Foto Ilustrativa (Freepik) Um estudo recente da Universidade de Amsterdã investigou a influência do feedback social em mídias sociais, como curtidas e comentários, no comportamento e no humor de jovens com idades entre 13 e 24 anos, faixa de idade da Geração Z. Os resultados indicam que os usuários dentro desse recorte são mais sensíveis a esse tipo de feedback do que os adultos, e que essa sensibilidade pode ter impactos significativos em seu bem-estar psicológico e em seus padrões de uso das plataformas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A pesquisa, publicada na revista científica Science Advances, baseou-se em dados reais de uso do Instagram e em experimentos controlados para analisar como os jovens respondem ao feedback social online. Os resultados revelaram que os adolescentes são mais propensos a postar novamente em um curto período de tempo após receberem um grande número de curtidas, e que a ausência de curtidas pode levá-los a se engajar menos com a plataforma. “Os adolescentes demonstraram uma taxa de aprendizado significativamente maior em resposta a curtidas do que os adultos”, explica o estudo. “Isso sugere que o engajamento dos adolescentes nas mídias sociais é impulsionado em grande parte pela sua sensibilidade ao feedback social.” Um dos pontos mais intrigantes da tese foi a associação entre a sensibilidade ao feedback social e o volume da amígdala, uma região do cérebro envolvida no processamento de emoções. Os pesquisadores observaram que indivíduos com maior sensibilidade a curtidas tendem a ter um volume maior na amígdala, o que pode explicar a intensidade das reações emocionais ao feedback social online. Impacto se dá no humor e na saúde mental O estudo também revelou que variações no número de curtidas recebidas podem afetar o humor dos adolescentes de forma mais intensa do que o dos adultos. A ausência de curtidas pode gerar sentimentos de rejeição e reduzir a autoestima, enquanto a busca excessiva por curtidas pode contribuir para comportamentos compulsivos e problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Os pesquisadores destacaram no estudo a importância de educar os jovens sobre o uso responsável das mídias sociais e os riscos da busca excessiva por aprovação social online. Eles também sugerem que as plataformas de mídia social implementem medidas para minimizar o impacto negativo do feedback social nos jovens, como a opção de ocultar o número de curtidas e o desenvolvimento de recursos que promovam interações mais saudáveis. Conheça o conceito do feed zero A Geração Z, nascida entre 1995 e 2010, está mudando a forma como interage nas redes sociais, com uma tendência crescente chamada “feed zero”. Trata-se de uma aversão a postar fotos. Diferente dos millennials, que abraçavam as fotos como parte essencial da cultura digital, a Geração Z apresenta motivos como baixa autoestima, perfeccionismo estético, vergonha e até preguiça para justificar sua menor presença visual online. A superexposição e a necessidade de manter uma imagem perfeita são vistas como desestimulantes, levando a uma postura mais discreta nas redes. A saturação das redes sociais e a cultura do cancelamento, especialmente intensificada durante a pandemia, contribuíram para essa “ressaca digital”, incentivando um comportamento online mais restrito e autêntico. Apesar da tendência do feed zero, a geração Z continua ativa nas redes sociais, mas de maneira diferente. Eles preferem contas secundárias ou privadas para compartilhar conteúdos com um círculo mais íntimo de amigos, buscando uma comunicação mais autêntica e livre de julgamentos.