[[legacy_image_185078]] O lançamento de uma nova animação da Pixar sempre causa alvoroço. É da produtora fundada pelo já falecido Steve Jobs (da Apple) – que pertenceu por décadas a George Lucas e agora é parte da Disney – que alguns dos grandes clássicos recentes do gênero nasceram. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De Wall-E a Up – Altas Aventuras, a empresa acostumou os fãs a produções primorosas no aspecto técnico e que podem ser acompanhadas tanto pelas crianças, o público-alvo, quanto por adultos – com interpretações diferentes, mas com o mesmo interesse. Foi a partir dessa dinâmica que conhecemos, por exemplo, o robozinho Wall-E e também refletimos sobre solidão, relação entre humanidade e tecnologia e proteção do meio ambiente. Em seu novo longa, Lightyear, a empresa toma dois caminhos que a princípio parecem inversos e que confundiram muita gente. Eles retornam ao universo de sua primeira produção – a mítica Toy Story – e contam uma história mais convencional, de aventura espacial do tipo Star Trek, para inovar em uma área tão polêmica como necessária: a da representatividade. O filme, estrelado pelo astronauta Buzz Lightyear, traz uma personagem que se casa com alguém do mesmo gênero, constitui família e vive uma vida feliz, estável e realizada. A coragem custou caro à Disney, literalmente: em 14 países, incluindo a China, maior mercado de cinema do mundo, o filme acabou sendo proibido. Vale destacar a coragem da Disney, que resolveu bancar o prejuízo não para “incentivar a homossexualidade”, como muitos equivocados acusaram, e sim para mostrar para milhões de crianças, jovens e adultos homossexuais ao redor do mundo que eles não estão sozinhos. De modo que se reconheçam no personagem e contem com uma ajuda para fugir do isolamento e da depressão que o preconceito pode provocar. Isso mostra ainda às crianças que o tema deve ser tratado com a naturalidade que a sociedade futurista do filme já alcançou e da qual nós, tão tecnologicamente avançados, ainda estamos bem distantes. Ao mesmo tempo, a Disney adota um tom mais convencional na narrativa, mas com uma boa explicação. O filme que vemos na tela é o que o menino Andy viu quando era pequeno e se tornou seu favorito. É, portanto, um produto dos anos 1980. Na historinha, Buzz Lightyear precisa salvar um grupo de humanos – ele incluído –, cuja nave caiu em um planeta hostil. Entram na trama conceitos de física, da teoria da relatividade e também conflitos bastante íntimos dos personagens, especialmente a capacidade de aceitar os próprios erros para ser capaz de superá-los. Ficou claro que, da ótica de um adulto, o longa tem muito pouco de infantil, não? Mas, como já disse, as crianças acompanham numa outra camada de entendimento e sem grandes problemas. Não seja malvado e leve a criançada ao cinema! Você também vai se divertir, tenha certeza disso!!!