[[legacy_image_194221]] Quem nunca escutou a máxima “os opostos se atraem”? Porém, isso é realmente verdade ou um mito? Para responder essa pergunta, é preciso entender – e lembrar – que antigamente os motivos que estimulavam as pessoas a se casarem eram diferentes dos de hoje. Os casais só acabavam se conhecendo, de fato, quando casavam e iam morar juntos, quando conseguiam perceber as diferenças que existiam. “Antigamente, o casamento não tinha volta, era insolúvel e para sempre. Por isso que muitos ainda têm essa ideia de que os opostos se atraem e que são os diferentes que se casam”, explica o psicólogo Daniel Saloes Conceição. Ele afirma que, portanto, a famosa frase é um mito. “Na realidade, nem os opostos nem os iguais se atraem, mas, sim, os que estão dispostos e engajados em ter um relacionamento saudável e assertivo. Pessoas que entendem a importância da comunicação saudável e da transparência, que reconhecem que ser diferente não é defeito ou errado, apenas diferente”, observa. Quando conhecemos alguém, inicialmente não sabemos de fato como aquela pessoa é, e isso faz com que a gente crie uma idealização ou projeção de como gostaríamos que ela fosse. O psicólogo explica que, à medida em que vamos estreitando o relacionamento, as diferenças ficam mais evidentes. “Quando a gente aprofunda a relação é que descobre como a pessoa é”. Segundo Conceição, a pessoa pode acabar desanimando quando começa a conhecer o outro e percebe que é muito diferente. Isso acontece porque não quer mais gastar seu tempo e energia conversando e tendo discussões. “Não há uma resiliência, principalmente nas gerações mais recentes. Elas não têm paciência para ajustar o relacionamento e estreitá-lo. Então, normalmente, quando há mais coisas em comum entre o casal, é mais fácil de conversar, puxar assunto e sair”. O psicólogo acrescenta que as semelhanças, sem dúvida, geram menos conflitos, pois são quase um espelho de nós mesmos. “Ter alguém do nosso lado com os mesmos objetivos, ideais e crenças facilita a interação e gera menos gasto de energia na vivência”. Por outro lado, muitas semelhanças podem levar ao tédio, à mesmice e até à apatia. Pode tirar o “sabor” que as diferenças causam quando um casal sabe administrá-las. Opostos juntos Para os namorados Gabriel Fomm, jornalista de 23 anos, e Gabriel Nunes, arquiteto de 21, a semelhança entre os dois se faz presente apenas no nome. Eles estão juntos há mais de três anos e se dizem naturalmente muito opostos um ao outro, desde as coisas simples até as mais complexas. “Os nossos sonhos são diferentes, gostos e até famílias. Viemos de criações completamente singulares. Acredito que esse é o ponto que faz tudo ser uma descoberta, uma novidade e também traz um equilíbrio dentro do relacionamento”, admite Fomm. O jornalista conta que existem diversos conflitos no relacionamento pelo fato de os dois serem diferentes, mas tudo envolve muita paciência e escuta. “Se você não é uma pessoa aberta a sentar, conversar e entender, você não pode namorar alguém muito distante da sua realidade”. Fomm acrescenta que, por conta das diferenças, às vezes coisas pequenas se tornam gigantes e é preciso lidar com isso. “Nós não temos costume de brigar, é bem raro mesmo, mas sempre existe uma questão, uma convergência para resolver”. Equilíbrio “Para mim, duas pessoas se atraem pelos seus gostos em comum e por compartilharem energias semelhantes. Mas, também, se atraem por características que não possuem e que admiram no outro”, explica a estudante de Terapia Ocupacional Gabrielle Abilio, de 21 anos. Ela e o namorado, Matheus Aguiar, de 21, estão juntos há um ano e cinco meses e se consideram bastante opostos um do outro. “Ele é bem sonhador, enquanto eu sou mais pé no chão. Isso faz com que eu, às vezes, o segure quando necessário e que ele me impulsione quando preciso”, admite Gabrielle.