[[legacy_image_248155]] Não é todo mundo que sabe (ou lembra), mas Marcos Pasquim integrou, na década de 1980, a boy band Explosão. Depois, foi trabalhar como modelo e, aí sim, se encantou pelas artes cênicas. Paulistano da Freguesia do Ó e com várias memórias das praias de Itanhaém - onde a avó materna tinha uma casa -, o ator de 53 anos ficou famoso pela extensa trajetória nas novelas da Globo. E de um tempo para cá, vem se dedicando bastante ao cinema. Em seu mais novo filme, Desapega!, contracena com Gloria Pires e Maisa Silva em uma história que aborda o comportamento compulsivo. “Em março, começo a rodar o meu próximo filme e vou fazer outro de abril a julho”, conta. Na entrevista a seguir, fala ainda de paternidade, da paixão por esporte e revela se tem alguma compulsão. Você tem feito bastante cinema. Era algo que sentia falta na sua carreira?Ultimamente, recebo convites para vários filmes e estou amando isso. O que aconteceu é que, quando entrei na TV, eu fiquei um bom tempo sem parar, sem dar uma pausa, fazia um trabalho atrás do outro. E pelo menos no meu caso, não conseguia conciliar a televisão com o cinema. Eu evitava até me dedicar ao teatro, porque, uma vez, tentei fazer uma novela junto com uma peça e cheguei muito atrasado para a sessão do espetáculo, justamente por ter a TV como prioridade e ela me consumir demais. Mas gosto de todas as formas de atuar. No cinema, você tem um tempo maior para criar o personagem, ensaiar, lapidar... Na televisão, tudo acaba sendo bem rápido, dinâmico: já gravei 45 cenas num dia. No roteiro do seu novo filme, Desapega!, o que mais chamou a sua atenção?O fato de ele abordar as compulsões e mostrar que, quando isso ultrapassa determinado limite, é preciso procurar ajuda. Para me preparar para esse trabalho, pesquisei, estudei a respeito, para entender melhor como esse tipo de comportamento se manifesta. Descobri que todos nós temos um pouco de compulsão e que existe compulsão por tudo. A questão é quando ela se excede. E qual é a sua compulsão?Eu sou muito ligado em horário. Não me atraso e não gosto que alguém chegue depois da hora marcada. Isso me incomoda de verdade, admito. Só que não é algo exagerado. Antes de se tornar ator, você participou da boy band Explosão, em 1984. O que guarda dessa experiência?Nessa época, eu tinha acabado de sair do meu primeiro trabalho, de office boy, e estava desempregado. Aí recebi o convite para fazer parte do Explosão, mas, na realidade, não era algo que eu almejava. O grupo durou um ano e, a seguir, fui trabalhar como auxiliar de escritório. Depois, virei programador. Fiquei um tempo nessa última empresa. E com cerca de 20 anos, fui trabalhar como modelo. Até que pintou o convite para ser ator. Confesso que não tinha vontade de atuar. Só que como apareceu essa oportunidade no teatro, fiz o teste para a peça e passei, fui adiante. Quando me vi no palco e as pessoas aplaudindo, pensei: “É isso que desejo para o resto da minha vida, me encontrei”. Desde então, eu não parei mais (risos). Enfrentou preconceito no meio artístico por, antes de atuar, ter sido modelo?Sim. Quando passei no teste para a novela Cara & Coroa (1995) e fui para a televisão, eu apenas tinha uma peça no currículo. Como modelo, fazia tanto o trabalho de passarela quanto o de propaganda. E em um comercial, você grava algo inúmeras vezes, para o diretor pegar o melhor take. Por causa disso, eu tive dificuldade para fazer novela a princípio, pois não dava para ficar errando e acabei encarando um preconceito dos colegas. Resolvi, então, me preparar melhor e fui estudar na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras, escola tradicional no Rio de Janeiro). Qual foi o trabalho que mais exigiu de você até agora?Tenho carinho por todos os personagens que fiz. Os meus projetos de maior relevância foram a minissérie O Quinto dos Infernos (2002) e a novela Kubanacan (2003), pela qual ganhei prêmios. Considero todos os papéis desafiadores. Por exemplo, como trabalhei bastante com o (autor Carlos) Lombardi e interpretei vários mocinhos, procurei maneiras para que esses personagens não ficassem iguais uns aos outros. Para me preparar para Kubanacan, dormi três dias no quartel do Exército para saber como manusear uma arma. Já para O Quinto dos Infernos, tive aulas de capoeira. A gente faz o que o papel pede. Quanto mais der para aprender do personagem, melhor. Tem vontade de se aventurar como produtor, diretor ou roteirista?Cheguei a dirigir os curtas CD Player: Máskaras Parte 1 e 2 (2009) – que também ajudei a produzir – e Raiz Forte (2011), e gostei. Quem sabe mais para frente não volto a trabalhar como diretor. Foram experiências em que aprendi ainda mais sobre a profissão de ator e, devido a elas, passei a respeitar mais os diretores. Vi o quanto eles sofrem para rodar uma cena, porque quase ninguém costuma trazer soluções; agora, problemas e desafios não faltam. Também tive melhor noção dos custos para levantar um projeto e de quanto isso pode sair caro. O que eu quero é trabalhar até o final da vida, continuar criando e interpretando, me desafiar cada vez mais, enquanto o meu físico aguentar, pois há personagens de todas as idades e nichos. Possui alguma outra paixão além da interpretação?Eu sempre gostei de esportes e estive envolvido com esse universo, desde a época da escola. Já joguei vôlei, futebol, pratiquei kart... Hoje, faço golfe. Curto tudo que é esporte. No fundo, o que me atrai é a disputa, não tenho a necessidade de obrigatoriamente ganhar. Sempre mantive o elo com os esportes em paralelo aos estudos e à minha carreira. Na descrição do seu perfil do Instagram, você foi sucinto e pôs ator e pai. Mudou muito após o nascimento da Allicia (18 anos, fruto da relação com a produtora Fabiana Kherlakian)? A paternidade me mudou, sim. A gente aprende o tempo todo, inclusive quando ensina. Procurei passar os valores do que é certo e errado para a Allicia. Afinal, quando os filhos chegam à adolescência, eles testam tudo o que os pais ensinaram. A Allicia fez teatro por um período, cantou por um tempo e, agora, desenha. Acho que ela vai seguir por esse caminho.