares como a combinação entre o minimalismo e o estilo industrial. Contudo, é necessário redobrar a atenção quando os perfis são opostos: nesses casos, é essencial evitar que entrem em conflito. Dentre os muitos desafios apontados por Priscila e Bernardo, a desordem visual é, sem dúvidas, a mais aparente, pois a dificuldade de equilibrar os elementos pode acarretar em um ambiente confuso e sem foco. Para isso, eles afirmam que é preciso uma compreensão profunda da linguagem arquitetônica e prudência no que diz respeito à organização espacial e à hierarquia das características. Outra adversidade comum é a perda da funcionalidade dos itens presentes no ambiente. “Às vezes, a estética pode prevalecer sobre a funcionalidade. A solução é integrar elementos estilísticos de maneira a não comprometer a praticidade e o conforto do espaço”. Mistura de estilosA incorporação de propriedades distintivas do décor pode ser requerida tanto em um único cômodo ou por completo. O caminho principal do profissional reside na busca por contrapontos em um equilíbrio sutil. “A riqueza mora nos detalhes e a grande estratégia está em eleger pontos de destaque. A arquitetura de interiores nos abre horizontes para ir além muito do óbvio e cultivar uma perspectiva singular”. Em geral, a paleta de cores e a seleção de materiais desempenham um papel significativo. No entanto, alguns contrastes podem ser explorados, como a combinação de texturas, a integração do novo com o antigo, a simplicidade e o requinte, bem como as formas retas e orgânicas. “O fundamental é determinar o que se destacará e o conjunto que será visualizado em segundo plano”, enfatiza Bernardo. DicasPor isso, ao criar um ambiente envolvente e cativante, os arquitetos consideram algumas diretrizes como: - Estabelecer um foco impactante para frisar uma peça ou área específica impressiona e entrega um balanço entre o clássico e o moderno; - Integrar uma variedade de texturas proporciona interesse visual e tátil ao espaço, gerando uma atmosfera rica e acolhedora. Nesses casos, eles investem em móveis ecléticos, mas que também compartilham traços comuns do design como estratégia para manter a coesão. - A arte unifica: o emprego de quadros, esculturas ou instalações artísticas conduz para a simetria. Recomenda-se também a instalação de uma luz distinta, pois luminárias diversas ajudam na transição suave entre elementos. - A coordenação de padrões e estampas garante uma aparência coesa e equilibrada. É possível combinar madeira, metal, vidro e tecidos para adicionar riqueza visual e sofisticação. - A personalização com objetos pessoais e de memórias afetivas pode ser explorada independentemente do tipo de décor. O segredo é criar ritmo e transição natural. - O respeito às proporções ratifica que os móveis e artigos de decoração devem estar em consonância. Os profissionais aconselham a flexibilidade dos moradores para experimentar e testar parcerias inusitadas e ajustar até alcançar o resultado desejado. - É preciso misturar as referências de forma respeitosa para evitar a apropriação cultural inadequada. A arquiteta Priscila Tressino dá dois exemplos da mistura de estéticas: - Elementos clássicos no décor moderno: uso de materiais nobres, como mármore, seda e cristal; mobiliário clássico, como cadeiras, poltronas e marcenaria provençal, além de adornos como boiseries, lustres e vasos de cristal. “Não nos limitamos ao clássico preto e branco”. - Elementos barrocos no décor rústico, com o emprego de matérias-primas que exaltam a exuberância do barroco e a simplicidade do rústico: madeira e couro envelhecidos, presentes em sofás e poltronas; elementos de ferro em luminárias e detalhes; tecidos naturais e texturizados, como linho, algodão cru ou lã, para estofados e cortinas.