[[legacy_image_211994]] João Côrtes chamou a atenção do grande público com seu trabalho em campanhas publicitárias. Na sequência, participou do reality global Popstar, mostrando que, além de ator talentoso, também leva jeito para a música. Mas o paulistano de 27 anos não parou por aí. Foi atrás do sonho de atuar no exterior: fez a série O Hóspede Americano, do HBO Max, e a minissérie Passaporte para Liberdade, coprodução do Globoplay com a Sony. Em breve, ele também poderá ser visto – interpretando em inglês – em Rio Connection, segunda coprodução do Globoplay com a Sony. Outros trabalhos de João que estão para ser lançados nos próximos meses são o seriado Encantados, do Globoplay; o filme Depois do Universo, da Netflix, e as séries Sala dos Professores e The Journey (coprodução Brasil-EUA). Na entrevista ao domingo+, o ator e músico, que está de mudança para Los Angeles, fala ainda das experiências como diretor, produtor e roteirista. Você tem feito trabalhos em inglês. Foi algo que estava nos seus planos ou que simplesmente aconteceu?Foi algo pensado, fruto de estratégia. Essa possibilidade de carreira sempre me interessou e quero trilhar cada vez mais esse caminho. Tanto que, nesta semana, estou de mudança para Los Angeles (EUA), sem data para voltar, para poder dar continuidade à minha carreira internacional. Tenho feito contatos lá e prospecções de oportunidades bacanas. Acho que, de certa forma, também atraí isso. O meu primeiro trabalho em inglês foi a série O Hóspede Americano, do HBO Max, e como as pessoas ficaram sabendo que falo inglês, um projeto puxou o outro. Sem contar que me preparei para esse momento, pois sou de planejar os meus passos. Acho muito importante construir o meu caminho profissional, entendendo o tipo de carreira que quero ter. Chegou a estudar fora?Sim, já fiz um curso na New York Film Academy. Tenho desenvolvido essa mentalidade de trabalhar fora do Brasil há uns dez anos. É um sonho meu me dedicar cada vez mais a projetos internacionais, que permitam me envolver com outras culturas e países. De um tempo para cá, você também se experimentou como diretor, roteirista e produtor. O que foi fundamental para abrir o leque profissional?Eu tinha a curiosidade de me testar nesses papéis, e sempre fui apaixonado por escrever. Já era de fazer crônicas e alguns outros tipos de texto. Inclusive, sabia que, em algum momento, eu ia querer escrever o meu primeiro roteiro de um longa-metragem. Fiz isso de 2017 para 2018 e, em 2019, dei início à produção desse filme, que se chama Nas Mãos de Quem Me Leva. Como eu tinha a história na minha cabeça, quis assumir a direção do projeto. Foi um baita desafio, mas valeu a pena. O longa ganhou prêmios em vários festivais pelo mundo. Na sequência, escrevi o roteiro de Flush, curta em que atuei com o Nicolas Prattes e que também foi premiado em festivais. Montou a sua produtora por causa desses trabalhos?Na verdade, ela surgiu um pouquinho antes do Nas Mãos de Quem Me Leva. Eu tinha a ideia de produzir os meus próprios conteúdos originais. Fora isso, o meu irmão, Gabriel Côrtes, é diretor de fotografia – ele cuidou dessa parte no longa e no curta que escrevi – e a gente está cercado de pessoas de todos os setores da indústria. Por esses motivos, resolvemos criar a produtora e agregar profissionais em que acreditamos. Como é que fica a música no meio de tudo isso?Gostaria de dar mais atenção e botar mais energia no meu lado cantor. Acabo não conseguindo, porque o meu lado ator ocupa a maior parte do meu tempo. É difícil tocar duas carreiras assim simultaneamente e fazer com que ambas sejam bem-sucedidas. A música sempre me acompanha, sigo tocando teclado e piano, compondo, tenho até cinco faixas para lançar, mas a carreira de ator é o meu plano A. O que veio primeiro: a interpretação ou a música?Curiosamente, a música acabou vindo antes, pois minha família, principalmente da parte do meu pai, é quase toda de músicos. Isso sempre nos uniu bastante enquanto família. Fomos todos criados cercados de muita música. Só que os seus primeiros trabalhos foram com locução e dublagem de publicidades, ainda durante a infância.É verdade. Essas oportunidades surgiram muito por conta do meu pai, que trabalha como compositor para filmes, séries e publicidades. Desde os meus 4, 5 anos, ele me colocava para fazer locução e dublagem de comerciais. E eu adorava, me sentia estimulado, porque sempre gostei de me pintar, de interpretar... Para você ter ideia, eu parava as festas em casa para me apresentar. Mas somente fui fazer teatro, pela primeira vez, dos 14 para os 15 anos, na escola. Aí, ficou claro para mim que esse era um caminho possível. No entanto, admito que nunca imaginei que os trabalhos que fiz na publicidade, já adulto, me trariam maior visibilidade e me colocariam em uma vitrine de destaque nacional. O mais interessante é que as campanhas publicitárias que eu fiz recentemente e que me tornaram famoso me permitiram exercitar bastante o meu lado ator. Eu construí um personagem para esses comerciais.