[[legacy_image_197838]] Vera Fischer está de volta aos palcos após quatro anos para apresentar a peça Quando eu For Mãe Quero Amar Desse Jeito, que terá duas sessões em Santos nos dias 19 e 20 deste mês, no Teatro Municipal Braz Cubas. Assinante de A Tribuna e acompanhante têm 30% de desconto no ingresso pessoal. As vendas acontecem pelo site ingressodigital.com. Aos 70 anos de idade, ela se reinventou na pandemia: até então, nem celular tinha. Fez lives e começou a interagir com seus fãs-clubes – são 50 ao todo. Na entrevista a seguir, ela conta sobre a peça e a vida pessoal. Há projetos sobre os quais não pode comentar, que envolvem cinema e streaming. Diz, ainda, que se esforça para colaborar em discussões sobre Cultura, como quando foi à Câmara pedir a aprovação da Lei Paulo Gustavo, que garante recursos públicos ao setor. Falou sobre seus hobbies e admitiu que gosta de ver desde comédias bobas até filmes de terror, tudo ao lado do gatinho com quem divide o apartamento em que mora. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Este é seu retorno aos palcos após quatro anos. O que a fez aceitar o papel?“(Dulce Carmona, sua personagem) é uma mulher diferente de tudo que já havia feito. Eu adorei o texto (...) Um ano antes de estrear, o Tadeu (Aguiar, diretor da peça) me chamou para fazer uma leitura sem compromisso, porque a peça estava engatilhada há anos, mas não havia estreado. E ele adorou. Essa peça é muito boa, uma comédia inteligente, sarcástica e venenosa. É uma personagem que instiga, então... A mãe muda a forma de agir. Ela tem várias pessoas dentro dela. No começo, é mais dura, depois vai ficando engraçada, falando coisas absurdas. É a personagem mais multifacetada dessa peça. É uma mãe que mora com o filho numa casa que já foi muito rica, aquilo de família rígida e chique. Só que eles estão decadentes. E a relação do filho com ela é de amor, mas com possessão. Quando ele conta que está namorando, ela fica contra sem nem conhecer a garota. Quando ela a conhece, as duas se pesquisam e o filho fica de bobo no meio da história. Sobre o título, as pessoas vão acabar entendendo somente no final. A peça era para ter estreado em 2020, mas foi suspensa por conta da pandemia. Como está sendo esse retorno e a chegada a Santos?Santos sempre foi uma praça maravilhosa e faz tempo que não levava peças para a Cidade. Eu estava morrendo de saudades de encontrar o público dessa forma ,pessoalmente. Eu comecei a fazer teatro aos 30 anos, já reconhecida na TV, e tinha bastante medo do julgamento das pessoas. Hoje, eu me sinto muito bem com essa relação, as pessoas me param, tiram fotos. É maravilhoso esse retorno. Foi muito difícil na pandemia?Desde o início da pandemia, estou valorizando o mais simples e lidando com menos coisas. A pandemia só me deu um problema: fazer exercício físico em casa. Não tinha como. Tive problemas no quadril e joelhos, porque só ficava lendo, vendo TV, no celular. Agora que estou voltando, estou retomando e fazendo fisioterapia, até porque a peça exige muito de mim. Tem escada e eu uso salto. Até pensamos em retirar a escada da peça, mas eu acho que perderia. Já que estou voltando aos palcos, eu volto e trato a dor. É assim a vida do ator, é um esforço. Pega ônibus, avião... Aos 70 anos, tudo isso pesa. Mas com a reação do público e essa peça tão bem escrita e dirigida, tudo vale a pena. O público está aceitando tanto que me deixa muito feliz. Na pandemia, você fez lives, indicou livros... Como foi a troca com o público?Até pouco antes da pandemia, nem celular eu tinha. Meu filho que insistiu. Sempre fui contra porque tinha telefone fixo para falar com quem eu quisesse. O celular te leva para a função, você fica disponível o dia inteiro, é uma loucura. Mas, na pandemia, comecei a mexer e fiquei surpresa. Eu tinha uns cinco fãs-clubes, agora tenho 50. E os jovens têm me procurado muito. Eles não acompanharam coisas antigas que fiz, mas pesquisam, me mandam coisas, eu fico surpresa com o que conseguem achar. E fazem memes, né?Sim! Eles fizeram uma montagem com meu rosto no lugar da Feiticeira Escarlate, de WandaVision. Isso chegou na Disney, dona da série, e eles me chamaram para fazer uma paródia chamando para a divulgação no Brasil. Olha onde pode chegar... Eles brincam, fazem montagens. Isso me renova também. Você foi Miss Brasil. Ainda assiste aos concursos?Gosto de ver os concursos e também documentários de pessoas que eu admiro. Achei incrível a Angela Ponce, uma modelo transgênero, ter ganho o Miss Universo Espanha. Lindíssima e ainda fazia trabalho com pobres. Foi fantástico. Hoje, o concurso não é mais como na minha época, que era só ser bonita e ter 18 anos. Elas têm mais idade, têm profissão. E não ganha só porque é mais bonita, mas pela sua história. Tem apresentadoras, as que fazem trabalhos filantrópicos, cantoras... Eu mesma nem acho que era a mais bonita, acho que meu jeitão mais impetuosa me fez ganhar. Além disso, você esteve na Câmara dos Deputados para pressionar pela aprovação da Lei Paulo Gustavo.A gente precisa fazer isso. É triste viver num País que despreza a cultura. Essa profissão é muito difícil. Todos nós temos que fazer todo o tipo de esforço pela Cultura.