[[legacy_image_214963]] O nascimento de um filho, por mais que seja marcante e emocionante, é um verdadeiro desafio que pode proporcionar à mãe uma montanha-russa de emoções, deixando-a suscetível a diversos distúrbios psicológicos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Durante o ano, o mundo todo se une em prol de conscientizar as pessoas a respeito de temas como suicídio e depressão. No entanto, em uma sociedade que ainda romantiza a maternidade, a saúde mental de mães de recém-nascidos ainda é pouco abordada, apesar de se mostrar um assunto de saúde pública. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, cerca de 10% das mulheres grávidas e 13% das puérperas sofrem de algum problema de saúde mental, principalmente a depressão pós-parto. Países em desenvolvimento, com maior desigualdade de renda e altas taxas de mortalidade materna e infantil, possuem um índice ainda maior: 15,6% durante a gravidez e 20% após o nascimento da criança, além de haver maior prevalência da depressão pós-parto. Mas, afinal, o que é essa doença e como identificá-la? A depressão pós-parto ocorre logo após o parto e se dá, principalmente, devido às alterações hormonais decorrentes do término da gravidez, o que leva algumas mamães a experimentarem sintomas como desespero constante, sentimento de tristeza, perda de interesse em realizar as atividades diárias, alterações de humor, crises de choro, insônia ou excesso de sono, falta ou aumento de apetite e, ainda, perda ou ganho de peso. Apesar de não haver um único fator, uma das principais razões de uma mãe apresentar esse diagnóstico é justamente o enorme desequilíbrio de hormônios reprodutivos no pós-parto, como o estrogênio e a progesterona. Fora isso, fatores emocionais e físicos, alimentação inadequada, isolamento, estilo de vida e a falta de apoio do parceiro também podem potencializar esses agentes. De ambos os ladosDe acordo com a psicóloga Ione Machareth, especialista em psicologia materna, a depressão pós-parto e outras doenças mentais decorrentes do período perinatal oferecem riscos não apenas para a mãe, mas para o filho, uma vez que podem afetar o desenvolvimento do bebê e dificultar a criação dos laços entre a mãe e o filho. “A depressão pós-parto, se não for tratada, pode durar meses ou anos e afetar os vínculos entre os dois, o que pode causar sérios problemas tanto familiares quanto no desenvolvimento da criança. Filhos de mulheres com depressão estão propensos a ter mau comportamento e apresentar falta de apetite, dificuldades para dormir, crises de birra, hiperatividade e até atrasos no desenvolvimento da fala. Por isso, é muito importante procurar apoio e estar atenta aos sinais da doença”, alerta Ione. Período belo x difícilVale ressaltar também que os transtornos mentais perinatais não estão relacionados apenas à depressão e a maioria das mulheres pode apresentar outros diferentes problemas de saúde mental como ansiedade, estresse pós-traumático, psicose pós-parto, transtorno de pânico e fobias. A maternidade pode ser um período belo, mas igualmente difícil para a mulher que ainda necessita de todos os cuidados que recebeu na gestação. Por esse motivo, a família precisa ser presente, dar suporte e se manter atenta à mãe no pós-nascimento. Além do apoio dos familiares, as mamães também podem buscar amparo em outras iniciativas presentes no mercado materno-infantil. Clube de apoioPor exemplo, o Baby Concierge, clube que presta consultoria de maternidade, promove ajuda, conhecimento e oferece descontos, serviços e um acervo de colaboradores chancelados. Criada durante a pandemia, a iniciativa nasceu a partir da percepção de suas idealizadoras, Isis Grossi, Letícia Dias e Helena Cossich, que identificaram a falta de um espaço único em que mães e pais tivessem acesso a todos os tipos de informações, referentes ao universo da maternidade e da primeira infância. Segundo Ione Machareth, que faz parte do acervo de colaboradoras do clube, recorrer a consultorias desse tipo pode contribuir para a melhora do quadro depressivo, uma vez que mãe e familiares estarão recebendo direcionamentos e assistência para lidar com a doença. “Contar com o apoio de um profissional durante esse período faz toda a diferença no tratamento. Isso leva a mãe, o pai e todo o núcleo familiar a entender como é importante cuidar do bebê e também da mamãe. A ajuda certa pode transformar todo um quadro, por isso é importante buscar essa ajuda especializada”, finaliza a psicóloga Ione Machareth.