[[legacy_image_152846]] A palavra inglesa burn, ao pé da letra, significa queimar. Burnout, da síndrome cada vez mais recorrente, é como dizer que a sua cabeça está virando fumaça, vítima do esgotamento. Mas não um esgotamento do tipo que a gente sente depois de uma atividade física intensa ou de um dia longo de trabalho. “É uma exaustão que não pode ser resolvida com uma simples noite de sono”, descreveu a cantora e atriz Hilary Duff, que fez tratamento contra a síndrome. E esse quadro tem motivado um número crescente de atestados e licenças médicas nas empresas, ainda mais em tempos de pandemia de covid-19. Exaustão, questionamento da capacidade profissional, queda de humor significativa e estresse crônico são apenas alguns sintomas da Síndrome de Burnout. “A sensação é de que o corpo deu uma pane. Um dia, em uma reunião com a equipe, esqueci o nome da minha secretária, que está comigo há anos e é minha amiga. Nada me fazia lembrar. No dia seguinte, fui ao shopping comprar cápsulas de café e, ao chegar, não sabia o que fui fazer. Fui embora sem o café”. O relato acima é de uma diretora financeira de uma empresa multinacional conceituada. Ela conta que começou a ter insônia, crises de ansiedade compensadas pela compulsão por comida e irritação com pequenas coisas. “Depois, passei a ter esses apagões, que ficaram frequentes. Fui ao médico, achando que poderia ter um tumor ou algum problema no cérebro”. Porém, a executiva foi surpreendida pelo diagnóstico de Síndrome de Burnout. “Nunca tinha ouvido falar nela. Eu sempre me considerei calma e centrada, mas o acúmulo de responsabilidades e de tomadas de decisão, somado a longas jornadas de trabalho, me levaram a esse ponto”. No radar da OMSConsiderada uma doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 2019, essa síndrome acomete anônimos e famosos e exige notificação compulsória ao Ministério do Trabalho e Previdência Social. O transtorno é considerado um dos fatores que influenciam a saúde e problemas relacionados ao emprego. Conhecida também como síndrome do esgotamento profissional, é causada pelo estresse e exaustão extrema, relacionada a situações de trabalho desgastantes, com alta competitividade, responsabilidade ou abusivas. “A melhor forma de prevenção é respeitar seus limites no ambiente de trabalho, reparar quando algo parece extrapolar suas limitações e, principalmente, se auto-observar, perceber seu humor, nível de estresse, fadiga, pensamentos negativos sobre si e sobre o trabalho”, diz a psicóloga Joyce Mello. Ela reforça que a pessoa que tem a Síndrome de Burnout costuma apresentar sofrimento psicológico, cansaço físico e mental, dificuldade de concentração e sentimentos de incompetência. De acordo com a psicóloga, caso não seja tratado, o transtorno pode levar a um quadro de depressão. A profissional acrescenta que é de extrema importância manter uma rotina saudável e ativa em paralelo à vida profissional. “Precisamos incluir atividades de lazer em nosso cotidiano, assim como interações sociais e atividades físicas”. Como tratarO tratamento é feito por meio de psicoterapia e pode envolver medicamentos em alguns casos. Segundo especialistas, é fundamental que sejam feitas mudanças no estilo de vida e nas condições de trabalho. “O cuidado com a saúde mental é necessário, tanto no dia a dia, para lidar com a carga diária pessoal e profissional, quanto em casos, assim que se perceba que algo não está bom”, afirma Joyce. Durante a terapia, a pessoa trabalhará as questões relacionadas à síndrome e à qualidade de vida de forma geral, assim como aprenderá estratégias para lidar com as questões do cotidiano. “Estamos vivendo num mundo cada vez mais competitivo. As pessoas vêm se capacitando e o mercado de trabalho exige cada vez mais de nós. Para se manter nesse ambiente de competitividade, muitos se esquecem de equilibrar a balança entre a vida pessoal e a profissional e acabam sendo sugados pelo trabalho”, diz a psicóloga. A profissional ainda adverte para a importância de procurar ajuda. “Caso você repare que está mais estressado do que o habitual, é muito importante que procure um profissional capacitado para te auxiliar no diagnóstico e iniciar o tratamento adequado”. Dicas para evitar- Reconheça que está exausto; - Fale com seu chefe se houver carga excessiva de serviço; - Nas folgas, faça o que gosta, relaxe; - Deixe sua área de trabalho organizada; - Conheça seus limites; - Aprenda a dizer não;- Pratique atividade física regularmente;- Tenha um hobby; - Saia com os amigos e a família, pois manter atividades sociais é fundamental.