(Gerada por IA) No vasto mundo da internet e dos coaches de tudo que se possa imaginar, há um sem fim de “especialistas” em relacionamentos. Acompanhe as dicas no Instagram, baixe o e-book e, finalmente, faça o curso on-line para se tornar desejável, casável, indispensável com o outro aos seus pés. Mas é curioso, para não dizer deprimente, como a maioria dos ensinamentos para conquistar alguém é sobre manipulação. Sobre fazer o objeto de interesse se sentir mal, perdido, desnecessário, confuso. Se você for por aí, a pessoa sentirá sua falta, vai te dar valor, perceberá que você realmente vale o esforço. O pior? É assim mesmo que muita gente quer ser tratada para criar conexão, se apegar, se apaixonar. Dá certo. Porque a maneira como aprendemos a nos relacionar é na falta. Os traumas que carregamos ao longo da vida dizem que não fomos bons o suficiente, que não tivemos nossos medos acolhidos e nossas demonstrações de amor foram até mesmo ignoradas. Aprende-se que amar é sobre temer, ser escanteado e ter que provar, a cada segundo, que se pode ser aquilo que o outro espera. Mesmo que para isso seja necessário abrir mão de quem somos. É preciso jogar, deixar na dúvida, machucar para “ver o que tá perdendo”. É muito doentio. Histórias instáveis, em que não se sabe nunca onde pisar, em que a mão é única no esforço de fazer existir, drenam energia, causam angústia e trazem tristeza. Ter que fazer a egípcia, fingindo costume, para alguém notar e entender quem você é, cansa. E isso vale para relacionamentos amorosos, de amizade e familiares. É sempre você quem resolve? É sempre você que tem que ouvir e acolher sem ouvir e ser acolhido? Só te procuram na necessidade sem nunca perguntar como estão as suas necessidades? Você quem sugere possibilidades e soluções, chama para estar junto, e só recebe de volta desculpas, reclamações e justificativas autocentradas? Imponha limites - ou fuja para as colinas. A fórmula para as relações saudáveis darem certo é simples: confiança e presença. A gente confia em quem cumpre o que fala, quem explica o que está acontecendo, quem “olha” pra gente, quem faz questão - das horas boas, mas também de enfrentar junto as horas ruins. Quem faz questão faz o corre. E aí chegamos na presença. Não é aparecer quando quer resolver a própria falta que incomoda. Isso é usar as pessoas. Presença não precisa vir acompanhada de grandes eventos e gestos superlativos. Está no cuidado simples do cotidiano. Está no realmente estar na nossa vida. Na troca genuína e recíproca. É baixa manutenção. Não por ser superficial (como vem sendo mal entendido o termo). Mas por ser tão importante que você pode ser você mesma sem precisar impressionar e “entregar” alguma coisa o tempo todo. Não exige do coração um esforço exaustivo para manter. Se seu coração estiver cansado de tentar, o problema é outro. É desinteresse. Vá se dedicar a quem te preenche, não a quem te esvazia. P.S.: Eu adoro a música Segredos, do Frejat, que nos fala da busca de um amor ao qual faz sentido se dedicar. Acredito que é uma boa inspiração para ouvir e lembrar o que a gente merece em todas as relações que nos cercam: receber o quanto se dá.