[[legacy_image_265035]] Cerca de 80% da população mundial terão lombalgia em algum momento da vida. E isso certamente traz impacto nas atividades diárias. O fisioterapeuta Márcio Ribeiro Afonso, que trabalha com quiropraxia, fisioterapia esportiva e acupuntura, dá dicas para que o problema não se torne crônico. Ela é, de fato, uma dor bem comum?Estudos mostram que 18% das pessoas, de modo geral, sofreram com algum tipo de dor lombar nos últimos 30 dias, 31% nos últimos 12 meses e 39% já passaram por, pelo menos, um episódio de lombalgia em algum momento da vida. Felizmente, cerca de 90% das lombalgias são simples, de origem mecânica (podem ser posturais ou de hábitos errados na academia, por exemplo). Por volta de 10% vêm de patologias de raiz nervosa, como hérnia de disco. E somente 2% são de origem considerada grave, como fraturas, câncer, cauda equina (distúrbio neurológico) e osteomioelite (infecção nos ossos). Quais são as principais causas do aparecimento dessa dor?Entre elas estão a compressão da raiz nervosa, processos degenerativos e inflamatórios, perda de altura do disco intervertebral, inflamação ou distensão de ligamentos e pontos-gatilhos miofasciais (os chamados nódulos de tensão). E que exames são indicados para avaliar esses quadros de dor?Quase todo mundo que já passou por episódios de dor lombar fez algum exame de imagem, como raios X, ressonância magnética ou tomografia e, provavelmente, já teve algum achado clínico, como hérnia de disco, escoliose e osteófitos, popularmente chamados de bicos de papagaio. Mas é importante que, mesmo com o diagnóstico revelado nos exames, o fisioterapeuta faça uma avaliação criteriosa, com testes clínicos que podem revelar que a causa da dor pode não ser necessariamente uma resposta ao que foi revelado nos exames. Um exemplo é a escoliose (curvatura lateral da coluna vertebral), em que, geralmente, o diagnóstico ocorre na adolescência. O tempo passa e o paciente por volta dos 40 anos acaba procurando o fisioterapeuta dizendo que está com dor lombar por conta desse problema. Na verdade, o corpo dele já está adaptado à escoliose e a dor atual pode ser devido a um espasmo muscular ao pegar um peso de maneira errada ou pelo aparecimento de uma hérnia de disco, por exemplo. Por volta de 66% das hérnias são reabsorvidas em até seis meses, sendo que, quanto maior o tamanho, melhor ocorre essa reabsorção. Geralmente, na avaliação, encontramos que a dor é discogênica (originada da degeneração do disco vertebral) e, além disso, podemos encontrar pontos-gatilhos miofasciais ativos no músculo glúteo mínimo, o que acaba causando irradiação da dor para as pernas, sintoma semelhante ao que ocorre na hérnia discal. Por que as lombalgias são tão recorrentes? Artigos científicos mostram que apenas 25% das pessoas com lombalgia têm recuperação total. Cerca de 75% dos pacientes apresentam crises recorrentes de dor e persistência de sintomas, devido a medidas terapêuticas erradas ou demora para iniciar o tratamento fisioterapêutico. Quando não bem reabilitada, a pessoa acaba ficando com algum desconforto ao longo do tempo, o que em 10% a 40% dos casos se transformam em dores crônicas, com componente biopsicossocial. Mas cerca de 60% a 80% das pessoas têm dores recorrentes devido a componentes físicos, principalmente por desequilíbrios musculares. Como é realizada a avaliação pelo fisioterapeuta?Fazemos testes ortopédicos, ouvimos as queixas da pessoa (tempo, tipo e local da dor) e procuramos saber quando a dor piora ou melhora. Essa avaliação é fundamental para que o tratamento seja resolutivo, atuando na causa. Quais são as principais características da dor lombar?Ela geralmente se agrava com o movimento, tosse, espirros, ato de evacuar ou ao ficar de pé a partir de uma posição sentada ou deitada. Pode vir acompanhada de sintomas como espasmos/contraturas musculares na região lombar e rigidez pela manhã, que melhora com a atividade durante o dia. A dor crônica é a que persiste durante mais de três meses. A aguda provoca a incapacidade de ficar de pé com postura ereta ou de se movimentar livremente (coluna “travada”), irradiando para as pernas, de forma intensa, incapacitante e de forma persistente. E quais as opções de tratamento?O tratamento mais eficaz e com maior comprovação científica é a terapia manual, sendo a quiropraxia a mais utilizada, assim como a desativação dos pontos-gatilhos. Também podem ser indicados exercícios terapêuticos e acupuntura. Na maioria das vezes, o tratamento oferece melhora significativa no quadro de dor já na primeira sessão. Em casos de hérnia discal, vários pacientes acabam cancelando a cirurgia devido à melhora gradativa dos sintomas. Por isso, a necessidade de uma avaliação criteriosa. No método de diagnóstico por subtração, conseguimos diferenciar quais são as estruturas responsáveis pela dor. Para isso, realizamos testes clínicos capazes de identificar com exatidão a causa da dor, inclusive para descartar eventuais crises renais, que também provocam dores na região lombar. Com as informações colhidas durante a anamnese, sobre as características e a localização da dor, realizamos a avaliação dos pontos-gatilhos miofasciais ativos nos músculos. Como é feita essa desativação dos pontos-gatilhos?Os pontos-gatilhos se manifestam por meio de sinais clássicos, como dor, fraqueza muscular e perda da amplitude de movimento. Depois da avaliação, a desativação desses pontos é feita pressionando determinadas regiões nos músculos, que reproduzem com exatidão a dor do paciente. Muitas pessoas confundem esse quadro com a inflamação do nervo ciático, pois relatam que a dor vai em direção da perna e não diminui com o uso de anti-inflamatório ou relaxante muscular. Mas, ao desativar os pontos-gatilhos no músculo do glúteo, a dor desaparece, porque essa era a causa correta do incômodo. Como prevenir? Algumas medidas são eficientes para reduzir a incidência de episódios de dor lombar:- Cuide do peso (a obesidade piora a dor lombar); - Evite ficar na mesma posição por longos períodos; - Pratique exercícios que fortaleçam a musculatura abdominal e glútea; - Alongue-se frequentemente;- Quando estiver com dor, evite sapatos de salto alto ou modelos que deixam os pés instáveis. Dê preferência ao solado baixo e macio; - Caso trabalhe sentado, faça pequenas pausas a cada duas ou três horas para caminhar e alongar a coluna; - Não durma em colchão excessivamente mole, duro ou no chão;- Hidrate-se! Beba muita água; - Evite o cigarro; - Ao menor sinal de desconforto, procure o mais rápido possível tratamento especializado para que o tempo de recuperação e o custo com o tratamento sejam menores.