[[legacy_image_328452]] Lia Clark é drag queen, cantora, compositora e uma das maiores representantes da cenário musical LGBTQ+. Mas, por trás do seu sucesso, tem o Rhael Lima, que nasceu e cresceu em Santos e hoje performa por palcos de todo o Brasil. Lia Clark iniciou carreira em 2016, com a música Trava Trava, que rapidamente viralizou. Em 2021, ela ganhou o prêmio Orgulho do Vale na premiação MTV Miaw 2021, oficial da MTV Brasil, e entrou no Top 200 do Spotify. Entre muitos trabalhos, em 2022, a artista estreou no Rock in Rio, onde se apresentou no Espaço Favela. Já em 2023, brilhou no festival The Town, como atração do Palco Factory. Lia reúne mais de meio milhão de seguidores nas redes sociais e milhões de reproduções em seus trabalhos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Como foi sua vida em Santos? Morou na cidade até que idade?Sou nascida e criada em Santos e fiquei na cidade até meus 24 ou 25 anos. A princípio, morava com meu pai, minha mãe e minha irmã, mas depois meus pais se separaram e ficamos apenas eu, minha mãe e minha irmã… E assim eu cresci com elas. Comecei a trabalhar muito cedo para ajudar em casa, desde os 14 anos, no Camps, e foi aí que eu comecei a entender como funcionava todo o sistema. Fiquei um bom tempo trabalhando com comércio exterior no Centro de Santos, entregando documentos, até que tive uma promoção. Estudei Engenharia de Produção na Esamc, na Ponta da Praia, e trabalhava também. Até que nos finais de semana comecei a me montar e participar de festas de Santos, e foi quando surgiu a Lia Clark. Qual é a sua melhor memória em Santos?Com certeza envolvem a minha família e os meus amigos. Em São Paulo, é uma outra história que estou escrevendo, com novas pessoas, mas conheci muita gente em Santos. Minha família mora aí. Então essas são as memórias mais amorosas, que eu amo lembrar. Foi onde eu me descobri LGBT, indo para baladas… Minha adolescência foi bem legal, bem marcante e tudo o que vivi aí fez parte dessa construção, dessa drag que eu apresento para o mundo. Quando você se deu conta que gostava do universo drag e quis começar a performar?Foi quando comecei a ir para baladas em São Paulo e ter contato com drags do mundo pop, que não faziam bate-cabelo, não faziam humor nem dançavam músicas muito remixadas. As primeiras que tive contato foram as do Trio Milano e me apaixonei pelo trabalho delas. Fiquei com essa pulga atrás da orelha, de como eu ficaria montada, como me sentiria… Sempre gostei muito dos palcos, de música, da cultura pop e queria colocar toda essa minha feminilidade para fora, de alguma forma. Foi ali que vi uma oportunidade. Na sua carreira, qual foi o momento mais difícil? Com certeza foi a pandemia. Era algo totalmente novo para a nossa geração e eu não sabia como seria, nunca tinha vivido. Como eu trabalho com eventos, foi o momento em que me redescobri, tive que me reinventar. Foi muito difícil passar por isso financeira e mentalmente falando. E qual foi o mais gratificante?O momento mais gratificante foi, com certeza, participar de grandes festivais. Acho que é uma porta que consegui abrir como uma drag preta e funkeira, fazendo a minha arte. Subir em palcos como Rock in Rio, participar do The Town, puxar trios em São Paulo e ver uma multidão cantando e vibrando comigo, são momentos de muita emoção e identificação com o propósito do porquê eu estou fazendo isso. Como é abordar temas relacionados à sexualidade, empoderamento e liberdade de expressão em seu trabalho?Gosto de expressar na minha música o que sinto e gosto de conversar com meu público, de alguma forma. Acho que a sexualidade sempre foi um tabu. É algo que todas as pessoas fazem, acho que só os assexuados que não praticam, e as pessoas têm medo de falar em voz alta, de cantar… E eu gosto de provocar isso sendo uma drag queen. Gosto de falar de liberdade, sexualidade. A minha música é para a pessoa se sentir livre de todas as amarras que a sociedade colocou na gente. Para você, como é ser considerada a primeira drag queen no universo do funk?Eu ser a primeira drag funkeira do mundo é legal. É um título que eu não imaginava ter, não foi algo pensado, simplesmente me montava e como sempre gostei de funk decidi fazer uma música de uma hora para outra e viralizou. A partir daí, a imprensa começou a me dar esse título porque, realmente, era o início das drags na música e eu já vim com a minha essência, trazendo o funk na minha arte. Fico muito feliz. Que venham cada vez mais drags maravilhosas cantando funk e que a gente cresça cada vez mais nesse estilo que é nosso, que é do Brasil e está ganhando o mundo. Quem é a Lia Clark longe dos palcos? O que ela mais ama fazer em seus dias de folga? É o Rhael Lima, o menino gay que ama as suas cachorras mais que tudo (a Deusa e a Musa). Atualmente, estou em uma fase da minha vida muito caseira, tenho meu namorado que mora comigo, gosto muito de ficar com eles. Gosto de ir a Santos visitar minha família, de estar entre amigos, de estar em paz comigo, mentalmente, fisicamente e ser feliz. O que podemos esperar de Lia Clark para 2024?Muitos shows com a minha turnê nova, a Lia Clark On Tour 2.0. Vou ser apresentadora de um reality show, que não posso falar muito, mas vai estrear ainda esse ano. E estou muito animada porque é um passo novo.